Quénia: Jornalista da DW atacada por polícias em protesto em Nairobi | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 02.05.2021

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Internacional

Quénia: Jornalista da DW atacada por polícias em protesto em Nairobi

A polícia disparou gás lacrimogéneo contra a correspondente da DW na África Oriental, Mariel Müller, enquanto ela cobria um protesto em Nairobi. AI e Associação de Imprensa Estrangeira de África condenaram ataque.

Kenia Protestmarsch in Nairobi | DW-Korrespondentin Mariel Müller

Equipa da DW estava a cobrir os protestos em Nairobi

A correspondente da DW na África Oriental foi atacada pela polícia enquanto cobria as manifestações pacíficas contra a brutalidade policial e as medidas de encerramento em prevenção ao coronavírus no centro de Nairobi, no sábado (01.05).

As autoridades quenianas dispararam projéteis de gás lacrimogéneo contra Mariel Müller. Um dos disparos feriu a perna da jornalista, no momento em que ela conduzia uma entrevista.

"Acabou de me alvejar"

Cerca de 40 manifestantes reuniram-se para manifestar a sua oposição às restrições impostas devido à Covid-19 e ao seu impacto económico sobre as comunidades mais pobres. Os manifestantes tiveram o cuidado de aderir às regras de distanciamento social "para não enfurecer a polícia", disse Müller à DW.

"A polícia estava lá e observou a primeira parte [do protesto] e depois acabou por começar a disparar gás lacrimogéneo", disse ela.

A primeira vez que Müller foi atingida, foi apanhada de raspão quando a polícia começou a lançar gás lacrimogéneo na direção dos manifestantes e repórteres, relatou.

A polícia avançou com bastonetes e deteve vários manifestantes.

Passado algum tempo, "parecia que a situação se tinha acalmado", disse Müller. Ela e a equipa de filmagem passaram para os bastidores da manifestação e começaram a entrevistar uma mulher que participava no protesto.

"Reparámos que algo estava a acontecer. Mas já era demasiado tarde – foi disparado gás lacrimogéneo. Reparei que a minha perna começou a doer e que tinha sido atingida ali", disse ela.

O projétil partiu de um lançador de gás lacrimogéneo.

"Não é como se eles simplesmente atirassem [o projétil] e depois está no chão e rola para algum lugar, mas é realmente uma arma", disse ela. "Eles carregam a arma com estes pequenos projéteis de prata".

Müller acrescentou que a polícia parecia estar a apontar propositadamente para ela e para a equipa de filmagem.

Em seguida, ela abordou as autoridades, dizendo ao oficial que tinha disparado: "Acabou de me alvejar, me acertou na perna".

O oficial negou e foi-se embora, "mas ele sabia exatamente o que tinha acontecido", disse Müller.

Intendant Peter Limbourg, Pressebild.

Peter Limbourg

DW condena ataque

O diretor-geral da DW, Peter Limbourg, condenou veementemente o ataque e apelou a uma investigação.

"Condenamos este ato de violência policial. Qualquer ataque contra os média deve ser investigado e levar a consequências", disse ele.

A editora-chefe da DW, Manuela Kasper-Claridge, considerou o ataque "absolutamente inaceitável", acrescentando que "a liberdade de imprensa tem de ser protegida".

A representação da Amnistia Internacional no Quénia também apelou às autoridades para que iniciassem uma investigação e criticou "o ataque brutal contra jornalistas e manifestantes" em Nairobi.

A Associação de Imprensa Estrangeira de África criticou as ações do polícia que "deliberadamente" disparou contra Müller.

"Nenhum jornalista deveria ser prejudicado enquanto faz o seu trabalho", criticou também a Associação de Correspondentes Estrangeiros da África Oriental.

Jornalistas cada vez mais visados

Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) publicado em setembro revelou que os jornalistas "têm sido cada vez mais atacados, presos e até mortos" enquanto cobrem protestos.

O relatório também revelou uma "tendência ascendente mais ampla" no uso da força pelas forças de segurança e pela polícia em manifestações.

De acordo com os Repórteres Sem Fronteiras, 54 trabalhadores dos média foram mortos em 2020.

"Pandemia tornou-se justificação para atacar liberdade de imprensa"

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