Covid-19: Banca deve apoiar encomendas de bens alimentares em Angola | Angola | DW | 24.03.2020
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Angola

Covid-19: Banca deve apoiar encomendas de bens alimentares em Angola

O Banco Nacional de Angola recomendou à banca que apoie desde já encomendas de importadores de bens alimentares. País tem produtos para abastecer mercado por três meses, mas deve reforçar reservas, dizem empresários.

Angola Candando Hipermercado (DW/J. Beck)

Hipermercado Candando em Talatona, Luanda

O Banco Nacional de Angola (BNA) recomendou à banca angolana que apoie desde já as encomendas dos importadores de bens alimentares, aconselhando mercados com moeda desvalorizada para evitar efeitos cambiais sobre o preço dos produtos. 

"Os bancos devem aconselhar os seus clientes a pesquisar mercados com registos recentes de depreciação acentuada das suas moedas, reduzindo-se o efeito de transmissão da taxa de câmbio sobre o preço dos produtos alimentares aos consumidores nacionais (África do Sul, América Latina e Ásia)", recomenda o BNA num documento que sintetiza uma reunião com a Associação Angolana de Bancos realizada na sexta-feira (19.03) para abordar o tema da pandemia da Covid-19 e medidas a adotar. 

O documento, a que a agência Lusa teve acesso, refere igualmente que o BNA teve "interação recente com os grandes operadores" económicos, cujos indicadores apontam para um ‘stock' de alimentos importados para dois a três meses. 

O BNA sugeriu o apoio da banca para iniciar "prontamente o processo de encomenda para os meses seguintes" e a manutenção de apoio aos produtores nacionais para reduzir a necessidade de recurso ao mercado externo. 

Angola Candando Hipermercado (DW/J. Beck)

No ano passado, nada de problemas de abastecimento...

Plano de contingência alimentar 

Angola tem bens e produtos para abastecer o mercado durante pelo menos três meses, mas precisa de reforçar as reservas para não haver escassez, enquanto decorre a pandemia do novo coronavírus, disseram associações empresariais na semana passada. 

Os operadores do setor do comércio angolano participaram em Luanda numa reunião com o ministro do Comércio para analisar a previsão de 'stock' existente para o abastecimento alimentar e elaborar um plano de contingência alimentar devido à Covid-19. 

O presidente da Associação de Empresas de Comércio e Distribuição Moderna de Angola (ECODIMA), Raul Mateus, disse, após o encontro, que a reserva interna é bastante satisfatória para um trimestre, mas é necessário um reforço. Raul Mateus defendeu ainda a necessidade de se melhorar o sistema administrativo, "para facilitar algumas aquisições mais rapidamente" no sentido de não haver problemas dentro de três meses.

Por sua vez, o presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, defendeu uma cooperação regional maior: "Estamos com a crise do novo coronavírus e os mercados internacionais vão-se fechando e temos que nos virar sobremaneira para aquilo que são as relações aqui na região, particularmente África do Sul e Zâmbia, e também muito para a nossa produção interna", advogou.

Angola Landwirtschaft Kwanza Sul (Jörg Böthling/Brot für die Welt)

Produção de pão no Kwanza Sul

Covid-19 já mexe na economia 

Na sequência da pandemia da Covid-19, aliada à queda dos preços do petróleo, o Governo de Angola decidiu adiar a emissão de títulos de dívida pública no valor de até 3 mil milhões de dólares para, no mínimo, setembro, devido às altas taxas de juro exigidas pelos investidores, de acordo com a agência de informação financeira Bloomberg. 

As taxas de juro exigidas pelos investidores para transacionarem a dívida de Angola com maturidade a 2025 ronda os 23,5%, o triplo do valor registado no princípio do mês, de acordo com a Bloomberg, que escreve que o mercado financeiro está, na prática, fechado para os emissores africanos devido aos receios dos investidores.

Nos últimos dias, vários analistas têm alertado para as consequências negativas para o país da situação atual de pandemia e de preços baixos e para a consequente necessidade de revisão do orçamento para este ano face à redução do preço do petróleo para cerca de 30 dólares, o que compara com uma previsão de média de 55 dólares por barril inscrita no Orçamento Geral do Estado. 

Angola entre os países mais vulneráveis à queda do petróleo

Esta terça-feira (24.03), a agência de notação financeira Moody’s colocou Angola entre os países mais vulneráveis à queda do petróleo, juntamente com Omã, Bahrein e Iraque, alertando para a limitada capacidade de ajustamento a um choque externo. A maioria destes produtores, afirmam, "têm elevadas vulnerabilidades externas aos preços baixos e vão enfrentar maiores riscos de liquidez".

Angola tem três casos confirmados de infeção com o novo coronavirus.

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