RENAMO: Momade atribui conflitos internos a ″desertores indisciplinados″ | Moçambique | DW | 02.08.2019
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Moçambique

RENAMO: Momade atribui conflitos internos a "desertores indisciplinados"

O líder da RENAMO considera que as contestações à sua liderança resultam da ação de um "grupo de desertores indisciplinados". E destaca a importância da paz, após ter acordado com o Governo o fim das hostilidades.

Ossufo Momade, líder da RENAMO

Ossufo Momade, líder da RENAMO

"Quando fomos ao congresso, abrimos espaço para que todos se candidatassem. O congresso elegeu Ossufo Momade. Não é através de um grupo de desertores indisciplinados que vamos definir a nossa linha", disse Ossufo Momade, falando à imprensa na noite de quinta-feira (01.08), momentos após aterrar no Aeroporto Internacional de Maputo, onde foi recebido por centenas de membros do partido, após a assinatura do acordo de paz, mais cedo, na Gorongosa.

Em causa estão as contestações de um grupo liderado pelo major-general da Resistência Nacionao Moçambicana (RENAMO) Mariano Nhungue e que se autodenomina Junta Militar da RENAMO.

O grupo exige a renúncia de Ossufo Momade, acusando-o de estar a "raptar e isolar" oficiais do partido que estiveram sempre ao lado do falecido presidente do partido, Afonso Dhlakama, que morreu a 3 de maio do ano passado.

"Grupo de indisciplinados"

Para Ossufo Momade, a RENAMO tem os seus estatutos e uma estrutura política em funcionamento, mecanismos que devem orientar as pessoas que têm opiniões diferentes. "É um grupo de indisciplinados", frisou o presidente da RENAMO, acrescentando que "o mais importante agora é paz".

Friedensvertrag Mosambik

Filipe Nyusi (esq.) e Ossufo Momade (dir.) assinaram o acordo de paz na Gorongosa

Ossufo Momade, que vivia numa das principais bases da RENAMO nas matas da Gorongosa desde junho de 2018, ainda como líder interino, após a morte de Afonso Dhlakama, garantiu também que caso o acordo seja cumprido não vai voltar às matas.

"Eu vim para cá [a Maputo] por causa de um compromisso que assumi com os moçambicanos e se esse acordo for cumprido eu não volto", acrescentou o líder da maior força política da oposição moçambicana, que foi eleito presidente no último congresso do partido em janeiro.

Ataque no centro do país

Questionado sobre um ataque na quarta-feira contra um autocarro de passageiros e um camião em Nhamapadza, a 200 quilómetros do distrito de Gorongosa, onde foi assinado o acordo, Ossufo Momade não quis comentar.

O ataque ocorreu algumas horas após o Presidente moçambicano ter anunciado no parlamento a assinatura do acordo de cessação das hostilidades militares com o líder da RENAMO.

Nas últimas semanas, um grupo de guerrilheiros do braço armado do principal partido da oposição alertou o Governo para a continuação da instabilidade militar no país, caso assinasse o acordo de cessação das hostilidades militares com Ossufo Momade, exigindo a renúncia deste do cargo de presidente da RENAMO.

O acordo hoje assinado na serra da Gorongosa marca, formalmente, o fim dos confrontos entre as forças governamentais e o braço armado do principal partido da oposição. As partes vão ainda assinar este mês um outro acordo geral de paz final, que será depois submetido como proposta de lei ao parlamento.

Leia mais