O legado de Obama em África | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 20.01.2017

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Internacional

O legado de Obama em África

África jubilou quando, em 2008, Barack Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos. Agora que está de saída da Casa Branca é hora de fazer um balanço das políticas de Obama para África.

Multidões em êxtase encheram as ruas de Accra, capital do Gana, durante a primeira visita de Barack Obama ao continente africano como Presidente dos Estados Unidos, em 2009. No Parlamento, o Presidente norte-americano, filho de pai queniano, lembrou as suas raízes. Obama pediu aos africanos que tomassem as rédeas do seu destino, eliminassem a corrupção e exigissem responsabilidade aos seus líderes.

Avisos vão perdurar

Para Alex Vines, que dirige o programa africano no instituto de pesquisa britânico Chatham House, este foi "um discurso muito influente naquele momento particular”.

"Alguns desses pensamentos e avisos vão perdurar, mesmo que neste momento não estejam tão em voga”, acrescenta Vines.

O entusiasmo não abrandou. Barack Obama continuou a arrastar grandes multidões nas visitas que se seguiram ao continente. Ainda assim, muitos africanos estão desiludidos com o seu desempenho. Sentem que Obama não cumpriu muitas das promessas que fez nos seus discursos.

Obama in Ghana Rede im Parlament

Barack Obama, no Parlamento em Accra, capital do Gana (2009)

O analista político queniano Martin Oloo relativiza: "De zero a dez, dou-lhe um seis. Seis, porque ele percebeu os problemas de África”. O analista considera ainda que o Presidente americano esteve também "constrangido” por outras questões do continente, como "a falta de prestação de contas, a má governação e os desafios da liderança”. "Uma liderança que não é recetiva”, acrescenta Oloo.

Mais atenção para África depois de 2012

Com uma crise económica latente nos Estados Unidos, o aumento do desemprego e os focos de problemas externos como as guerras no Afeganistão e no Iraque, Barack Obama nem sempre teve tempo para África nos primeiros anos de governação. Mais tarde, tentou redimir-se.

Äthiopien Addis Abeba Obama Rede Afrikanische Union

Obama a discursar na sede da União Africana em Adis Abeba (Etiópia) (2015)

Em 2012, lançou uma nova estratégia africana, classificando o continente como uma potencial história de sucesso económico. Um ano depois, foi ao Senegal, à África do Sul e à Tanzânia. Em 2015, visitou finalmente o Quénia, a terra do seu pai. Foi também o primeiro Presidente dos Estados Unidos a discursar na União Africana.

Durante este período, o Governo norte-americano enviou também forças especiais a África em busca do "senhor da guerra” ugandês Joseph Kony. Destacam-se também as intervenções na crise do Sudão, especialmente para salvar o referendo à independência do Sudão do Sul, em 2011.

Obama foi igualmente alvo de críticas por parte das organizações de defesa dos direitos humanos, condenando a cooperação dos serviços secretos norte-americanos com países como o Sudão e a Etiópia. Ao mesmo tempo, continuou a levar a cabo ataques com drones contra alegados extremistas islâmicos na Somália, tal como o seu antecessor, George W. Bush.

Cimeira Estados Unidos - África

USA-Afrika-Gipfel in Washington

Presidentes Obama (EUA), Yayi Boni (Benin) (centro) e Kikwete (Tanzânia) (2014)

Em agosto de 2014, Barack Obama foi anfitrião da primeira cimeira Estados Unidos-África que juntou cerca de 50 líderes africanos em Washington. Na ocasião, o líder norte-americano enalteceu África como um continente de oportunidades e anunciou um pacote de investimento de 31 mil milhões de euros. Este foi, defende Alex Vines, um sinal de viragem.

"Este apoio foi uma mudança do foco da política norte-americana, do humanitarismo e do contraterrorismo para o ênfase em África como um continente do futuro, mas também de comércio e crescimento”, afirma.

Para Vines, é clara a parte do legado de Obama que será lembrada em África: o comércio, mais do que o apoio ou a segurança.

*Artigo publicado a 17 de janeiro, atualizado a 20.01.2017

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