Portugal investiga queixa de Ana Gomes contra Isabel dos Santos | Angola | DW | 10.01.2020
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Angola

Portugal investiga queixa de Ana Gomes contra Isabel dos Santos

A ex-eurodeputada socialista Ana Gomes entregou uma queixa à Procuradoria-Geral da República portuguesa que visa as operações financeiras da empresária angolana Isabel dos Santos e que está a ser investigada pelo DCIAP.

Empresária angolana Isabel dos Santos

Empresária angolana Isabel dos Santos

A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou à agência Lusa a receção da queixa de Ana Gomes, dizendo que a mesma foi remetida pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

Segundo o Jornal Económico, a queixa da antiga eurodeputada, que já tinha dito publicamente que iria apresentar novos elementos à PGR sobre os negócios de Isabel dos Santos, a denúncia foi também entregue à diretora-geral da Autoridade Tributária (AT).

Segundo Ana Gomes, a quem a filha do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos apresentou uma queixa por ofensa ao bom nome e reputação, ainda sem decisão, a empresária Isabel dos Santos e "outros cleptocratas angolanos" utilizam a banca portuguesa para "branquear" fundos desviados de Angola, em prejuízo do povo angolano.

Polen Portugal Europaabgeordnete Ana Gomes

Ex-eurodeputada portuguesa, Ana Gomes

"Mantenho tudo aquilo que disse"

Em entrevista em novembro à Lusa, a ex-eurodeputada disse que iria apresentar na Justiça "todos os elementos" que possui, envolvendo as dúvidas que tem lançado à origem dos investimentos da empresária angolana Isabel dos Santos.

"Eu mantenho tudo aquilo que disse. E disse que tenho fornecido a várias instâncias, europeias e nacionais, muita informação que deveria levar a questionar a idoneidade da senhora dona Isabel dos Santos", afirmou, na entrevista à Lusa.

Em causa estão os processos sobre a compra da empresa portuguesa Efacec, transferências feitas para o Dubai por parte da Sonangol, e a origem dos fundos para pagar a bancos de direito português relacionados com a joalharia suíça De Grisogno, adquirida com o marido, Sindika Dokolo.

No caso da empresa portuguesa, em causa está a origem dos fundos utilizados na aquisição, com fundos de Malta, com ligações à Empresa Nacional de Distribuição de Eletricidade (ENDE) de Angola.

As transferências da Sonangol, que foi administrada pela empresária, são também objeto de investigações em Angola.

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Estado angolano vs. Isabel dos Santos: Um processo que se adivinha longo

"Não estou nada preocupada" com Isabel dos Santos

As participações nas empresas angolanas que suportam a compra da joalharia De Grisogno foram já arrestadas pela Justiça de Angola por alegadas irregularidades, depois de o empresário Sindica Dokolo ter acusado a empresa estatal de diamantes de estar a tentar destruir a marca suíça.

No final de 2019, já após a entrega da queixa por parte de Ana Gomes, um tribunal angolano decretou o arresto preventivo de contas bancárias pessoais da empresária angolana Isabel dos Santos, de Sindika Dokolo e Mário da Silva, além de nove empresas nas quais detêm participações sociais.

Uma das origens deste processo está a aquisição da marca de joalharia. 

Na entrevista à Lusa, Ana Gomes criticou a falta de ação das autoridades portuguesas em relação a Isabel dos Santos. 

"Eu não estou nada preocupada com a senhora engenheira Isabel dos Santos. Eu estou, e desde há muito tempo, é preocupada com as facilidades e as cumplicidades que a senhora engenheira encontrou para investir em Portugal", com "dinheiro que obviamente pertencia, pertence, ao povo angolano", disse.

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