1. Ir para o conteúdo
  2. Ir para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW

Caso "espiões russos": Julgamento arrancou em Luanda

Manuel Luamba (em Luanda)
24 de março de 2026

Quatro arguidos, entre russos e angolanos, começaram hoje a ser julgados em Luanda por terrorismo e espionagem. O caso levanta suspeitas de desestabilização política e envolve um jornalista da TPA.

https://p.dw.com/p/5B0UH
Tribunal Provincial de Luanda
O julgamento dos quatro arguidos acusados de terrorismo e espionagem arrancou esta terça-feira no Tribunal Provincial de LuandaFoto: DW/B. Ndomba

O julgamento dos quatro arguidos, dois cidadãos russos e dois angolanos, acusados de crimes como terrorismo, espionagem e financiamento ao terrorismo começou esta terça-feira (24.03), no Tribunal Provincial de Luanda.

Segundo o Ministério Público, o grupo estaria ligado a uma alegada rede internacional com o objetivo de desestabilizar o regime angolano e influenciar mudanças políticas no país.

Terrorismo e espionagem

Detidos em agosto do ano passado, os arguidos respondem por um conjunto alargado de crimes, entre os quais organização terrorista, instigação pública ao crime, introdução ilícita de moeda estrangeira e corrupção ativa de funcionário.

De acordo com a acusação, os suspeitos mantinham ligações a uma estrutura clandestina dedicada a campanhas de desinformação e ações de guerra cibernética. O Ministério Público sustenta que o grupo pretendia promover atos de desestabilização política, podendo conduzir à alternância de poder emAngola

Fotografia ilustrativa com um smartphone
Segundo o Ministério Público, os suspeitos estariam ligados a uma rede que promovia campanhas de desinformação e guerra cibernéticaFoto: imago/avanti

Entre os cenários apontados pelo Ministério Público estão o alegado favorecimento da UNITA , principal partido da oposição, ou a promoção de mudanças internas no MPLA, partido no poder, com vista à ascensão de uma liderança alinhada com interesses russos.

Envolvimento de angolanos

Além dos dois cidadãos russos, o processo inclui dois angolanos: Um jornalista da Televisão Pública de Angola (TPA) e um dirigente da JURA, braço juvenil da UNITA.

Carlos Tomé Kiala, pai do jornalista acusado, rejeita as alegações. Em declarações à DW, afirma que o filho limitou-se a exercer funções profissionais.

"Ele dizia-me que trabalhou simplesmente como jornalista", diz.

Imagem ilustrativa de um homem na escuridão
A acusação aponta para alegadas tentativas de desestabilização do país, incluindo influência na alternância de poder entre MPLA e UNITAFoto: Imago/B. Koch

Ainda segundo o relato de Carlos Tomé Kiala, o jornalista terá explicado que o seu trabalho consistia em realizar entrevistas e produzir conteúdos informativos, sendo remunerado pelos cidadãos russos envolvidos no caso.

Sindicato pede justiça

O Sindicato dos Jornalistas Angolanos garante acompanhar o caso com atenção. O secretário-geral do SJA, Pedro Miguel, defende que o processo deve ser tratado com rigor e imparcialidade.

"Esperamos que as acusações não sejam verdadeiras, porque o nosso entendimento é que esse é um problema de fórum político e não muito de fórum profissional", acrescentou.

Arguidos detidos

Os quatro suspeitos ficaram em prisão preventiva desde a detenção, em agosto de 2025.

O processo, que envolve acusações sensíveis de segurança nacional e interferência política, deverá marcar a agenda judicial e política angolana nas próximas semanas. 

"Não há terrorismo em Angola", diz William Tonet

Manuel Luamba Correspondente da DW África em Angola