China e União Europeia: Haverá espaço para consenso sobre a guerra na Ucrânia? | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 01.04.2022

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Internacional

China e União Europeia: Haverá espaço para consenso sobre a guerra na Ucrânia?

Na cimeira União Europeia-China, líderes europeus procuraram garantias de que Pequim não ajudará a Rússia no âmbito da invasão à Ucrânia. Por seu lado, a China voltou a criticar as sanções económicas contra Moscovo.

Cimeira União Europeia-China teve lugar, esta sexta-feira, por videoconferência

Cimeira União Europeia-China teve lugar, esta sexta-feira, por videoconferência

A China voltou, esta sexta-feira (01.04), a criticar as sanções impostas pelo Ocidente à Rússia, na sequência da invasão da Ucrânia.

Em declarações numa conferência de imprensa, em Pequim, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Zhao Lijian, afirmou que, "para a China, os problemas não se resolvem através de sanções, ainda menos de sanções unilaterais e de longo prazo que não têm base no direito internacional".

As declarações do porta-voz da diplomacia surgem no mesmo dia em que líderes da China e da União Europeia estiveram reunidos em videoconferência, numa cimeira que, entre o debate de temas como a pandemia da Covid-19 e as alterações climáticas, foi dominada pela guerra na Ucrânia.

Embora a China já tenha manifestado preocupação com a escalada da guerra e apelado ao diálogo, continua a apoiar a narrativa anti-NATO do Kremlin. No entanto, e como têm vindo a alertar vários analistas, também não é do interesse de Pequim comprometer as suas relações comerciais com o Ocidente.

Num encontro, esta manhã, com os líderes europeus, o primeiro-ministro chinês Li Keqiang afirmou que Pequim iria insistir na paz na Ucrânia "à sua maneira". Isto depois de Bruxelas ter insistido em garantias de que a China não vai fornecer armas ou ajuda à Rússia para contornar as sanções impostas pelo Ocidente.

China Russland Putin mit Li in Peking

Presidente russo Vladimir Putin e primeiro-ministro chinês Li Keqiang, num encontro em Pequim, em 2015

Isso mesmo frisou, já esta tarde, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, numa conferência de imprensa, em Bruxelas. 

"Deixámos muito claro que a China deveria, senão apoiar, pelo menos não interferir com as nossas sanções", disse von der Leyen. "Discutimos isso e também o facto de que nenhum cidadão europeu compreenderia qualquer apoio à capacidade da Rússia para fazer a guerra, e isso levaria a um grande prejuízo para a reputação da China aqui na Europa", alertou. 

Importância da Europa para a China

Em entrevista à DW, Joris Teer, analista chinês do Centro de Estudos Estratégicos de Haia, afirmou que a forma como Pequim se está a posicionar face à guerra traz novos desafios.

"A China tem um mercado de exportação muito importante na União Europeia, do qual quer continuar a fazer uso". A cimeira foi uma oportunidade para Pequim mostrar como "tentar separar a UE dos EUA", disse.

Embora os líderes da União Europeia e da NATO tenham avisado Pequim da possibilidade de lhe serem impostas sanções se continuar do lado de Moscovo, Joris Teer acredita que a China continuará a concentrar as suas atenções naquilo que considera serem as suas ameaças.

Deutschland liefert Flugabwehrraketen an die Ukraine - Strela Rakete

Posição da China em relação à guerra na Ucrânia tem sido ambígua

"Em 2022, a China vê claramente os EUA como o principal inimigo. Os EUA prejudicam os interesses fundamentais da China, uma vez que presidentes norte-americanos consecutivos têm afirmado que a democracia liberal é o único sistema governamental legítimo. Isto torna infundadas as esperanças da UE de que a China faça uma viragem significativa em direção ao Ocidente."

Já Moscovo, nota o mesmo analista, "apoia a China na concretização dos seus interesses fundamentais, incluindo a preservação da supremacia do partido comunista e a salvaguarda da integridade territorial, e na ajuda do crescimento económico e social".

Nas suas declarações esta manhã, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, voltou a frisar que a Rússia tem preocupações de segurança legítimas, acusando Washington de instigar a guerra na Ucrânia.

"Como culpados e principais instigadores da crise na Ucrânia, os Estados Unidos conduziram à expansão da NATO a leste, em cinco etapas, nas últimas duas décadas. O número de membros da NATO aumentou de 16 para 30, e [a Aliança] expandiu-se para leste, abrangendo mais 1.000 quilómetros, para locais perto da fronteira russa, encurralando a Rússia contra um muro, passo a passo", disse.

Protecionismo russo

Em consequência das sanções económicas impostas pelo Ocidente, Moscovo tem adotado medidas protecionistas. Para além de ter anunciado que os compradores estrangeiros do seu gás passam a ter de pagar em rublos (moeda nacional), a Rússia está a impor restrições nas exportações de alguns produtos.

É o caso da proibição temporária da exportação de sementes de girassol, anunciado esta sexta-feira pelo Ministério da Agricultura. A medida entra em vigor hoje e termina no final de agosto. Isto para assegurar o fornecimento dos clientes russos, numa altura em que cresce a procura por estes produtos e os preços estão mais elevados.

Já no passado dia 15 de março, o Kremlin havia anunciado restrições, até 30 de junho, à exportação de cevada, centeio, trigo, milho e açúcar.

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