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Angola Luanda José Mateus Zecamutchima
José Zecamutchima, líder do Movimento Lunda TchokweFoto: DW/N. Sul d'Angola

Angola: Movimento Lunda Tchokwé quer levar Governo ao TPI

8 de fevereiro de 2022

Passa um ano desde a detenção de José Zecamutchima, líder do movimento. Companheiros denunciam maus tratos na prisão e acusam a Justiça de ser manietada pelo regime. Falam ainda em intimidações nas Lundas.

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O Movimento do Protetorado Português Lunda Tchokwe (MPPLT) quer levar os governantes angolanos ao Tribunal Penal Internacional (TPI) para serem julgados pelos acontecimentos de janeiro do ano passado, em Cafunfo.

Segundo dados oficiais, seis pessoas foram mortas no incidente, mas a sociedade civil fala num massacre de uma centena de pessoas.

Em entrevista à DW África, o presidente interino do movimento, Mário Catapi, pede ajuda à comunidade internacional para se fazer justiça. Denuncia ainda que os críticos do Governo de Angola continuam a ser perseguidos na Lunda Norte.

O líder do movimento, José Mateus Zecamutchima, e outros membros do MPPLT estão detidos há precisamente um ano, na sequência dos acontecimentos de Cafunfo.

DW África: O que mudou no MPPLT desde a detenção de Zecamutchima?

Mário Catapi (MC): Nada mudou. Continuamos até aqui a ser escorraçados pelo regime. Temos um Governo colono, continua a perseguir as pessoas. As matanças lá nas Lundas continuam, mesmo com a detenção dos nossos companheiros, como o presidente Zecamutchima. Nada mudou.

Angola Proteste in Luanda
Manifestação por justiça em Cafunfo em Luanda, fevereiro de 2021Foto: Borralho Ndomba/DW

DW África: Qual é a situação em Cafunfo hoje em dia, mais de um ano depois do incidente?

MC: Estive na Lunda Sul no domingo passado e passei por Cafunfo, quando iniciou o julgamento do presidente Zecamutchima e outros companheiros, e as forças do Governo montaram mais controlos. A população continua a ser intimidada, não há liberdade de circulação de pessoas e bens. Continua até hoje uma situação de 'caça ao homem'.

DW África: Como é que o movimento vê o julgamento de Zecamutchima e dos demais arguidos?

MC: É um julgamento muito cruel, à porta fechada, em que não são permitidas testemunhas oculares, que viram o que aconteceu. Nós condenamos esse julgamento, porque ali está o presidente Zecamutchima, os outros companheiros [acusados], e os advogados de defesa, mas não bastava. O próprio juiz e os que estão lá a fazer justiça são do regime. Logo, não consideramos [este julgamento] e continuamos a sofrer.

DW África: O julgamento foi adiado esta semana, mas a defesa acredita que a sentença poderá ser ditada daqui a alguns dias... O que esperar deste processo?

MC: A saída do nossos companheiros, porque é uma injustiça. Eles estão ali... É o mesmo regime que nos massacrou, que nos mutilou, e até aqui continua. Não há motivo para os nossos companheiros continuarem na cadeia, sem a visita dos seus familiares. Achamos que há uma grave violação, esperamos que os nossos companheiros saiam da cadeia.

Angola Proteste in Luanda
A polícia é acusada de uso excessivo de força em CafunfoFoto: Borralho Ndomba/DW

DW África: O movimento tem informações sobre o estado de saúde do seu líder, Zecamutchima?

MC: O Zecamutchima não está de boa saúde e nós estamos a acompanhar. [Não interessa quem pede:] ninguém consegue ir até onde ele está, mas nós estamos a acompanhar. O estado de saúde dele é débil. E não é só Zecamutchima, os outros companheiros também. Já morreram cinco deles por falta de medicamentos, de comida e de bom tratamento.

DW África: Quais os planos do Movimento do Protetorado daqui para frente?

MC: É levar [o caso] em viva voz para a comunidade internacional, porque o Governo de Angola jamais nos poderá ouvir, mas ele é que é o matador.

Nada temos a esperar do Governo de Angola. O nosso plano é levar [o caso] para o Tribunal Internacional de Haia porque o Governo de Angola nos mata. Mas também queria pedir à comunidade internacional que nos ajude nesse sentido, porque o Governo é membro da ONU e não pode massacrar o povo, um povo indefeso. Essa mortalidade todo o santo dia não se justifica.

Thiago Melo Jornalista da DW África em Bona
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