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Moçambique: INGD reforça alertas para ciclone Gezani

Katja Sterzik
12 de fevereiro de 2026

Moçambique prepara-se para a aproximação do ciclone Gezani, que já causou estragos em Madagáscar. O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres reforça a prevenção e alerta as comunidades vulneráveis.

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Imagem de satélite do ciclone Gezani ao atingir a costa leste de Madagáscar
O ciclone Gezani atingiu a costa leste de Madagáscar e fez mais de 30 mortosFoto: EUMETSAT/AP Photo/picture alliance

Moçambique volta a estar em alerta devido à aproximação do ciclone tropical Gezani, que atingiu na noite de terça-feira Madagáscar, tendo feito mais de 30 mortos. As autoridades malgaxes falam de "uma catástrofe" que destruiu cerca de 75% de Toamasina, a segunda maior cidade do país.

Espera-se que atinja Moçambique com menos intensidade. Ainda assim, são esperados ventos até 140 quilómetros por hora e chuvas intensas. Depois das cheias de janeiro, que afetaram centenas de milhares de pessoas, as autoridades intensificam agora as ações de preparação e de resposta para reduzir o impacto de mais um evento extremo.

Em entrevista à DW África, Rita Almeida, diretora de planificação e cooperação do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), explica que medidas já estão a ser implementadas no terreno, que lições foram retiradas das cheias recentes e como as populações mais vulneráveis podem proteger-se.

DW África: Que medidas é que o INGD está a implementar para preparar as comunidades e as autoridades locais para a aproximação da tempestade e do possível ciclone Gezani?

Rita Almeida (RA):  De facto, nós já estamos no terreno a implementar as medidas. Gostava de referir que não é apenas o INGD que está a implementar estas medidas, mas é todo o Conselho Técnico de Gestão e Redução do Risco de Desastres.

Neste momento, grande parte do trabalho está a ser feito pelos governos locais, em coordenação com os comités locais de gestão e redução do risco de desastres. A maior preocupação, até agora, é a província de Inhambane, sendo que já estão equipas a deslocar-se para lá para reforçar as medidas preventivas.

Radar DW: Como lidar melhor com as cheias em Moçambique?

DW África: E que medidas em concreto é que estão a tomar?

RA: Neste momento a divulgação massiva dos avisos e alertas é uma das medidas. Por outro lado, também estamos a posicionar bens em locais estratégicos, para fazermos uma possível resposta caso seja necessário. Estamos a verificar as condições dos centros de acomodação e a informar as pessoas para que, caso não tenham condições para ficar nas suas casas, procurem estes mesmos centros.

Há uma mensagem importante também, que estamos neste momento a passar, que é sobre a navegação marítima. A orientação é que a mesma seja interrompida, desde já, porque as condições já não estão favoráveis.

DW África: Tendo em conta o impacto das cheias de janeiro, que medidas foram ajustadas para garantir que comunidades e autoridades estejam melhor preparadas para enfrentar novos desastres?

RA: Uma das lições principais que nós trazemos do processo de gestão, das cheias e inundações que ocorreram no nosso país, é que, efetivamente, nós temos que potenciar o sistema de aviso prévio. Verificámos que, quando a informação chega às comunidades de forma atempada e clara, as pessoas seguem as orientações e cumprem as recomendações das autoridades.

É verdade que nós estamos a falar de fenómenos diferentes. Por exemplo, no caso dos centros de acomodação, para uma situação de ciclones não é recomendável a montagem de tendas, sobretudo naquele raio de grande influência dos ventos. Então, teremos que encontrar alternativas para acomodar as pessoas e informá-las.

Inundações devastam sul de África com centenas de mortos

DW África: Como é que as pessoas que vivem em províncias já vulneráveis devido às cheias, como Gaza, se podem proteger e garantir a sua segurança durante este período?

RA: Para o caso das zonas tiveram problemas recentes, há famílias ainda não retornaram ou que eventualmente podem ter retornado, mas ainda continuam num nível de vulnerabilidade muito alto devido ao impacto das inundações. O alerta que estamos a emitir é que, se considerarem que as suas casas não estão confortáveis, devem procurar apoio das autoridades locais e localizar os centros de acomodação temporária. 

Também recomendamos que, quando possível, é necessário reforçar os tetos das casas, as janelas e também as portas. É igualmente fundamental preparar um kit básico de emergência, com alimentos, água, fósforos e medicamentos, e procurar proteger, tanto quanto possível, os bens e pertences da família.

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