Morte de ministro zimbabueano por Covid-19 gera ressentimento nas redes sociais | NOTÍCIAS | DW | 31.07.2020
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NOTÍCIAS

Morte de ministro zimbabueano por Covid-19 gera ressentimento nas redes sociais

Apesar do lamento oficial do Presidente Mnangagwa, morte de ministro da Agricultura por Covid-19 gera ressentimento nas redes sociais. Perrance Shiri é conhecido como o "arquiteto" da famigerada operação "Gukurahundi".

O Presidente do Zimbabué, Emmerson Mnangagwa, confirmou esta quinta-feira (30.07) que o ministro da Agricultura Perrance Shiri morreu de Covid-19. Trata-se do mais alto funcionário do Governo zimbabueano a morrer pela doença provocada pelo novo coronavírus, que infetou quase 2,3 mil pessoas no país.

Shiri faleceu aos 65 anos na quarta-feira (29.07), mas a família levantou a hipótese de a morte ter ocorrido por outros motivos. Mnangagwa fez a declaração na residência do general reformado, que foi comandante da Força Aérea do país.

"Agora confirma-se que o ministro Shiri morreu de Covid 19. Nós seguiremos as orientações da Organização Mundial de Saúde sobre a forma como o funeral deverá ser realizado amanhã no Acre dos Heróis Nacionais para descansar como nosso herói", disse Mnangagwa.

Shiri está entre as personalidades da União Nacional Africana do Zimbabué - Frente Patriótica (Zanu-PF) que ajudou a depor o presidente Robert Mugabe numa intervenção militar em novembro de 2017.

"Era um verdadeiro patriota, que dedicou a sua vida à libertação, à independência e a serviço do seu país", disse o Presidente em comunicado.

"Celebração" nas redes

Alguns usuários das redes sociais zimbabueanos celebraram a morte de Shiri. E haveria uma razão forte para tanto ressentimento. Na década de 1980, o militar liderou uma unidade especial do Exército zimbabueano cujo efetivo fora treinado na Coreia do Norte.

Segundo organizações de direitos humanos, a chamada 5ª Brigada teria sido responsável direta pelo massacre de 20 mil civis na região oeste do Zimbabué. Essa operação ficou conhecida como Gukurahundi. Alegadamente, o Governo pretendia reprimir uma insurreição entre 1982 e 1987. O episódio teve como alvo principalmente integrantes da etnia Ndebele.

Segundo uma análise do Comité dos Advogados para os Direitos Humanos no relatório "Wages of War", publicado em 1986, "este período foi o mais sombrio da […] história do Zimbabué. Caracterizou-se pelos abusos mais graves dos direitos humanos desde o fim da guerra civil, incluindo de longe o maior número de execuções sumárias de civis".

O texto destaca que a 5ª Brigada foi empregada na região ndebele após uma "série de ataques a autocarros, comboios e depósitos em zonas rurais, que teriam causado a morte de 14 pessoas". Após alguns dias de atividade, relatos de abusos massivos e extrema violência foram compartilhados pelas agências de cooperação internacional.

"Perrance Shiri chamava a si mesmo de 'Jesus Negro' porque ele tinha o poder de decidir se você viveria ou morreria", escreve um usuário do Twitter.

Em outra mensagem, uma usuária explica a indignação de alguns zimbabueanos com a trajetória do ex-ministro. "Àqueles que estão a dizer que estamos a ser insensíveis, vocês já tiraram um tempo para ouvir estas histórias da Gukurahundi?".

Gukurahundi foi uma das ações militares mais controversas da época em que Robert Mugabe foi primeiro-ministro. Em março de 2019, o brigadeiro-general Emile Munemo, outro antigo comandante da 5ª Brigada na época da operação, também faleceu em Harare. Os responsáveis pelo massacre nunca foram responsabilizados pelos alegados crimes.

Assistir ao vídeo 05:15

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