China pode abrir novas bases militares em África | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 12.10.2020

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Internacional

China pode abrir novas bases militares em África

A China é o maior parceiro económico de África e tem vindo a reforçar a sua presença militar no continente na última década. "Princípio da não-interferência" defendido por Pequim pode ter os dias contados.

O envolvimento militar da China em África não é de agora. No passado, Pequim apoiou vários movimentos de libertação africanos - como em Angola ou Moçambique. Na altura, a República Popular da China era um jovem país, empobrecido e nas mãos de Mao Tsé-Tung.

Hoje, é a segunda maior economia do mundo e aparece como um ator emergente na cena militar e no setor da segurança no continente africano. A construção, em 2017, da primeira base militar fora do país – no Djibouti – veio reforçar esta posição.

China Soldaten auf dem Weg nach Militärstation Djibouti

Presença militar da China em África tem sido consolidada através da diplomacia económica

"Há aí mais negócios chineses, mais interesses, e mais ameaças e ataques a esses interesses e pessoas. Há uma intenção de proteger os interesses e pessoal chinês no continente", comenta David Shinn, especialista em assuntos China-África da Universidade George Washington.

Armas para governos e rebeldes

David Shinn passou 37 anos em África, ao serviço da diplomacia norte-americana. O especialista em relações sino-africanas sublinha que, hoje, a China é um dos maiores fornecedores de armas no continente. Pequim e Washington têm ocupado alternadamente a segunda posição. A Rússia mantém-se à frente. 

O professor da Universidade George Washington alerta para os efeitos do crescimento chinês na venda de armas portáteis e armamento ligeiro. "O problema é que os governos africanos, às vezes, transferem as armas para grupos rebeldes com os quais simpatizam em países vizinhos", explica o académico. "É assim que estas armas aparecem em zonas de conflito. A China não tem um sistema muito bom. Na realidade, não tem praticamente nenhum sistema para monitorizar o que acontece às armas depois de vendidas aos governos africanos", critica.

A presença militar chinesa em África acontece, em parte, através da colaboração multilateral: a China dá apoio na formação e participa em exercícios militares conjuntos, bem como em ações contra a pirataria.

A seguir aos Estados Unidos, a China é o maior contribuinte para o orçamento das operações de manutenção de paz da ONU e está presente em cinco missões em África. Esta afirmação militar desafia o princípio chinês da não interferência, doutrina defendida por Pequim para as relações externas.

Karte Map China Djibouti ENG

Em 2017, a China construiu no Djibouti a sua primeira base militar fora do país

Cobus van Staden, do Instituto das Relações Internacionais da África do Sul, recua a 2011, à guerra civil da Líbia, quando a China retirou do país mais de 30 mil nacionais. "Esse foi mesmo um ponto de rutura na interpretação do princípio da não-interferência e, depois, claro, a construção da base no Djibouti foi outro, onde a intervenção ou o princípio da não-interferência foi desafiado, e depois reinterpretado. Penso que isso vai continuar a acontecer à medida que a China se vai envolvendo em assuntos internacionais mais complexos", analisa Cobus van Staden.

Mais bases militares no futuro?

Os analistas admitem que é quase certa a abertura de novas bases militares chinesas em África, o que pode preocupar as nações que têm tradicionalmente garantido a segurança do continente, como os Estados Unidos, França e Reino Unido.

"Eles tendem a acusar a China de tentar exportar o sistema comunista para África e acho que não há provas disso. Mas ao mesmo tempo, penso que as preocupações com as empresas chinesas que exportam material de vigilância, ou ajudam os governos africanos a vigiar o povo africano, são realistas. Mas as empresas ocidentais, tanto americanas como europeias, fazem exatamente o mesmo", considera Cobus van Staden.

Em África, a presença militar chinesa não é, para já, contestada pela população, defende o especialista do Instituto das Relações Internacionais da África do Sul. Ainda assim, a expansão das tropas no terreno pode trazer resistência. Para muitos países africanos, a China é já o maior parceiro comercial, o maior investidor e também credor.

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