Cafunfo: Governo provincial diz que é ″hora de sarar feridas″ | Angola | DW | 09.03.2021

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Angola

Cafunfo: Governo provincial diz que é "hora de sarar feridas"

Em declarações, esta terça-feira (09.03), num evento de reflexão sobre os acontecimentos de 30 de janeiro, o governador provincial da Lunda Norte, Ernesto Muangala, defendeu ainda uma "Angola una e indivisível".

O governador provincial da Lunda Norte apelou, esta terça-feira (09.03), ao diálogo e reconciliação na vila mineira de Cafunfo, onde há cerca de um mês incidentes com a polícia provocaram um número indeterminado de mortes, afirmando que "é hora de sarar as feridas".     

Ernesto Muangala falava em Cafunfo, perante mais de 500 pessoas, entre membros do executivo e autoridades eclesiásticas, oficiais da polícia, sobas e habitantes locais, que se juntaram no salão 4 de Abril para refletir sobre os acontecimentos de 30 de janeiro.    

Neste dia, segundo a polícia angolana, cerca de 30 pessoas ligadas ao Movimento do Protetorado Português Lunda Tchokwe (MPPLT), que defende autonomia desta região rica em recursos minerais, tentaram invadir uma esquadra policial e, em defesa, as forças de ordem e segurança atingiram mortalmente seis pessoas. Uma versão que é contrariada pelos dirigentes do MPPLT, partidos políticos na oposição e sociedade civil local que falam em mais de 20 mortos.

Abrindo as jornadas organizadas pelo UFOLO - Centro de Estudos para a Boa Governação, em parceria com o Comando Geral da Polícia Nacional, com um discurso centrado na união e apelos à reconciliação, Ernesto Muangala focou-se na defesa da segurança como uma necessidade básica do ser humano e condição essencial para o exercício de direitos. 

Angola Proteste in Luanda

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"Trazemos todos nós marcas nos corações, sulcados pelos conflitos armados", vincou o responsável da Lunda Norte, sublinhando que deve ser desencorajada "a prática de todos os atos que atentem contra a segurança e soberania nacional, contra a Constituição e contra a lei". 

"Angola una e indivisível"

Defendendo uma "Angola una e indivisível", o discurso de Ernesto Muangala contou com aplausos de parte do público presente em alguns momentos, mas gerou também burburinho discordante em alguns momentos, em particular ao falar sobre as receitas dos diamantes, ações do executivo a nível das infraestruturas e as obras na estrada que ligará Cafunfo até à fronteira com a República Democrática do Congo, cujos trabalhos se iniciarão esta quarta-feira (10.03). 

O governador da Lunda Norte afirmou que as reivindicações e pretensões contrárias aos interesses de Angola "nunca terão respaldo no passado histórico nem nas tradições dos angolanos" e falou sobre o desenvolvimento da província, elencando várias obras. 

"Não nos parece justo propalar que o executivo angolano não tenha planificado o desenvolvimento para a nossa província", sublinhou. 

Ernesto Muangala destacou ainda que a mudança só poderá ser feita "com a força do diálogo", visando sobretudo aqueles que fizeram apelo à violência para promover os seus fins, numa alusão ao Movimento Protetorado da Lunda Tchokwe, que o Governo angolano responsabiliza pelo "ato de rebelião" de 30 de janeiro, e cujo líder continua detido.

"Sentimos neste momento dor pelo que aconteceu nestas terras", continuou o governador, apelando à reconciliação, diálogo e luta contra as assimetrias. 

"Não oponhais resistência à reconciliação", enfatizou, dirigindo-se ao povo de Cafunfo presente na sala, afirmando que "é hora de sarar feridas" e abrirem-se à convivência.

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