Cooperação com África em destaque na 10ª cimeira dos BRICS | NOTÍCIAS | DW | 24.07.2018

Conheça a nova DW

Dê uma vista de olhos exclusiva à versão beta da nova página da DW. Com a sua opinião pode ajudar-nos a melhorar ainda mais a oferta da DW.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

NOTÍCIAS

Cooperação com África em destaque na 10ª cimeira dos BRICS

Decorre a partir desta quarta-feira, em Joanesburgo, a 10ª cimeira dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Encontro conta com a presença de chefes de Estado africanos, incluindo de Angola e Moçambique.

A última cimeira dos BRICS teve lugar na China, em setembro de 2017.

A última cimeira dos BRICS teve lugar na China, em setembro de 2017.

O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, quer aproveitar a 10ª cimeira BRICS, que arranca esta quarta-feira (25.07), em Joanesburgo, para melhorar a imagem do seu país, depois de anos de crises políticas com muitos casos de corrupção na era do seu antecessor Jacob Zuma.

Mas esta cimeira também contará com a presença de governantes de dois PALOP. Falando à imprensa, em Joanesburgo, na apresentação do programa oficial da cimeira, Lindiwe Sisulu, ministra das Relações Internacionais e Cooperação sul-africana, sublinhou que a visita dos dois líderes da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) insere-se no âmbito da cimeira de líderes que pretende reforçar as relações entre os BRICS [Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul] e África. 

"A adesão aos BRICS tem sido benéfica para o nosso país e gostaríamos de garantir que o resto de África possa também usufruir dos BRICS, particularmente agora que o continente começa a dar os primeiros passos na criação de zonas de comércio livre, em que a maioria dos países já assinou o acordo, que é um passo importante para África", disse a chefe da diplomacia sul-africana.

Angola Luanda Joao Lourenco

João Lourenço, Presidente de Angola

"Criámos um programa especial para que os Estados africanos possam participar e uma ocasião adicional especialmente para os países membros da SADC, em particular. A África do Sul preside atualmente à SADC e, na nossa opinião, a grande maioria das questões que discutimos entre nós, na região, poderiam beneficiar do acesso direto aos BRICS", adiantou a ministra Lindwe Sisulu. 

Segundo a governante, além de João Lourenço (Angola) e Filipe Nyusi (Moçambique), participam ainda nesta cimeira BRICS, mais seis chefes de Estado do continente africano, nomeadamente da Namíbia, Gabão, Senegal, Uganda, Togo e do Ruanda.

O encontro entre os líderes dos BRICS e os seus homólogos africanos está agendado para o dia 27, último dia da cimeira, indica o programa oficial.

Dez anos de cooperação

A ministra afirmou que a 10.ª Cimeira BRICS será um "marco" na história dos BRICS,  porque representa uma década de cooperação. A reunião culminará com a adoção da "Declaração de Joanesburgo" que inclui as metas acordadas pelos cinco países membros do BRICS até ao final do ano. A presidência rotativa da África do Sul decorrerá até 31 de dezembro de 2018. 

A 10.ª Cimeira BRICS, que reúne um grupo de potências emergentes terá como tema a "Colaboração para o Crescimento Inclusivo e Prosperidade Partilhada na 4.ª Revolução Industrial" e decorrerá no Centro de Convenções de Sandton, no norte de Joanesburgo, sede da bolsa de valores e da maioria das multinacionais globais com operações em África.

Mosambiks Präsident Filipe Nyusi

Filipe Nyusi, Presidente de Moçambique

"Nos últimos anos, a África do Sul perdeu muita credibilidade ao nível da política externa", afirma Philani Mthembu, diretor do instituto sul-africano para o diálogo global. "A economia também se ressentiu, e muito. Esta cimeira é uma oportunidade para o novo Presidente marcar pontos, explicando as linhas mestras da sua política externa", acrescenta.

Segundo Mthembu, "a África do Sul vai querer aproveitar para reforçar a cooperação com países como a China, a Índia e a Rússia, sem - no entanto - menosprezar os seus tradicionais bons contactos com os Estados Unidos e a Europa. A África do Sul reconhece que as relações internacionais podem ser um veículo muito importante para a resolução de problemas locais".

"Por isso", diz o especialista, "o Presidente sul-africano vai-se esforçar por incrementar o desenvolvimento económico através do apoio ao comércio e ao investimento externos também com os BRICS".

Infraestruturas, energia e empoderamento

Ouvir o áudio 03:26

Cooperação com África em destaque na 10ª cimeira dos BRICS

Em que áreas é que os BRICS poderão e deverão investir? As propostas sul-africanas preveem a construção de um centro de pesquisas medicinais, em África, que deverá desenvolver vacinas e medicamentos contra doenças como a malária, o HIV ou a tuberculose.

Outra área prioritária será a das energias limpas. Um ponto igualmente importante é o reconhecimento do papel das mulheres, cujo contributo para o desenvolvimento não poderá ser esquecido, devendo - sim - ser apoiado, afirma Jakkie Cilliers, analista do Instituto sul-africano para questões de segurança.

"A vontade de cooperar nestas e noutras áreas continua grande. A China é sem dúvida o motor. E todos os BRICS tentam tirar partido deste relacionamento especial com a China no quadro dos BRICS, especialmente a África do Sul, que apenas contribui para 3 por cento da força económica dos BRICS, mas continua a ser vista como a maior potência económica do continente africano”, explica Jakkie Cilliers. A próxima cimeira BRICS terá lugar no próximo ano, no Brasil.

Leia mais