Como os governos africanos reagem à pandemia de covid-19 | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 13.03.2020
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Internacional

Como os governos africanos reagem à pandemia de covid-19

Após o vírus espalhar-se pelo mundo, vários governos africanos adotaram medidas de contenção e prevenção e até mesmo ampliaram suas redes de assistência à saúde. Moçambique e Angola intensificam controlo nas fronteiras.

Afrika Sambia Coronavirus Vorkehrungen (picture-alliance/AP Photo/E. Mwiche)

Homem compra máscara na cidade de Kitwe, na Zâmbia

A prevenção ao novo coronavírus em África tem sido a palavra de ordem. As medidas governamentais provocadas pela pandemia de covid-19 estão a mudar o dia-a-dia em vários países. Nas últimas horas, vários governos anunciaram novas medidas de contingência – entre as quais destaca-se a vigilância nos aeroportos e fronteiras. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a pandemia de covid-19 na quarta-feira (11.03).

A Argélia tem 24 casos de infecção confirmados e está entre os países como mais doentes confirmados com  a covid-19 no continente. Neste sentido, o governo anunciou, entre outras medidas, a abertura de instalações sanitárias. "Decidimos abrir novas instalações de saúde regionais em Constantine e Ouargla porque assim se alguém for infetado pelo vírus, não será obrigado a viajar 900 kms.

Em Marrocos, o governo suspendeu ontem, por tempo ilimitado, o tráfego aéreo e marítimo com Espanha, que regista já quase três mil casos.

Até esta quinta-feira (12.03), foram detetados quase 130 infeções em 13 países africanos: África do Sul, Senegal, Argélia, Burkina Faso, Camarões, Costa do Marfim, Egito, Marrocos, Nigéria, República Democrática do Congo, Togo, Tunísia e Gabão.

Afrika Senegal Coronavirus Pasteur Institute in Dakar (Getty Images/AFP/Seyllou)

Pesquisadores do Instituto Pasteur no Senegal

Na África Subsaariana é a África do Sul o país com mais ocorrências, com 12 infeções. Segundo o diretor-executivo do grupo Netcare – a maior rede de hospitais privados do país – o sistema de saúde sul-africano prepara-se para pandemias ou epidemias desde a crise do ébola em 2014.

"Aquando da crise do Ébola acho que, num todo, o mundo demorou a reagir. Por isso, a primeira coisa que fizemos foi dar formação ao nosso pessoal para garantir que todos têm conhecimento sobre prevenção e controlo de infecções".

O Ruanda não está para já na lista dos países africanos com registo de doentes infetados com o vírus, o que não impediu o seu governo de tomar medidas rigorosas. Por exemplo, na capital do país, Kigali, foram instalados lavatórios em todas as áreas públicas para que as pessoas lavem as mãos antes de entrarem nos autocarros.

A reação nos Palop

Em Moçambique também não há ainda casos de coronavírus, mas a preocupação das autoridades sanitárias tem estado a aumentar, principalmente depois da confirmação, desde a semana passada, de casos de coronavírus na vizinha África do Sul.

O Ministério da Saúde (Misau)  anunciou que devem ficar em quarentena cidadãos provenientes de seis países, que têm mais de mil casos de covid-19 e registam mais de 100 infeções diárias. "A quarentena será domiciliar, sujeita a controlo e a alta, após o trabalho das autoridades", disse à Lusa Rosa Marlene, diretora nacional de Saúde Pública, refernido-se a China, Itália, Coreia do Sul, Irão, Alemanha e França.

Em entrevista à Lusa, em Maputo, a representante da Organização Mundial da Saúde, Djamila Cabral, no país explicou que estão já a ser tomadas medidas de precaução. No entanto, não esconde que uma eventual eclosão de covid-19 no país será um grande desafio para um sistema de saúde já de si "fraco". "O país já tem muitos problemas de saúde que tem de enfrentar todos os dias, isto [covid-19] é um acréscimo na pressão sobre o sistema de saúde fraco e subcarregado", disse.

Ouvir o áudio 03:48

Como os governos africanos reagiram ao covid-19

Angola desenvolve planos de contingência e medidas de controlo nos principais pontos de entrada do país e decretou, a partir de 03 de março, a proibição da entrada de cidadãos estrangeiros vindos da China, epicentro da covid-19, Coreia do Sul, Irão, Itália, Nigéria, Egito e Argélia, países com casos autóctones ou registados de coronavírus.  Medidas de vigilância epidemiológicas estão a ser reforçadas ao longo da extensa fronteira com a República Democrática do Congo (RDCongo) onde foi confirmado primeiro caso de coronavírus.

Até o momento, Cabo Verde não registou qualquer caso confirmado. O primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva determinou o alargamento da interdição dos voos de Itália para Cabo Verde até 30 de abril e "vigilância apertada" nas viagens provenientes de França, Portugal e Espanha.

O Governo cabo-verdiano também anunciou que serão cancelados até 30 de junho todos os eventos internacionais no país, que reúnam números elevados de participantes oriundos de países assinalados com a epidemia. Por sua vez, o recém-chegado governo de Nuno Nabian, na Guiné-Bissau, suspendeu a realização de atividades que possam provocar grandes aglomerações de pessoas.

Em São Tomé e Prínicipe, o ministro da Saúde, Edgar Neves, confirmou o ingresso no país de cidadãos provenientes de países afetados pelo novo coronavírus. "A nossa equipa de vigilância epidemiológica está a acompanhar de perto estas situações. Nós temos a informação dos cidadãos que entram e fazemos o devido seguimento", disse o ministro.

No total, o coronavírus, já infetou cerca de 131 mil pessoas em todo o mundo. Destas, 4.923 acabaram por perder a vida.

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