Filme ″Resgate″ retrata raptos de empresários em Moçambique | Moçambique | DW | 08.08.2019

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Moçambique

Filme "Resgate" retrata raptos de empresários em Moçambique

Chega esta quinta-feira (08.08) às salas de cinema portuguesas a longa-metragem "Resgate", de Mickey Fonseca e António Forjaz. Produção independente gravada entre 2017 e 2018 aborda raptos de empresários em Moçambique.

Filme independente tem realização e guião de Mickey Fonseca e direção de fotografia e edição de Pipas Forjaz

Filme independente tem realização e guião de Mickey Fonseca e direção de fotografia e edição de Pipas Forjaz

Nos últimos dez anos, os raptos em Moçambique tornaram-se frequentes e têm sido uma dor de cabeça para as autoridades judiciais. O tema aparece agora retratado em cinema, por empenho de Mickey Fonseca, realizador, roteirista e produtor do "Resgate".

"Eu e o Pipas Forjaz, o co-produtor do filme "Resgate", estávamos a conversar sobre os raptos. A mãe de um amigo nosso tinha sido raptada, como já tinham sido raptados vários cidadãos moçambicanos de ascendência asiática e já tinha sido raptado um número elevado de cidadãos portugueses. E a maior parte desses cidadãos todos que foram raptados era homens de negócios", conta o realizador à DW.

Ouvir o áudio 03:44

Filme "Resgate" retrata raptos de empresários em Moçambique

Os valores de resgate que os raptores pediam eram super elevados, ultrapassando por vezes os três milhões de dólares. Este facto criou pânico e um clima de insegurança no país. Por isso, uma boa parte dos empresários deixou Moçambique e voltou aos países de origem, acabando por afetar a já crítica economia moçambicana.

"Os raptos foram acontecendo. Algumas pessoas insignificantes foram presas. Mas, no fundo, não se sabia a história por detrás dos raptos. Nunca se soube quem eram os mandantes; havia várias versões nas ruas, nos jornais e nos telejornais e com estas versões todas nós decidimos criar a nossa versão. Uma versão que incluía um pouco mais outros problemas da nossa sociedade tais como o desemprego, as dívidas bancárias, a falta de comunicação nas relações", afirma Mickey Fonseca.

Longa-metragem estreia nos cinemas

Daí nasceu a história de Bruno, um jovem que depois de quatro anos na prisão deixa o mundo do crime e opta por seguir uma vida honesta com a sua família. Até que um dia é surpreendido com uma dívida bancária de 30 mil dólares deixada pela mãe. Para não perder a casa teve de tomar uma decisão, acabando assim por voltar ao crime como forma de honrar a dívida deixada pela mãe. Nuno decide, então, entrar na onda dos raptos para não perder a casa.

Mosambik | Dreharbeiten Film Rescue

Salomé Sebastião, esposa de empresário português raptado na Beira

Salomé Sebastião, esposa do empresário português raptado há mais de três anos na Beira, província moçambicana de Sofala, tem feito tudo ao seu alcance para encontrar o marido. As autoridades moçambicanas decidiram reabrir o processo de investigação, depois de ter sido arquivado em outubro de 2018 sem nenhum avanço.

"Eu fui a Moçambique e pedi à senhora procuradora-geral da República de Moçambique, Beatriz Buchili, que tivesse em consideração que o processo foi arquivado mas não foram utilizados todos os recursos possíveis na investigação para chegar ao paradeiro do meu marido, nomeadamente a oferta portuguesa", explica Salomé Sebastião.

A oferta de cooperação por parte da justiça portuguesa na investigação deste caso – que, segundo a esposa, "poderia trazer um avanço significativo" – tinha sido recusada pelas autoridades moçambicanas. Salomé Sebastião aplaude a "excelente ideia” de colocar a questão dos raptos no cinema.

Resgate pretende consciencializar a sociedade

"Porque, na realidade, às vezes parece-me que ando sozinha numa caminhada em busca pelo meu marido raptado e desaparecido até ao momento. Sei que há outros casos [de raptos de portugueses], mas o que eu entendo é que as pessoas não falam por variadas razões que não me cabe a mim julgar", diz.

A esposa de Américo Sebastião, que acolhe a ideia do filme com agrado, entende que é preciso "trazer luz a esta situação que está a acontecer" em Moçambique. Trata-se de um problema que, na sua opinião, "tem que ser sanado" para que a presente e as futuras gerações não continuem a ser vítimas de tais crimes.

Mickey Fonseca explica, por sua vez, que a pretensão do filme é sensibilizar os moçambicanos, os portugueses e cidadãos de outras nacionalidades que, por vezes, as desigualdades sociais, a falta de emprego e de inclusão, as dívidas bancárias podem fazer com que as pessoas sejam forçadas ou empurradas a entrar no mundo do crime. "Para nós, Resgate, é uma chamada de atenção, [para alertar] que o crime não compensa", destaca.

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