Guiné-Bissau: Campanha eleitoral arranca com grave tensão política | Guiné-Bissau | DW | 02.11.2019
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: Campanha eleitoral arranca com grave tensão política

A crise acentua-se na Guiné-Bissau com a existência de dois primeiros-ministros e dois Governos. Doze candidatos concorrem às eleições presidenciais de 24 de novembro. Campanha vai decorrer até 22 de novembro.

O Presidente guineense, José Mário Vaz, é candidato às presidenciais de 24 de novembro

O Presidente guineense, José Mário Vaz, é candidato às presidenciais de 24 de novembro

A campanha eleitoral para as presidenciais de 24 de novembro na Guiné-Bissau começa este sábado (02.11) no meio de uma grave tensão política, com a existência de dois primeiros-ministros e dois Governos.

Doze candidatos aprovados pelo Supremo Tribunal de Justiça participam na campanha que vai decorrer até 22 de novembro, entre eles, o atual chefe de Estado, José Mário Vaz, o presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, Domingos Simões Pereira, o general Umaro Sissoco Embaló, do Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), Nuno Nabiam, presidente da Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau, e o antigo primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior.

José Mário Vaz decidiu arrancar a campanha eleitoral no norte do país, em Pitche, Gabu, enquanto Domingos Simões Pereira escolheu Buba, no sul. Carlos Gomes Júnior faz um comício em Bissau, onde também arranca a candidatura de Nuno Nabiam. O general Umaro Sissoco Embaló inicia a campanha eleitoral em Espanha, acompanhado do coordenador nacional do Madem-G15, Braima Camará, em contatos com a diáspora guineense.

Crise política

A campanha eleitoral na Guiné-Bissau começa num ambiente de grande instabilidade. Na quinta-feira passada (31.10), o Presidente guineense deu posse a um novo Governo, chefiado por Faustino Imbali, depois de ter demitido o Governo liderado por Aristides Gomes na segunda-feira.

Guinea-Bissau - Aristides Gomes, Premierminister von Guinea Bissau

O Governo liderado por Aristides Gomes foi demitido a 31 de outubro

A União Africana, a União Europeia, a Comunidade Económica de Desenvolvimento dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e as Nações Unidas já condenaram a decisão do Presidente e declararam que apenas reconhecem o Executivo saído das eleições legislativas de 10 de março, que continua em funções.

O Governo de Aristides Gomes já disse que não reconhece a decisão de José Mário Vaz, por ser candidato às eleições presidenciais e por seu mandato ter terminado a 23 de junho, tendo ficado no cargo por decisão da CEDEAO. Uma missão da CEDEAO chega este sábado ao país para tentar mediar a crise.

Entretanto, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) garantiu esta sexta-feira (01.11) que estão criadas todas as condições para a realização do ato eleitoral a 24 de novembro.

Segundo o presidente da CNE, José Pedro Sambu, "os trabalhos feitos até aqui permitem-nos afirmar categoricamente de que estão reunidas todas as condições básicas e fundamentais para a realização do pleito eleitoral na data prevista".

Suspensão

O Governo de Faustino Imbali suspendeu o comissário-geral da Polícia de Ordem Pública da Guiné-Bissau, Armando Nhaga, segundo informações da agência de notícias Lusa. A ordem de suspensão, que tem data de 01 de novembro, é assinada pelo ministro do Interior, António Tchama.

"Tendo em conta a necessidade de adequar os serviços do Ministério do Interior à nova dinâmica que se impõem com a nomeação do novo Governo, atento ao imperativo do momento político corrente no país. O ministro do Interior, no uso das competências que a lei lhe confere, determina suspender por despacho interno, o comissário-geral da Polícia de Ordem Pública, comissário Armando Nhaga", refere a ordem.

Em entrevista à Lusa, o comissário Armando Nhaga disse que é um "funcionário público vinculado às normas e foi nomeado pelo Conselho de Ministros de um Governo constitucional" e continua no seu posto a cumprir as suas obrigações. O comissário sublinhou que não vai acatar nenhuma ordem que não seja legal.

No seu lugar, o ministro do Interior do Governo de Faustino Imbali nomeou interinamente o comodoro Biom Na N'Tchono comissário-geral da Polícia de Ordem Pública. 
 

Leia mais