Mali em luto após massacre de pelo menos 130 civis | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 22.06.2022

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Internacional

Mali em luto após massacre de pelo menos 130 civis

O Governo de Transição liderado por militares decretou três dias de luto após o massacre de civis no centro do Mali. Especialistas alertam para o crescimento da violência extremista no país.

Forças de manutenção da paz da ONU no Mali condenaram os mais recentes ataques no país

Forças de manutenção da paz da ONU no Mali condenaram os mais recentes ataques no país

As bandeiras do Mali estavam a meio mastro na capital, Bamako, esta terça-feira (21.06). Foi o primeiro, dos três dias de luto decretado pelo Governo, após ataques no fim de semana terem matado pelo menos 130 de pessoas no centro do país.

O Governo de Transição, liderado pelo coronel Assimi Goita, disse que os ataques às aldeias no sábado e domingo foram levados a cabo pelos rebeldes jihadistas do grupo Katiba. E declarou, na segunda-feira (20.06), três dias de luto pelas vítimas no massacre de três aldeias malianas na zona de Bankass, na região de Mopti, centro do país.

Localizada a oeste, Bamako recebe aqueles que emigraram da região afetada pela violência. Amadou Kassambala deixou a sua cidade natal, Kourientze (em Mopti) no centro, em direção à capital, no oeste, onde trabalha como vendedor de rua.

"Eu sou daquela região, não há autoridade. Não há nada. Ali vivemos sem lei. É cada homem por si, é a lei do mais forte. A população vê o que está a acontecer, mas não pode fazer nada a esse respeito", relata o vendedor.

Karte Mali EN

Violência extremista

O massacre dos centenas de civis este fim de semana, no centro do Mali, prova que a violência extremista islâmica está a espalhar-se do norte do para as áreas mais centrais, como Bankass.

Numa mensagem veiculada através da rede social Twitter, a missão de manutenção da paz das Nações Unidas no Mali (MINUSMA) condenou os recentes ataques no centro, e ofereceu ajuda com os cuidados e evacuação dos feridos, bem como ajuda na investigação dos massacres.

Para malianos como Moussa Diarra, o sentimento é de medo e indignação: "Sinto-me mal e muito, muito zangado. Não posso aceitar que estes ataques e que os meus pais, os meus vizinhos sejam mortos dessa forma. Isto desilude-me realmente. Não estou nada contente".

Insegurança persiste

É verdade que as áreas atacadas no fim de semana são as que assinaram acordos de paz locais com alguns grupos armados considerados terroristas. Porque então a violência persiste?

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Baba Dakono é o diretor do Observatório Civil para Governação e Segurança e explica que "o ressurgimento da tensão está talvez ligado à expiração hoje destes acordos locais, e também pode estar ligado à intensificação das operações militares pelas forças de defesa, que podem estar a pôr fim ao processo de diálogo iniciado pelas autoridades malianas em 2019".

De acordo com a agência de notícias AFP, os homens armados que atacaram as aldeias no fim de semana acusam as vítimas de conspiração com mercenários do grupo russo Wagner, que apoia o exército do Mali na luta contra os terroristas islâmicos.

Ameaça no Sahel

O Mali combate uma insurreição jihadista com ligações à Al-Qaeda e ao chamado Estado Islâmico. A violência que começou no norte do país do Sahel espalhou-se desde então pelo Mali central, Burkina Faso, Níger e, mais recentemente, Benim e Togo.

Uma grande parte do país está fora do controlo do Governo provisório, que tomou o poder num golpe de Estado em maio de 2021. Milícias de autodefesa e grupos jihadistas preencheram este vazio de poder.

Por sua vez, os Estados Unidos e a França condenaram os ataques.

Mas para resolver a questão da segurança, o analista Baba Dakono diz ser precis "avançar para soluções globais que incluam não só a resposta militar, mas também respostas políticas que tenham em conta as preocupações do povo".

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