Nigéria: Boko Haram reivindica rapto de centenas de estudantes | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 15.12.2020

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Internacional

Nigéria: Boko Haram reivindica rapto de centenas de estudantes

Os jihadistas assumiram a autoria do ataque a um liceu que resultou no desaparecimento de mais de 300 alunos. Autoridades dizem que conhecem o paradeiro dos jovens. Secretário-geral da ONU apela à "libertação imediata".

O chefe do grupo extremista Boko Haram, Abubakar Shekau, reivindicou esta terça-feira (15.12) o rapto de centenas de estudantes de um liceu no noroeste da Nigéria.

"Sou Abubakar Shekau e os nossos irmãos organizaram o rapto em Katsina", anunciou o chefe do Boko Haram, que também foi responsável pelo rapto de 276 raparigas, em Chibok, em 2014, desencadeando uma onda de indignação mundial.  

Pelo menos 333 adolescentes continuam dados como desaparecidos desde o ataque à escola secundária na madrugada do último sábado (12.12), no estado de Katsina, a centenas de quilómetros de distância do território do Boko Haram, que opera habitualmente no nordeste do país, em torno do Lago Chade. 

Mais de uma centena de homens armados em motorizadas atacaram a escola rural situada na localidade de Kankara, levando centenas de alunos a fugir. Inicialmente, o rapto tinha sido atribuído a grupos armados, denominados "bandidos", que aterrorizam as populações nesta região instável onde os sequestros com resgate se tornaram recorrentes. 

"Por favor, ajudem a salvar o meu filho!”

Inconformados, centenas de pais dos jovens raptados foram às ruas esta segunda-feira, (14.12) para exigir ao Governo da Nigéria que traga as suas crianças de volta à casa sãs e salvas.

Nigeria Katsina | Kankara | Angriff auf Schule

Escola Secundária em Kankara

"Por favor, ajudem a salvar o meu filho. Queremos os nossos filhos de volta", apelou Umma Haruna Bakori.

Também Tijjani Mustapha Barde, pai de um dos estudantes raptados, pediu ao Governo para não permitir que a situação chegue ao confronto e troca de tiros, o que poderá conduzir à morte dos seus filhos.

Não se sabe ainda qual o número exato de estudantes que se encontram nas mãos dos atacantes. De acordo com o registo da escola, 668 alunos estão desaparecidos. Entretanto, o governador do estado de Katsina, Aminu Bello Masari, fala em 333 alunos raptados.

"Estamos a investigar junto dos pais quantos dos alunos fugiram para a floresta com o objetivo de apurar os números reais dos alunos que foram raptados", explicou.

Operação em curso 

Esta segunda-feira, o gabinete do Presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, fez saber que o Governo está em contato com os raptores e a negociar a libertação dos jovens. Também o Ministro da Defesa, Salihi Magashi, confirmou que já está em curso uma operação depois de as agências de segurança da Nigéria terem localizado o paradeiro dos jovens.

"A operação já está em curso. Agora são necessárias orações para que não haja danos colaterais no caso de termos de ser mais hostis", salientou o ministro.

Nigeria Präsident Mohammadu Buhari

Mohammadu Buhari, Presidente da Nigéria

O Presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, condenou o ataque e ordenou o reforço da segurança em todas as escolas. No estado de Katsina, os estabelecimentos escolares foram fechados. 

Também organizações internacionais, como a UNICEF, Save the Children e as Nações Unidas já condenaram veemente o sucedido e apelaram à libertação dos estudantes. Nas redes sociais, o hashtag #BringBackOurBoys (Tragam de volta os nossos rapazes) está a ser massivamente partilhado. Os internautas exigem ação por parte do Presidente Buhari.

Esta não é a primeira vez uma escola no noroeste da Nigéria sofre este tipo de ataque, normalmente associado ao grupo 'jihadista' Boko Haram e à sua fação separatista, o Estado Islâmico da África Ocidental (ISWAP). Um dos casos mais conhecidos ocorreu em 2014 em Chibok, no Estado de Borno, onde mais de 270 alunas foram raptadas de um dormitório da Escola Secundária do Governo. Destas, cerca de 100 raparigas continuam ainda hoje desaparecidas.

Assistir ao vídeo 02:40

Boko Haram: Rapto de raparigas de Chibok foi há cinco anos

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