ONG moçambicana acusa órgão eleitoral de manipulação do recenseamento | Moçambique | DW | 03.06.2019
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Moçambique

ONG moçambicana acusa órgão eleitoral de manipulação do recenseamento

ONG moçambicana "Ação Desenvolvimento e Sociedade" acusa o STAE de uma manipulação que excluiu milhares de eleitores nas regiões onde a oposição normalmente consegue bons resultados eleitorais.

Mosambik, Nampula: Station von Wählerregistrierung in Nampula (DW/S. Lutxeque)

Posto de recenseamento em Nampula

A organização da sociedade civil moçambicana, Ação Desenvolvimento e Sociedade (ADS) acusou o Secretário Técnico de Administração Eleitoral (STAE) de uma manipulação que excluiu cerca de 700 mil eleitores nas regiões onde a oposição normalmente consegue bons resultados eleitorais.

Numa análise que divulgou esta segunda-feira (03.06), a ADS acusa o STAE de ter acrescentado mais de 400 mil eleitores fora da previsão real na província de Gaza, sul do país, que sempre deu vitória à Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), partido no poder.

"O que as projeções mostram é a exclusão do registo eleitoral, de cerca de 700 mil pessoas, com mais de 18 anos, nas zonas centro e norte, com particular destaque para a província da Zambézia, com mais de 400 mil eleitores", lê-se no texto.

De acordo com a ADS, o STAE mostrou maior empenho em recensear mais eleitores nas províncias dominadas pela FRELIMO e menor esforço nas províncias onde esta formação política goza de menor simpatia do eleitorado.

Recenseamento de menores

Aquela organização da sociedade civil acusa ainda o STAE de ter permitido o recenseamento de menores sem idade eleitoral e de estrangeiros na província de Gaza, para dar lugar a inflação do universo de eleitores a favor do partido no poder.

A ADS cita o demógrafo e economista moçambicano António Francisco a afirmar que 50% da população moçambicana tem menos de 17 anos de idade, o que deveria influenciar o número de pessoas em idade eleitoral.

Auditoria ao registo eleitoral

Também numa avaliação ao recenseamento eleitoral, o Instituto Eleitoral da África Austral (EISA), da sociedade civil, defendeu também esta segunda-feira uma auditoria ao registo eleitoral, assinalando que a operação foi marcada por irregularidades.

"O nível de desconfiança dos atores políticos sobre a credibilidade dos dados deste recenseamento, dado o número de problemas registados, é muito maior e precisa de um tratamento especial antes do dia da votação, para reduzir o possível impacto eleitoral e pós-eleitoral", lê-se na avaliação.

Dados fabricados

De acordo com o EISA, na maioria dos postos de recenseamento, as impressoras encravavam, porque eram incompatíveis com a qualidade de papel usado e muitos dados do recenseamento foram "fabricados".

O recenseamento para as eleições gerais de 15 de outubro em Moçambique terminou no dia 30 de maio e até ao dia 26 desse mês tinham sido recenseados 73% do total de eleitores previstos. O STAE fixou como meta o registo de sete milhões de eleitores, numa operação que se iniciou a 15 de abril e durou 45 dias.

A operação abrangeu novos potenciais eleitores que completam 18 anos este ano, votantes que tenham perdido o cartão de eleitor e os que não se recensearam em 2018, para as eleições autárquicas de 10 de outubro, por viverem fora de áreas não municipalizadas.

Os eleitores registados na operação vão juntar-se aos cerca de seis milhões de eleitores inscritos para as eleições autárquicas do ano passado.

A Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) acusou o Governo da FRELIMO de estar a organizar "manobras dilatórias" no recenseamento para vencer as eleições gerais, exigindo a demissão do diretor-geral do STAE.

As eleições gerais - legislativas, presidenciais e provinciais - estão marcadas para 15 de outubro, marcando assim o término do ciclo eleitoral 2018/2019, que começou com as eleições autárquicas a 10 de outubro do ano passado.

 

Leia mais