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Cabo Delgado: HRW exige investigação a morte de pescadores

31 de março de 2026

A organização de defesa dos direitos humanos, Human Rights Watch, exige a abertura de uma investigação independente à morte de, pelo menos, 13 pescadores na ilha de Calunga, em Cabo Delgado.

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À DW, Sheila Nhancale, pesquisadora da Human Rights Watch (HRW), afirma que as averiguações feitas até agora pela organização de defesa dos direitos humanos apontam para o possível envolvimento da Marinha de Guerra de Moçambique na execução dos pescadores, há duas semanas. Por isso, a ONG defende o esclarecimento urgente do caso e a responsabilização dos autores.

Ainda assim, Nhancale manifesta ceticismo quanto à vontade das autoridades moçambicanas em avançar com uma investigação transparente, alegando falta de garantias de imparcialidade. A pesquisadora apela ainda à sociedade civil e aos parceiros internacionais que mantenham a pressão sobre o Governo de Maputo para assegurar a apuração dos factos.

As Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), por sua vez, rejeitam qualquer envolvimento no incidente. As FADM atribuem a responsabilidade aos insurgentes, que, segundo afirmam, estariam vestidos com uniformes militares.

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"O ataque foi perpetrado por insurgentes que usavam fardamento militar para se fazerem passar por forças governamentais", refere um comunicado, citado hoje pela agência noticiosa Lusa. A nota da Marinha de Guerra moçambicana refere ainda que o caso foi esclarecido num encontro com comunidades locais, que contou também com a presença da Polícia moçambicana e da Força de Defesa do Ruanda.

Qual a origem dos uniformes militares?

Mas, também em declarações à DW esta terça-feira, o ativista Abudo Gafuro Mana questionou a origem dos uniformes da Marinha de Guerra que teriam sido utilizados pelos insurgentes, conforme alegam as autoridades: "Como é que os insurgentes conseguem ter acesso ao fardamento das Forças de Defesa de Moçambique? Será que não há desvios dentro da corporação para fornecer este grupo?", questiona.

Gafuro Mana apela à Procuradoria-Geral da República que conduza uma investigação rigorosa para esclarecer os assassinatos, alertando para o risco de o fenómeno se expandir para outras regiões de Cabo Delgado.

Um residente da aldeia de Calungo, em Mocímboa da Praia, relatou à DW um clima de tensão entre a população e os militares estatais: "Quando você se encontra com os militares, fica com o coração na mão. Vale mais a pena encontrar insurgentes do que militares”, afirmou.

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