Moçambique: Mia Couto foi à procura de ″luz″ e ″esperança″ no seu novo livro | Moçambique | DW | 14.10.2021

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Moçambique

Moçambique: Mia Couto foi à procura de "luz" e "esperança" no seu novo livro

O escritor moçambicano Mia Couto acaba de publicar "O caçador de elefantes invisíveis". O novo livro traz, de forma poética e metafórica, um olhar crítico sobre a guerra em Cabo Delgado e a pandemia do novo coronavírus.

"O caçador de elefantes invisíveis" é a mais recente obra do escritor moçambicano Mia Couto, que resulta de uma coletânea de 29 contos publicados durante dois anos na revista portuguesa "Visão".

A narrativa aborda, de forma humorística, poética e dramática, temas como a pandemia causada pelo novo coronavírus ou o drama da guerra contra o terrorismo em Cabo Delgado, no norte de Moçambique.

"Não é possível ficar sem sofrer perante esta guerra e perante outras, a guerra que é o vírus... A literatura é uma maneira de encontrar, para além dessa realidade, qualquer outra luz, qualquer outra esperança. Por isso é que eu escrevi e não foi para sofrer mais, mas para me libertar desse sofrimento", explicou o autor, na quarta-feira (13.10), durante a apresentação do livro na Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo. 

Um vírus que é um "gentil ladrão"

Na obra, Mia Couto chama "gentil ladrão" a um agente de saúde que, coberto com roupa branca, usa o medidor de temperatura como se fosse uma pistola.

"A pistola que me apontou era para medir a febre, diz que estou bem, anuncia com um sorriso tonto e eu finjo respirar de alívio. Quer saber se tenho tosse, sorri condescendente. A tosse foi a coisa que quase me levou à cova depois de ter vindo das minas há vinte anos", recordou a atriz Sufada, que leu alguns excertos.

A primeira parte da narrativa, sobre a pandemia, foi publicada pelo jornal norte-americano "The New York Times". Mia Couto escreve sobre as exigências para prevenir a infeção em pessoas que escaparam de várias doenças graves.

"É difícil destacar, mas o conto que provavelmente teve mais difusão, e que foi publicado pelo The New York Times, foi o conto que eu fiz logo no início da pandemia em que alguém é confrontado com essas exigências, usa as máscaras e teve uma resposta muito ingénua", frisou.

Há esperança para Mia Couto

Mas nem só de sofrimentos fala Mia Couto na sua nova obra. O escritor diz que os moçambicanos devem manter a esperança de que dias melhores virão, apesar da guerra e dos escândalos de corrupção.

"Acho que quem vive situações como nós vivemos, situações de guerra, de miséria e de miséria moral como está bem patente neste julgamento [das dívidas ocultas], não se pode dar ao luxo de ser pessimista", comentou.

"Nós temos que ser otimistas, não há outra saída. Temos que pensar que há qualquer coisa que podemos atingir amanhã", acrescentou.

Os jornalistas pediram ainda um comentário a Mia Couto sobre os ataques na zona centro de Moçambique, nomeadamente sobre a morte do líder da autoproclamada "Junta Militar" da RENAMO, Mariano Nhongo.

"Mais uma vez, aqui tem que se fazer uma política ambivalente, isto é, é preciso ao mesmo tempo reprimir essa violência", frisou. "O Estado não pode autorizar essa violência e é preciso abrir portas para aqueles que se querem juntar, que queiram render-se, tenham essa crença de que podem ser recebidos com justiça", concluiu.

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