Arranca segunda semana do julgamento dos 17 ativistas angolanos | Angola | DW | 23.11.2015
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Angola

Arranca segunda semana do julgamento dos 17 ativistas angolanos

Julgamento dos 15+2 entra na segunda semana com a continuação do depoimento de Domingos da Cruz e a exibição de um vídeo que alegadamente comprova intenção de rebelião dos jovens ativistas

Num momento em que já la vão seis dias desde o início das audições, somente três arguidos foram interrogados. Nesta segunda-feira (23.11), o julgamento dos 15+2 acusados de planearem atos de rebelião e um golpe de Estado em Angola, foi marcado com a exibição de vídeos gravados durante as sessões de formação dos ativistas.

Arguidos ficam surpresos com os vídeos

Segundo uma fonte dos serviços de investigação criminal que falou em “off” a imprensa, as imagens podem fundamentar as acusações do Ministério Público. Ainda de acordo com a fonte os três réus Domingos da Cruz, Hitler Samussuku e Manuel Nito Alves, ficaram surpresos com as gravações, porque ao que tudo indica os jovens desconhecem a pessoa que teria filmado os encontros.

Angola Medien Prozess Aktivisten in Luanda

Jornalistas na cobertura do julgamento em Luanda

Ainda na manhã desta segunda-feira, a polícia angolana deteve alguns jovens que manifestavam apoio e solidariedade aos 17 arguidos que estão a ser julgados no Tribunal Provincial de Luanda.

Os apoiantes dos 15+2 exibiam cartazes a pedir a liberdade imediata dos ativistas. A detenção foi também confirmada por um oficial da Policia Nacional que não especificou o número de detidos e nem quis dar entrevista aos media no local.

Analistas divergem de opinião

Entretanto, o julgamento que começou na semana passada, continua a dividir opiniões de muitos analistas políticos.

O sociólogo João Paulo Ganga, disse que os jovens estão sofrer pressões de vária ordem.

"Os detidos estão a ser vítimas de uma pressão muito grande. São acordados às tres horas da manhã, um deles já desmaiou porque ficou muito tempo dentro do carro da polícia fora da sala de julgamento, já houve agressões aos detidos, as famílias não conseguem ter acesso ao julgamento, tudo isso é uma situação muito complicada que os jovens estão a viver”.

Por sua vez o jurista Walter Filipe entende que processo está a correr sem sobressaltos. “Pela primeira vez estamos a ter um processo muito mediático mas a ser tratado pelos juízes de uma forma muito cautelosa, muito humana e muito solidária”.

Angola Luanda Medien

Domingos da Cruz

Walter Filipe acredita que os jovens pretendiam concretizar os atos de que são acusados. Para fundamentar a sua tese, Filipe leu um dos trechos do livro "Ferramenta para derrubar um ditador, Filosofia política para libertação de Angola", escrito pelo arguido Domingos da Cruz e afirma que “é necessário termos a ideia de que a resistência ao autoritarismo é pacífica mas não pacifista ao estilo da visão cristã: daão-lhe uma bofetada no lado esquerdo e ele disponibiliza o direito. Não. Quando for necessário dever-se-á atear fogo às instituições e partir lugares simbólicos com vista a bloquear o funcionamento do Estado e da ditadura. Isto é o que Domningos da Cruz inspirado por este livro estava a dar formação, um seminário estratégico aos jovens".

Para João Paulo Ganga, o julgamento dos 15+2 não é justo porque uma parte da opinão pública angolana está a comparar os jovens com terroristas. “Está-se a fazer uma coisa na opinião pública muito má que é comprar o movimento social que é este “movimento revolucionário” com movimentos terroristas. Mas este jovens não são terroristas”, concluiu.

Melhores condições para os jornalistas

Desde o início do julgamento que o Tribunal Provincial de Luanda tem sido alvo de críticas por parte dos jornalistas, por estarem impedidos de assistirem às sessões, mas segundo Rede Angola foi anunciado que iriam ser criadas condições para instalar os profissionais da comunicação social numa sala onde será transmitido em directo o ato judicial.

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