Universidade vai capacitar deputados de todos os partidos
14 de março de 2026
Em causa está um memorando de entendimento assinado em finais de fevereiro entre aquela faculdade da UEM, estatal e maior universidade do país, e a bancada parlamentar da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), para formações e cursos específicos a deputados do partido, incluindo a elaboração de pareceres técnicos jurídicos sobre diversas propostas legislativas.
"A FDUEM esclarece que esta iniciativa se estende formalmente a todas as bancadas parlamentares representadas na Assembleia da República, colocando à disposição das mesmas um programa de capacitação em matérias relevantes para o exercício da função legislativa e de fiscalização, bem como emitir pareceres jurídicos especializados sobre propostas de leis e análises jurídicas", avança em nota a FDUEM, assinada pelo seu diretor, Eduardo Chiziane.
A faculdade acrescenta que esta decisão demonstra que o fortalecimento do parlamento enquanto órgão de soberania constitui interesse nacional que "transcende diferenças políticas".
"Qualquer ação futura neste domínio será conduzida com base em critérios transparentes, inclusivos e alinhados com os valores constitucionais da República de Moçambique, reafirmando, assim, o seu compromisso com a autonomia académica, responsabilidade institucional e o serviço ao bem comum", acrescenta.
Críticas da oposição
Esta semana, no parlamento, a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) criticou o acordo entre a faculdade a FRELIMO, pedindo por isso um "debate urgente" sobre a partidarização das universidades públicas.
"A RENAMO entende que era bom que as Universidades Públicas pudessem assistir a todas as bancadas parlamentares, e daí uma necessidade de trazermos esse debate sério para esta necessidade de partidarizarmos. Já que a FRELIMO ficou com a UEM para assessoria à bancada, então poderíamos debater a possibilidade da RENAMO ser assessorada pela Universidade Pedagógica, por que não Unizambeze estar a assessorar o MDM (Movimento Democrático de Moçambique), por que não a UniRovuma estar a assessorar o PODEMOS? (Povo Otimista para o Desenvolvimento de Moçambique)", questionou o deputado Arnaldo Chalaua.
"Soaria tão muito feliz e bem se a UEM assessorasse a Assembleia da República e não a uma bancada parlamentar, porque este Estado é de Direito Democrático e há separação de poderes. Uma universidade pública de facto não deve de alguma forma ter interesse partidário, porque a UEM depende dos impostos do Estado", acrescentou Chalaua.
Também o político Venâncio Mondlane solicitou à direção da faculdade informações sobre a parceria com a bancada parlamentar da Frelimo, questionando se o programa de capacitação seria acessível a todos os deputados independentemente da filiação partidária, defendendo ainda que a gestão clara de fundos públicos exige que qualquer parceria seja devidamente publicitada para o escrutínio público.
"A eventual afetação de recursos públicos, incluindo verbas orçamentais, instalações, bibliotecas, laboratórios, corpo docente e demais meios humanos e materiais da universidade a fins de capacitação exclusiva e preferencial de um partido político específico pode colocar em causa o princípio de impessoalidade da administração pública", lê-se na carta enviada à direção da faculdade, pedindo detalhes sobre o acordo.