Dívidas Ocultas: António Carlos do Rosário nega troca de emails com Ndambi Guebuza | Moçambique | DW | 07.10.2021

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Moçambique

Dívidas Ocultas: António Carlos do Rosário nega troca de emails com Ndambi Guebuza

No seguimento, esta quinta-feira, (07.10), do julgamento das "Dívidas Ocultas" em Moçambique, António Carlos do Rosário negou ter coordenado com o filho do ex-Presidente Armando Guebuza, assuntos relacionados ao caso.

O réu António Carlos do Rosário negou ter partilhado emails com o filho do antigo Presidente da República, Armando Guebuza, para tratar de assuntos relacionados com o financiamento ou contrato do projeto de Proteção da Zona Económica Exclusiva.

O Ministério Público (MP) disse que o réu interagiu por correio electrónico também com a antiga vice-ministra das Finanças, Isaltina Lucas e com o filho mais velho do presidente Guebuza, Ndambi Guebuza entre outras figuras.

"[O réu] enviou o mesmo email para o filho de Armando Guebuza e o assunto é financial documents", afirmou em tribunal o MP.

O antigo número dois do Serviço de Informações e Segurança do Estado (SISE) desmentiu o envio da mensagem para as pessoas em referência, apesar da prova do Ministério Público, e negou que tratava de quaisquer assuntos de trabalho por email.

Mosambik Antonio Carlos do Rosário vor Gericht

António Carlos do Rosário continuou a ser ouvido esta quinta-feira, (07.10), em tribunal

"O endereço (de email) é meu mas nunca tratei assunto de serviços com este endereço pelas razões que fiz referência aqui. Muito menos receberia um email e encaminharia para alguém que não tem nada a ver com o meu trabalho. Não entendo como o meu e-mail está aqui", disse António Carlos do Rosário.

Mas o Ministério Público insistiu: "Sim, tem aqui documentos relacionados com o projeto, o contrato, verificou?"

Ao que o arguido contra-argumentou: "Foi tirado dos meus dispositivos eletrónicos? Duvido que eu tenha, porque não me lembro de ter isto na minha caixa de email".

Viagens suspeitas

Do Rosário negou também ter viajado para a Alemanha e os Emirados Árabes Unidos integrado na comitiva dos co-réus Ndambi Guebuza, Bruno Langa e Teófilo Ngangumele para visitar os estaleiros da Privinvest e da Abu Dhabi Mars.

O Ministério Público exibiu um relatório das viagens em questão, do qual consta o nome de António Carlos do Rosário, que respondeu que a sua missão não tinha nada a ver com a dos co-réus.

"Estou a dizer que viajei, mas não ao abrigo do entendimento entre a [empresa] MULEPE e Abu Dhabi Mars, porque eu não conheço a MULEPE. Terceiro, estou a ver o meu nome num relatório que não conheço, tenho dificuldades de ler. Então. se não conheço, não posso aprovar o que está aqui", disse.

Mosambik Maputo Gerichtsverfahren wegen versteckter Schulden

Julgamento do caso "Dívidas Ocultas"

Segundo o MP, os "objetivos que constam dessa viagem e os fatos que são narrados nessa viagem são coincidentes".

Nomes não revelados

Do Rosário confirmou que na viagem que realizou à Alemanha e aos Emirados Árabes Unidos foi acompanhado pelos quadros do Ministério da Defesa indicados, na altura, pelo ministro da tutela, Filipe Nyusi, atual Chefe de Estado.

Mas, alegando razões de segurança, escusou-se a revelar os nomes dos quadros, cujo missão era verificar as potencialidades da Privinvest, empresa que esteve implicada na contratação que resultou nas dívidas ocultas.

O réu negou ainda ter recebido um email de Jean Boustani, o libanês acusado pela justiça moçambicana de ter pago subornos alimentados pelas dívidas secretas. O assunto do email seria "CreditSwiss” com a finalidade de tratar de desembolsos de valores para financiar o projeto de Proteção da Zona Econômica Exclusiva".

"Isto é suspeito por uma razão muito simples. Se o Jean Boustani que é o remetente enviou para um grupo de recetores, o normal era incluir o Armando Guebuza como recetor neste grupo", argumentou na audição.

António Carlos do Rosário aparentou mais calma e serenidade na audição desta quinta-feira, do que na última terça feira, (05.10) quando lhe foi instaurado um processo crime autónomo por desrespeito ao tribunal.

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