Brexit: Países europeus preparam-se para o pior | NOTÍCIAS | DW | 17.01.2019
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Brexit: Países europeus preparam-se para o pior

Enquanto se aguarda o anúncio do "plano B" da primeira-ministra britânica, após chumbo do seu acordo no Parlamento, vários países anunciam planos de emergência para saída desordenada do Reino Unido da União Europeia.

Não têm sido dias fáceis para Theresa May: a primeira-ministra britânica começou a semana a ver o seu plano de retirada da União Europeia rejeitado de forma esmagadora no Parlamento, sobreviveu à justa à primeira moção de censura contra um Governo britânico nos últimos 26 anos e enfrenta agora a dura tarefa de tentar encontrar uma solução para o impasse do Brexit.

"O acordo que negociei com a União Europeia foi rejeitado por uma grande margem pelos deputados. Deixaram claro aquilo que não querem, temos de trabalhar juntos para definir o que é que o Parlamento quer", disse May na residência oficial em Downing Street, esta quarta-feira, após a vitória na votação da moção de censura.

A primeira-ministra tem agora até segunda-feira para apresentar um "plano B" para a saída do país do bloco comunitário. A moção terá de ser debatida e votada a 29 de janeiro.

A chefe do executivo encontra-se em reuniões com os líderes dos partidos da oposição, à exceção do dirigente trabalhista, Jeremy Corbyn, que fez saber que não dialogaria com May enquanto esta mantivesse "a catastrófica hipótese" de um Brexit sem acordo.

UE não vai renegociar

UK Misstrauensvotum - Theresa May

Theresa May na Câmara dos Comuns, em Londres.

May poderá tentar voltar a negociar com a União Europeia com vista a novas concessões. Mas Bruxelas continua firme na posição de não renegociar o acordo. Os líderes europeus admitem a possibilidade de adiar o prazo para o Brexit, previsto para 29 de março, para evitar um cenário potencialmente catastrófico: uma saída do Reino Unido sem acordo com o bloco europeu.

Mas vários países já se preparam para o pior. É o caso da Alemanha, onde a Federação das Indústrias já lançou o alerta: uma saída abrupta do Reino Unido da União Europeia poderá destruir as esperanças de crescimento económico.

O Parlamento alemão aprovou uma lei com vista a clarificar a situação legal de cidadãos e empresas nos dois anos após a saída do país da União Europeia, para que os regulamentos europeus continuem a ser aplicados neste período. No entanto, a lei não se aplica na eventualidade de uma saída desregulada.

O ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Heiko Maas, admite que a União Europeia poderá considerar o adiamento do Brexit, mas apenas se o Reino Unido indicar claramente para onde está a ir. Renegociar o acordo está fora de questão.

"Temos de dizer claramente a Londres que o tempo dos ‘joguinhos' chegou ao fim. A bola está do lado do Reino Unido e os responsáveis políticos têm de chegar a acordo", disse Maas no Parlamento alemão, recebendo vários aplausos.

Planos de contingência

Deutschland Bundestag Beschlüsse Bundeswehreinsätze Maas

Heiko Maas no Bundestag, o Parlamento alemão.

O divórcio desorganizado do Reino Unido com o bloco comunitário deixa antever consequências desastrosas para a economia britânica e global, avisam dirigentes políticos dentro e fora do Reino Unido.

Esta quinta-feira, o Fundo Monetário Internacional também deixou o aviso: uma saída sem acordo para uma relação futura com a União Europeia é o maior risco a curto prazo para a economia britânica.

Com este cenário em vista, França lançou esta quinta-feira um plano de emergência. "Decidimos lançar um plano de investimento de 50 milhões de euros para os portos e aeroportos franceses, que serão as áreas mais afectadas pelas mudanças causadas por um ‘hard Brexit'", anunciou o primeiro-ministro francês, Edouard Philippe.

Entretanto, o negociador do Brexit da União Europeia, Michel Barnier, esteve esta quinta-feira em Lisboa para debater o processo com as autoridades portuguesas e sublinhou que o acordo continua a ser "a melhor garantia".

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Brexit: Países europeus preparam-se para o pior

"É verdade que o impasse actual em Londres aumenta o risco de uma saída sem acordo. Temos de ser claros e perceber que ambos os lados terão de tomar medidas de contingência individuais. Mas isso será muito difícil, se não houver acordo", alertou.

Barnier voltou a frisar que a relação futura entre a União Europeia e o Reino Unido, cujas linhas são definidas na declaração política anexa ao acordo de saída, será tão ambiciosa quanto Londres quiser. Na mesma conferência de imprensa, o primeiro-ministro português, António Costa, anunciou que o país aprovou um plano de contingência para garantir a segurança de empresas e cidadãos britânicos a residir no país e vice-versa no caso de uma saída sem acordo.

Diplomatas europeus afirmam que seria possível alargar o período de negociações até à primeira sessão do recém-eleito Parlamento Europeu, em junho. Todos os 27 líderes europeus teriam de aprovar este adiamento – caso Theresa May decida avançar com o pedido.

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