Guiné-Bissau: Militares proíbem conferências de imprensa
10 de janeiro de 2026
A medida foi anunciada em comunicado do Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e da Ordem.
A entidade que controla o poder na Guiné-Bissau, desde 26 de novembro de 2025, afirma que algumas figuras políticas e grupos organizados têm promovido "encontros à socapa (às escondidas) para incitar à violência e ao desrespeito pelas interdições estabelecidas na Carta de Transição Política" e outras resoluções.
Para o Alto Comando Militar aquelas práticas colocam em risco a paz, a coesão social e ainda constituem "grave afronta à estabilidade" do país.
O Alto Comando Militar informa que "monitoriza, com a máxima atenção, a situação em todo o território nacional".
Repressão
Os militares avisam que "qualquer pessoa ou entidade que desafie" as autoridades de transição"será severamente repreendida, em conformidade com a lei".
O Alto Comando Militar refere ainda ter conhecimento de que "determinados grupos com afinidades tribais estão a ser instigados a desafiar a autoridade, proferindo inclusive ameaças públicas".
Os responsáveis por estes atos "serão individualmente responsabilizados", prossegue o comunicado onde se lê ainda que não se trata de "perseguição a qualquer grupo étnico ou tribal, mas sim da aplicação estrita da lei perante atos individuais de desacato e perturbação da ordem pública".
Em dezembro, o Alto Comando Militar avisou que vai encerrar qualquer órgão de comunicação social que colaborar na divulgação de informações ou mensagens que apelem à violência e desobediência civil.
*** A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância ***