Edil de Quelimane desapontado com a FRELIMO | Moçambique | DW | 06.12.2016

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Moçambique

Edil de Quelimane desapontado com a FRELIMO

Manuel De Araújo, edil de Quelimane considera que FRELIMO devia seguir o exemplo da RENAMO e submeter a sua proposta de estabilização político-militar do país à mesa do diálogo, em vez de criticar a proposta da oposição.

Mosambik Quelimane

Quelimane

Continuam a decorrer, em Maputo, as conversações para restaurar a paz em Moçambique. Em cima da mesa, atualmente, está a proposta dos mediadores internacionais sobre a descentralização do poder, uma exigência do maior partido da oposição, a RENAMO (Resistência Nacional Moçambicana), para o fim do conflito político-militar. E continua a faltar consenso. O país é palco de confrontos entre as forças governamentais e a RENAMO desde 2013.

Segundo o edil de Quelimane (Província da Zambézia), Manuel de Araújo, a FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) está a cometer erros. Na sua opinião, em vez de criticar sempre a oposição, o partido no poder deveria seguir o exemplo da RENAMO, que já submeteu há muito tempo a sua proposta para o debate na mesa do diálogo político em curso.

"Já vimos a proposta da RENAMO, e revela que o único que esta interessado na paz em Moçambique é a RENAMO enquanto a FRELIMO está desinteressada. A RENAMO já submeteu a sua proposta à mesa de negociação e a FRELIMO devia fazer o mesmo”, destacou Araújo, político do  Movimento Democrático de Moçambique (MDM) e autarca numa das províncias mais atingidas pelo conflito armado.

Manuel Araújo

Manuel Araújo

Como acabar com a crise?

Alem de dirigentes políticos, também Combatentes da Luta de libertação Nacional, na Província da Zambézia, desconhecem as causas dos diferendos na mesa do diálogo para acabar com a crise político-militar.

Maria Helena, secretária da Associação dos Combatentes de Libertação Nacional (ACLIN) na província da Zambézia, manifesta-se preocupada e diz que não sabe porque é que há sempre desentendimento nas conversações entre o Governo e a RENAMO.

A antiga combatente lamenta o facto de muitos jovens terem perdido a vida desnecessariamente nos confrontos armados entre homens armados da RENAMO e as Forças de Defesa e Segurança de Moçambique, entre junho a setembro deste ano, altura de intensos confrontos.

"Eu não sei o que está a falhar, tudo cai sem consenso enquanto continuamos a perder muitos jovem que deveriam estar a trabalhar no combate à fome e à pobreza. Os jovens que estamos a perder deveriam cuidar das suas famílias ao invés de serem mobilizados para matar os seus irmãos” disse Maria Helena.

Maria Helena

Maria Helena, da Associação dos Combatentes de Libertação Nacional (ACLIN) na província da Zambézia

Neste momento o ambiente vivido na Zambézia, é considerado calmo, na medida em que o som das armas não se ouve com tanta frequência como anteriormente.

Governo e RENAMO reuniram-se mas saíram em silêncio

As delegações do Governo e da RENAMO, principal partido de oposição nas negociações de paz em Moçambique, reuniram-se na segunda-feira (05.12.) em conjunto com os mediadores, mas não prestaram declarações aos jornalistas ao final do encontro.

As delegações que representam o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e o líder da RENAMO, Afonso Dhlakama, reuniram-se pela primeira vez em plenário, neste ciclo da ronda de diálogo iniciado a 14 de novembro, para discutirem a proposta dos mediadores internacionais sobre a descentralização do país.

A proposta dos mediadores internacionais foi suscitada pela exigência da RENAMO de governar nas seis províncias do centro e norte do país, onde reivindica vitória nas eleições gerais de 2014 e acusa a FRELIMO de ter cometido fraude no escrutínio.

Depois de terem manifestado o desejo de as duas partes submeterem à Assembleia da República uma proposta de texto ao parlamento até ao fim de novembro, os mediadores dizem agora que esperam obter um consenso até ao final do ano.

Ouvir o áudio 01:55

Edil de Quelimane desapontado com a FRELIMO

O principal partido de oposição tem condicionado o fim da atual crise política e militar à entrega das seis províncias.

Confrontos continuam no centro e norte do país

As Forças de Defesa e Segurança moçambicanas e o braço armado da RENAMO têm-se confrontado no centro e norte do país, no retorno da violência armada ao país, que também tem atingido alvos civis e que é igualmente marcada por assassínios políticos de membros da FRELIMO e da RENAMO.

Além da exigência da RENAMO de governar em seis províncias e da cessação imediata dos confrontos, a agenda do processo negocial integra a despartidarização das Forças de Defesa e Segurança, incluindo na polícia e nos serviços de informação do Estado, e o desarmamento do braço armado da RENAMO e sua reintegração na vida civil.

Segundo o coordenador da equipa de mediação, Mario Raffaeli, o documento a ser consensualizado pelas partes é um "pacote de princípios" relativos ao processo de descentralização. "Não é um documento que apresenta uma lei, é um documento que apresenta os princípios que devem nortear a lei", esclareceu no início deste ciclo negocial o mediador indicado pela União Europeia.

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