General com mãos manchadas de sangue comanda tropas ruandesas em Cabo Delgado | Moçambique | DW | 30.07.2021

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Moçambique

General com mãos manchadas de sangue comanda tropas ruandesas em Cabo Delgado

Percurso militar de general ruandês em Cabo Delgado é aterrorizador. Um defeito que se pode tornar "relativa qualidade" quando o alvo são terroristas, mas um pesadelo para dissidentes de Paul Kagame em Moçambique.

Symbolbild I Militär Ruanda

Militares ruandeses destacados para Cabo Delgado, norte de Moçambique

De inocente parece ter apenas o nome, o comandante das forças ruandesas no norte de Moçambique, a considerar pelo seu currículo enquanto militar.

Por exemplo, algumas plataformas online do seu país, como o therwandan.com, revelam que o major-general Innocent Kabandana é responsável pelo assassinato de bispos católicos em Gakurazo, em 1994, e por liderar uma caça aos dissidentes ruandeses nos EUA e Canadá quando serviu como adido militar na Embaixada do Ruanda em Washington, uma atividade que também é do conhecimento Cleophas Habiyareme, presidente da Associação dos Ruandeses Refugiados em Moçambique.

"Sobre esse comandante para combater em Cabo Delgado, li num artigo que esse comandante sempre foi encarregado de perseguir os opositores fora do país", confirma Habiyareme. 

Mas o ruandês mostra-se seguro: "Pra mim isso não pode criar um pânico na comunidade ruandesa em Moçambique. Digo isso porque Moçambique é um país que assinou a Convenção de Genebra sobre a proteção dos refugiados. Então, não faz sentido que uma força convidada para uma missão bem definida vá por trás cometer o terrorismo contra os refugiados".

"A segurança dos refugiados é da responsabilidade do Governo. Acho que o Governo não vai e nem pode permitir isso, porque a perseguição ao refugiado é igual ao terrorismo", sublinha Habiyareme.

Em Moçambique, o novo posto de trabalho de Kabandana, os ruandeses, cuja comunidade soma cerca de 4000 pessoas, têm sido igualmente perseguidos e mortos nos últimos anos. O caso mais recente foi o sequestro, sem esclarecimento até ao momento, do jornalista e dissidente Ntamuhanga Cassien, na Ilha de Inhaca.

Comandante ruandês alvo de suspeitas

Irá Kabandana continuar a caçar dissidentes paralelamente à sua tarefa oficial de lutar contra o terrorismo no norte de Moçambique? Cleophas Habiyareme desconfia que "sim, pode ser. Acho que o Governo [de Kigali] pode se esconder nessa missão para perseguir os dissidentes desse Governo. Mas tenho a certeza de que o Governo de Moçambique não vai permitir isso."

Maputo recebe um voto de confiança, embora nunca tenha esclarecido os sucessivos crimes contra ruandeses, mas tal não é estendido a Kigali, cuja governação considerada ditatorial se fossiliza e se estica à vizinhança.

E Kabandana, como comandante das Forças Especiais ruandesas, terá liderado operações no Kivu Sul, na República Democrática do Congo, com a missão de eliminar os refugiados hutus e repatriar mulheres e crianças, criar e lutar em nome do RED Tabara - um movimento de resistência contra o Governo do Burundi - e de desmantelar os grupos de resistência suspeitos de serem aliados de grupos armados ruandeses.

Mosambik Calton Cadeado

Calton Cadeado, académico moçambicano

O general é igualmente acusado de ter deixado feridas irreparáveis ​​ao longo de sua carreira no 157º Batalhão do Exército Patriótico de Ruanda - o braço armado da Frente Patriótica do Ruanda (a RPF, na sigla em inglês).

Intimidação instantânea

Que vantagens traz o legado sangrento de Kabandana para o combate ao terrorismo em Cabo Delgado? Calton Cadeado, especialista moçambicano em paz e segurança da Universidade Joaquim Chissano, reconhece relativa vantagem.

Contudo, adverte que "o seu perfil operativo só lhe dá essa vantagem se os serviços de inteligência também estiverem fora do teatro operacional norte. Mas se estiver concentrado em Cabo Delgado, não tem como agir. Ele precisará de uma grande rede de inteligência a atuar fora do teatro operacional em Cabo Delgado para conseguir o que quer que seja".

Um perfil intimidatório para os terroristas que terão certamente os dias contados, conclui o académico moçambicano. 

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