Líder dos golpistas na Guiné-Conacri quer governo de unidade e recusa caça às bruxas | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 06.09.2021

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Internacional

Líder dos golpistas na Guiné-Conacri quer governo de unidade e recusa caça às bruxas

Tenente-coronel Mamady Doumbouya promete criar um "governo de unidade nacional" para um período de "transição" na Guiné-Conacri. Líder golpista assegura que não haverá "caça às bruxas" contra antigo governo.

Os líderes do golpe de Estado militar na Guiné-Conacri convocaram esta segunda-feira (06.09) ministros e presidentes das instituições dissolvidas para uma reunião e avisaram que qualquer falta será considerada como um ato de "rebelião" contra a junta militar no poder.

A reunião foi marcada para as 11 horas (locais e TMG) no parlamento em Conacri e espera-se que no seu final os golpistas revelem como pretendem dar continuidade a um golpe amplamente condenado pela comunidade internacional. 

Guinea Alpha Conde

Presidente Alpha Condé foi capturado pelos golpistas no domingo (05.09)

"Será aberta uma consulta para descrever as grandes linhas da transição, depois será instituído um governo de unidade nacional para liderar a transição", anunciou ainda o tenente-coronel Mamady Doumbouya num discurso televisivo, sem especificar a duração da consulta ou da transição. 

Doumbouya transmitiu uma mensagem aos parceiros e investigadores estrangeiros de que os novos líderes da Guiné-Conacri iriam manter os seus compromissos e pediu às empresas mineiras que continuassem as suas atividades, neste país que é um importante produtor de bauxite e minério. 

O comité criado pelos golpistas assegura "parceiros económicos e financeiros da continuação normal das atividades no país", disse Mamady Doumbouya num discurso. E acrescentou: "O comité assegura aos parceiros que respeitará todas as suas obrigações". 

Proxima-se uma luta pelo poder?

Questionado sobre o que se segue no país, o analista guineense Kabine Fofana explica que, após o golpe, se prevê uma luta pelo poder no seio do exército. "O risco é grande. Já houve confrontos entre a força especial responsável pelo golpe e a guarda presidencial. Portanto, não há unanimidade sobre este golpe. A questão agora é saber como é que a situação irá evoluir nos próximos dias. Numa tomada de poder como esta, normalmente ganha quem for o mais forte", considerou.

Lage in Guinea

Golpistas festejam captura do Presidente Alpha Condé nas ruas de Conacri

Abdourahmane Sano, coordenador da Frente Nacional de Defesa da Constituição (FNDC), composta por vários partidos da oposição e organizações da sociedade civil, afirma também que, após o golpe, que considera ter sido um "alívio” para o povo da Guiné, os desafios continuam.

"Esta situação que estamos a viver hoje poderia ter sido evitada. Chegámos a este ponto com a sua quota-parte de feridos, mortes, danos materiais, pilhagem da economia… Tudo isto são motivos para lamentar, pois o alerta tinha sido dado a todos os níveis. Infelizmente, o regime não quis compreender", asseverou.

"Creio que é também um grande alívio para o povo da Guiné, porque o regime que se tinha transformado num regime ditatorial partiu", acrescentou.

"O mais importante agora é auditar as contas da nação, as grandes empresas públicas, a fim de saber qual é a situação financeira do país. Devem ser feitas auditorias a instituições como o Tribunal Constitucional, o Céni, a Assembleia Nacional e o Conselho Económico e Social", disse ainda Abdourahmane Sano.

CEDEAO pede libertação de Alpha Condé

Os golpistas capturaram o Presidente Alpha Condé e dissolveram as instituições de Estado do país no passado domingo. Foi instituído um recolher obrigatório noturno, e a constituição do país e a Assembleia Nacional foram ambas dissolvidas. 

A junta militar recusou-se a revelar quando pretende libertar Condé, mas assegurou que o Presidente deposto, com 83 anos, tem acesso a cuidados médicos e aos seus médicos. 

Videostill | Guinea Conakry - Militärputsch: Doumbouya hält Ansprache

Mamady Doumbouya, tenente-coronel

A CEDEAO apelou à libertação imediata de Alpha Condé e ameaçou impor sanções, se esta exigência não vier a ser satisfeita. 

Mamady Doumbouya anunciou num vídeo divulgado após o golpe a criação de um "Comité Nacional de Agrupamento e Desenvolvimento", com o objetivo de "iniciar uma consulta nacional para abrir uma transição inclusiva e pacífica". 

A alegada tentativa de golpe de Estado foi já condenada pela Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO), que exigiu também a "imediata" e "incondicional" libertação do Presidente da Guiné-Conacri, Alpha Condé, e o mesmo fez a União Africana e também a França. 

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, também já condenou "qualquer tomada de poder pela força das armas". 

A Guiné-Conacri, país da África Ocidental que faz fronteira com a Guiné-Bissau e é um dos mais pobres do mundo e enfrenta, nos últimos meses, uma crise política e económica, agravada pela pandemia de Covid-19.

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