Futuro das crianças de Cabo Delgado em risco | Moçambique | DW | 01.06.2021

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Moçambique

Futuro das crianças de Cabo Delgado em risco

Milhares de crianças ficaram sem casa e sem família nos ataques terroristas em Cabo Delgado. Analistas temem a radicalização dos menores e pedem soluções para o conflito que vai continuar a afetar o crescimento do país.

Os raptos de crianças por terroristas na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, estão a preocupar analistas de vários quadrantes, sobretudo numa altura em que o número de deslocados continua a aumentar na região.

No Dia Mundial da Criança, que se assinala esta terça-feira, 1 de junho, o tema das crianças-soldado ecoou num webinário sobre "Insegurança militar e futuro do gás", em Maputo.

Fernando Lima

Fernando Lima, jornalista

"Vejo com muita preocupação o rapto e o endoutrinamento na leitura e na interpretação do Alcorão e, por outro lado, a instrumentalização militar dessas crianças. Nós sabemos de guerras em Moçambique e vimos na Serra Leoa e na Libéria o quão terrível foi a utilização de crianças-soldado, a instrumentalização na brutalidade que é a guerra", alerta o jornalista Fernando Lima.

Para este profissional da comunicação, é preciso ir além da luta militar contra os terroristas e pedir apoio às confissões religiosas para alcançar a paz em Cabo Delgado.

"Pode ser muito importante na compreensão do fenómeno da violência em Cabo Delgado e pode ser um fator determinante para que se afaste a violência de Cabo Delgado e quiçá, de Nampula, Niassa e eventualmente Zambézia", considera.

Impacto no crescimento económico

Por causa do aumento da insurgência armada naquela província nortenha, a petrolífera francesa Total interrompeu por tempo indeterminado os seus trabalhos na região.

Inocência Mapisse Investigadora CIP

Inocência Mapisse, investigadora do Centro de Integridade Pública

Inocência Mapisse, investigadora do Centro de Integridade Pública (CIP), não tem dúvidas de que a violência também afetará o braço empresarial do Estado moçambicano, sendo que Empresa de Hidrocarbonetos de Moçambique (ENH) será uma das mais prejudicadas.

"No âmbito da angariação de financiamento para garantir a sua participação, não apenas no projeto da Área 1, que já estava a acontecer, mas nos outros projetos, tendo em conta os outros modelos estabelecidos de participação do Estado", indica.

A economista diz que, por causa da violência em Cabo Delgado e da pandemia do coronavírus, será muito pouco provável que Moçambique continue com o ritmo de crescimento dos últimos dez anos.

"Estes projetos todos, embora tenham esse potencial de contribuir para as receitas fiscais, neste momento estão a experimentar este choque que advém não apenas da pandemia de Covid-19, que é uma situação global, mas também da situação dos ataques armados em Cabo Delgado", conclui.

Para o jornalista Fernando Lima, a sociedade moçambicana está confusa, pois não sabe "quem quer o quê" neste conflito.

"Estas questões não estão claras e, por baixo da mesa, muitas vezes se argumenta que este é um problema que faz com que a frente militar, numa agenda estritamente moçambicana, tenha os seus próprios obstáculos", adverte.

Assistir ao vídeo 02:28

A violência terrorista contra crianças em Cabo Delgado

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