Candidatos partem para o ataque em debate | Eleições 2018 | DW | 27.09.2018
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Eleições 2018

Candidatos partem para o ataque em debate

No encontro mais ácido desde o início da campanha, Marina e Ciro escolhem Haddad como principal alvo de críticas. Alckmin troca farpas com Meirelles e Boulos. Ausente, Bolsonaro foi poupado.

Debate da Folha de São de Paulo, UOL e SBT reuniu oito candidatos à Presidência

Debate da Folha de São de Paulo, UOL e SBT reuniu oito candidatos à Presidência

A dez dias do primeiro turno, oito candidatos à Presidência protagonizaram no início da noite desta quarta-feira (26/09) o debate mais tenso e ácido da campanha eleitoral. Fernando Haddad (PT), que vem crescendo nas pesquisas, se tornou alvo de críticas de Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede). Geraldo Alckmin (PSDB) trocou farpas com Henrique Meirelles (MDB) e Guilherme Boulos (Psol). Cabo Daciolo (Patriota), por sua vez, que esteve ausente do último debate, provocou risos ao exortar Meirelles a aceitar Jesus. 

Organizado por Folha de S. Paulo, UOL e SBT, o debate não contou com a participação do líder nas pesquisas, Jair Bolsonaro (PSL), que continua internado após sofrer um ataque a faca no início do mês. Ausente, o candidato foi pouco lembrado pelos adversários presentes, que, mais afiados do que em debates anteriores, preferiram trocar ataques entre si e criticar o governo Michel Temer para se cacifar para uma vaga no segundo turno. 

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Esse também foi o segundo encontro entre os presidenciáveis que contou com a participação de Haddad, que assumiu oficialmente a candidatura petista no dia 11 de setembro.

Logo no início do debate, num segmento que previa perguntas entre os candidatos, Boulos provocou Alckmin. O líder dos sem-teto afirmou que a educação em São Paulo piorou durante o governo tucano e emendou com a pergunta: "Cadê o dinheiro da merenda?", em referência a um escândalo de desvios em compra de alimentos para escolas paulistas.

Boulos ainda afirmou que "o sentimento é que o senhor [Alckmin] é um Sérgio Cabral que não está preso". Em resposta, Alckmin disse ser ficha limpa e que nunca invadiu "propriedade de ninguém".

Em seguida, foi a vez do Cabo Daciolo provocar Ciro Gomes, que foi internado brevemente nesta semana por causa de um problema na próstata e passou boa parte do debate sentado. Daciolo aproveitou para devolver uma tirada irônica dita por Ciro ao cabo no primeiro debate eleitoral entre os presidenciáveis, em agosto: "A democracia é uma delícia. Você ficou doente e foi correndo para o Sírio-Libanês. Por que o senhor não foi para o hospital público?".

"Eu sou daqueles poucos que podem pagar plano de saúde e não sou um demagogo para dizer o oposto", respondeu Ciro.

O terceiro embate ocorreu entre Haddad e Marina Silva, que ficaram jogando para o colo do outro a responsabilidade pela "paternidade" do impopular presidente Michel Temer (MDB). Inicialmente, o petista afirmou que a candidata da Rede ajudou a colocar Temer no poder ao apoiar o impeachment. "Temer traiu a Dilma e não conseguiria chegar lá sem a ajuda de vocês", disse Haddad.

Marina devolveu apontando que a escolha de Temer como vice foi do PT. "Engraçado você falar de impeachment depois de pedir bênção ao Renan Calheiros (MDB), que apoiou o impeachment. São dois pesos e duas medidas. O PT faz o discurso dos trabalhadores e leva o país ao buraco com o Temer", acrescentou. 

Haddad também trocou farpas com Ciro Gomes. Quando o ex-governador cearense foi questionado por um jornalista se o seu governo contaria com a presença do PT, Ciro respondeu: "Se puder governar sem o PT, eu prefiro". Segundo ele, o PT se tornou uma "estrutura odienta, que acabou criando o Jair Bolsonaro, essa aberração". O candidato afirmou ainda que o conflito entre PT e Bolsonaro iria levar o país para o "fundo do poço".

Ciro disse também que pretende "destruir" o MDB de Temer. "No meu governo, o MDB será destruído pelas vias democráticas." Ele, no entanto, fez a ressalva de que considera existir alguns bons nomes no partido, como o senador Roberto Requião. Haddad não gostou do comentário de Ciro sobre o PT e lembrou que o ex-governador o convidou para ser o vice na sua chapa. "Ele chamava esta chapa de dream team", ressaltou o petista.

Outros embates

Outro embate ocorreu entre Alckmin e Meirelles. O ex-ministro da Fazenda disse ao tucano que "suas linhas do metrô demoraram 20 anos para ficar prontas" e emendou com a pergunta: "Esse é o tipo de eficiência que você pretende levar para Brasília?". Na réplica, Meirelles elogiou a sua própria gestão à frente da Fazenda.

Alckmin então aproveitou para criticar a gestão do ex-ministro. "Alguma coisa deu errado. O país não vai crescer o que deveria, estamos com 13 milhões de desempregados", disse.

Meirelles ainda teve uma curiosa disputa com Cabo Daciolo. O candidato do Patriota afirmou acreditar que o ex-ministro e os banqueiros ainda vão "aceitar o senhor Jesus", provocando risos de outros candidatos. Meirelles respondeu "nunca fui banqueiro, fui bancário", o que gerou mais risos, dessa vez da plateia.

Durante uma troca de perguntas com Boulos, Daciolo ainda aproveitou o tempo para mandar uma declaração de amor para sua mãe. "Te amo, mãe. Te amo, varoa!", disse.

"Daciolo, a gente já estava com saudade de você aqui no debate", respondeu Boulos.

Alvaro Dias (Podemos), por sua vez, também atacou Haddad e chamou o petista de "representante do preso em Curitiba". O senador paranaense ainda chamou o PT de "organização criminosa" e recordou a morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel.

Mulheres

Além das trocas de farpas em busca de votos, o debate também foi marcado por falas dos candidatos dirigidas ao eleitorado feminino, motivadas pela alta rejeição que o líder Bolsonaro enfrenta por essa parcela da população. 

Ciro disse que metade dos ministérios num eventual governo seu será ocupada por mulheres. Marina lembrou que é a única candidata mulher entre os principais postulantes ao Planalto. "Temos aqui sete homens e uma mulher pobre, humilde, disputando com eles. Espero, contando com o seu voto, estar no segundo turno. Quero provar que uma mulher de origem humilde pode governar, sim, o Brasil", disse. Daciolo, por sua vez, mandou um recado mais explícito: "Mulheres brasileiras, amo vocês".

O debate ocorreu pouco depois da divulgação de uma nova pesquisa Ibope, que apontou que Bolsonaro segue na liderança, mas estagnado com 27%. Haddad apareceu em segundo, com 21%. Ciro e Alckmin apareceram estacionados com 12% e 8%, respectivamente. Marina, por sua vez, está em quinto lugar, com 6%.

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