Distanciamento social é difícil na Guiné-Bissau | Guiné-Bissau | DW | 08.04.2020
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Guiné-Bissau

Distanciamento social é difícil na Guiné-Bissau

As medidas de quarentena e isolamento social impostas para prevenir a Covid-19 estão a ser difíceis para os guineenses. Há casos de famílias que não têm condições de isolar os membros devido às condições das habitações.

É uma situação inédita na Guiné-Bissau. Com exceção do período das 07h às 11h da manhã, no qual os mercados têm permissão para funcionar para as famílias comprarem produtos de primeira necessidade, os guineenses estão a ser obrigados a ficar em casa.

Por serem estranhas na vida dos guineenses, as medidas de quarentena e de distanciamento social são difíceis de serem cumpridas. Muitos não aguentam ficar em casa por muito tempo. É especialmente difícil para familiares manterem-se afastados uns dos outros quando quatro ou cinco pessoas não somente moram na mesma casa, mas também dormem no mesmo quarto.

Guinea-Bissau Coronavirus Lamine Fati

Lamine Fati: "Esta situação é difícil"

Dormem três na mesma cama

"Esta situação é difícil. Nós dormimos três numa cama e num pequeno quarto, nesta condição o contacto é inevitável. Para mim, esta quarentena não muda nada", refere o jovem Lamine Fati.

O cidadão guineense, Maroquéu Pedrinho Tumba, explica por que é difícil observar as restrições: "Os guineenses sempre se costumam juntar".

"Vai ser difícil para todo o mundo ficar em casa pelas normas pedidas pelo Estado, e respeitar a regra de distanciamento de um ou dois metros é muito complicado", lamenta Paulo João Gomes, estudante guineense.

Violência policial

Um dos grupos mais afetados pela medida de confinamento social é o das mulheres, sobretudo as vendedeiras.

"Para mim, está difícil, porque sem sair na rua não vou conseguir nada, e ao sair a polícia vai bater. Assim é difícil", disse uma vendedeira num dos mercados da capital guineense.

Outra vendedeira de produtos alimentícios lamenta a situação: "Está muito difícil mesmo. Nós na Guiné-Bissau trabalhamos muito duro para ganhar o pão de cada dia, não estamos como nos outros países desenvolvidos. Para comprar qualquer coisa é preciso sair de casa para trabalhar".

Assistir ao vídeo 01:41

À revelia do Parlamento, Sissoco toma posse

Guerrilhas políticas à parte

Devido ao coronavírus, a Guiné-Bissau está em estado de emergência há doze dias, o que tem relegado para segundo plano questões político-partidárias. O debate sobre a legalidade ou não do Governo instalado por Umaro Sissoco Embaló - que tomou posse simbolicamente como Presidente da República a 27 de fevereiro - praticamente desapareceu.

Para o analista político Jamel Handem, faz sentido fazer uma pausa às querelas políticas, deixá-las em "segundo e até em terceiro plano", para haver uma concentração na luta comum que é o combate à Covid-19. "A saúde tem que estar em primeiro lugar. Por isso, penso que temos que cumprir com as orientações e procedimentos, e isso é para toda a gente e não só para os cidadãos comuns".

Mais de 30 infetados com Covid-19

O estado de emergência na Guiné-Bissau termina no sábado, 11 de abril. Observadores não descartam, no entanto, a possibilidade de haver um prolongamento, tendo em conta o número de infetados por coronavírus.

O país regista mais de três dezenas de infeções e, segundo profissionais de saúde, há uma "tendência de os números aumentarem".

O aeroporto e as fronteiras guineenses com o Senegal e a Guiné-Conacri estão encerradas desde 28 de março - início do estado de emergência. O comércio, as aulas e os cultos religiosos foram suspensos.

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