Ébola na RDC: Ataques armados obrigam OMS a interromper apoio médico | NOTÍCIAS | DW | 27.06.2019
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Ébola na RDC: Ataques armados obrigam OMS a interromper apoio médico

A OMS suspendeu nesta quarta-feira (26.06.) a assistência aos doentes de ébola no noroeste da República Democrática do Congo. A decisão foi tomada depois de um ataque contra uma equipa médica. O momento é de apelos.

Agente de saúde é desinfetado num centro de tratamento de ébola na RDC

Agente de saúde é desinfetado num centro de tratamento de ébola na RDC

O controle da epidemia na República Democrática do Congo (RDC) tem sido dificultado pela recusa de algumas comunidades em receber tratamento e pela insegurança na área, onde grupos armados e milícias rebeldes atacaram vários centros de tratamento.

O coordenador da equipa de resposta ao surto do ébola para as províncias de Kivu de norte e Ituri, Michel Yao, disse que a Organização Mundial da Saúde (OMS) tomou a medida para proteger a sua equipa.


Mas Yao garante que "algumas equipas vão continuar a trabalhar no terreno, mas muito reduzida, até que tenhamos garantias de segurança nas comunidades. Por isso, não suspendemos totalmente as atividades, apenas fizemos uma retirada por questões de segurança."

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OMS diz que a suspensão da assistência visa a segurança dos agentes de saúde

Atuação da MONUSCO no contexto do ébola
O surto de ébola no nordeste do país causou, de acordo com um relatório datado de 22 de junho de 2019, mas de 1.506 mortes e os casos de contágio confirmados utrapassam os 2.100.


Perante esta situação de ataques contra equipas humanitárias, o comandante da Missão de Paz das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO), Elias Rodrigues Martins Filho, garante: "Nós temos desdobrado tropas adicionais nas áreas onde esse vírus está sendo combatido."

E os objetivos principais são dois, segundo Filho: "primeiro, proteger os humanitários, porque eles são os líderes nesse processo. Os humanitários que estão lá, vindos do mundo inteiro, estão a conduzir os seus trabalhos, num ambiente operacional difícil, e muitas vezes sofrendo hostilidades da própria população. E, num segundo momento, as nossas tropas estão lá para combater os grupos armados que atuam na área, que, desrespeitando todo esse processo, vêm atacar a própria população e em particular, os próprios humanitários."

O brasileiro comanda mais de 15 mil tropas e 600 observadores militares internacionais que atuam na RDC. Nas zonas mais críticas, nomeadamente em Beni e Butembo, a prioridade máxima da força de paz agora passa a ser o combater epedimia de ébola.

Ouvir o áudio 02:50

Ébola na RDC: Ataques armados obrigam OMS a interromper apoio médico

Apelos

E Elias Filho fala em alguns progressos: "Então, nós temos sido, bastante eficientes na proteção desses [agentes] humanitários, tanto na região de Beni como agora em Butembo, mas é algo que demanda uma atenção muito especial."

E o comandante lembra que "uma crise dessas pode causar muito mais mortes do que os próprios combates que nós estamos a viver na região. E é por isso que nós estabelecemos o suporte à crise do ébola como a nossa prioridade máxima na área da missão."

A socidade civil em conjunto com as autoridades locais lançam apelos aos jovens. Kizito Bin Hangi, presidente das organizações da sociedade civil, lança o repto: "A sociedade civil da cidade de Beni está a pedir aos jovens e a todos os setores da população que não ataquem às equipes de resposta de saúde para que o surto de Ébola não persista na região de Beni."


Este surto - o mais letal na história da RDC e o segundo no Mundo por mortes e casos confirmados após a epidemia na África Ocidental em 2014 - foi declarado em agosto de 2018 nas províncias de Kivu do Norte e Ituri.

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