Moçambique: FRELIMO diz que grupos armados estão a ficar ″fora de combate″ | Moçambique | DW | 20.10.2021

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Moçambique

Moçambique: FRELIMO diz que grupos armados estão a ficar "fora de combate"

O partido no poder em Moçambique, a FRELIMO, considera que os grupos armados que atuam em Cabo Delgado “estão a ser postos fora de combate”. Partido saudou ainda a presença de militares estrangeiros na região.

“Graças à coragem, ao cometimento e à visão do Presidente Filipe Jacinto Nyusi, os terroristas estão a ser postos fora de combate e a situação de segurança tende a melhorar de forma progressiva”, afirmou o chefe da bancada da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) na Assembleia da República, Sérgio Pantie, esta quarta-feira (20.10) Pantie falava no discurso inaugural da IV sessão ordinária da IX legislatura da Assembleia da República.

O líder da bancada do partido no poder saudou as Forças de Defesa e Segurança (FDS), a missão militar da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e o contingente militar do Ruanda pela restauração gradual da segurança em Cabo Delgado.

Mosambik Pemba | Filipe Nyusi

Filipe Jacinto Nyusi, Presidente de Moçambique

“Contrariamente a algumas vozes da nossa política e da sociedade civil, insensíveis à dor e ao sofrimento do nosso povo, a bancada parlamentar da FRELIMO saúda, encoraja e revê-se na decisão do Governo de Moçambique de acolher a vinda das tropas da SADC e do Ruanda, numa altura em que as ações dos terroristas estavam a recrudescer contra as populações indefesas”, declarou.

Grupos não estão totalmente neutralizados

Sérgio Pantie felicitou a SADC por ter decidido alargar a sua missão militar em Cabo Delgado, assinalando que a ação dos grupos armados ainda não está totalmente neutralizada.

“Temos noção de que ainda não é o momento para cantar vitória, mas temos a certeza de que a vitória contra os bandidos e terroristas é certa”, enfatizou Pantie.

Apesar da melhoria da segurança em Cabo Delgado, prosseguiu, a população vítima da violência armada continua a precisar de assistência humanitária, devido à barbaridade e sofrimento a que foi sujeita em mais de quatro anos de atuação dos grupos armados.

“Juntemos aquilo que pudermos, quer individualmente, quer coletivamente, através das confissões religiosas e outras organizações. Juntos fazemos a diferença e somos mais fortes”, realçou o chefe da bancada parlamentar da FRELIMO.

Sérgio Pantie apelou aos jovens atraídos pelos grupos armados para voltarem à vida normal, abandonando o caminho da violência

“O povo moçambicano espera que aproveitem esta oportunidade para se regenerarem. Agarrem-se à clemência que o povo moçambicano está a conceder-vos”, afirmou Pantie.

Pantie assinalou que as sessões plenárias do parlamento são retomamadas numa conjuntura marcada pela luta contra a pandemia de covid-19, contexto que impõe a manutenção da vigilância contra a doença.

“Por tudo que vivemos e atravessamos nesta fase, ficou a lição sobre a necessidade de tomada de consciência coletiva em relação à gravidade da doença, sobretudo, pelas consequências que daí advém quando não observados os cuidados necessários”, ressalvou Sérgio Pantie.

Mais de 3.100 mortes

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

O conflito já provocou mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, segundo as autoridades moçambicanas.

Mosambik Flüchtlinge aus Palma in Pemba

Conflito em Cabo Delgado fez mais de 817 mil deslocados

Desde julho, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu aumentar a segurança, recuperando várias zonas onde havia presença de rebeldes, nomeadamente a vila de Mocímboa da Praia, que estava ocupada desde agosto de 2020.

O parlamento moçambicano retomou hoje as sessões plenárias, depois de cinco meses de pausa, com uma ordem de trabalhos que tem a aprovação do Orçamento do Estado (OE) de 2022 como o ponto mais alto da agenda.

Além do OE de 2022, os 250 deputados da AR vão também debater o Plano Económico e Social (PES) do próximo ano.

A sessão plenária vai ainda debater as propostas de lei da comunicação social, da radiodifusão, das regras e critérios que definem a fixação da remuneração dos funcionários e agentes do Estado e demais servidores públicos, bem como da saúde pública.

A FRELIMO, partido no poder há 45 anos, desde a independência, tem uma maioria qualificada de 184 dos 250 assentos que compõem a AR, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) detém 60 e o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) seis.

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