Caso "espiões russos": Julgamento arrancou em Luanda
24 de março de 2026
O julgamento dos quatro arguidos, dois cidadãos russos e dois angolanos, acusados de crimes como terrorismo, espionagem e financiamento ao terrorismo começou esta terça-feira (24.03), no Tribunal Provincial de Luanda.
Segundo o Ministério Público, o grupo estaria ligado a uma alegada rede internacional com o objetivo de desestabilizar o regime angolano e influenciar mudanças políticas no país.
Terrorismo e espionagem
Detidos em agosto do ano passado, os arguidos respondem por um conjunto alargado de crimes, entre os quais organização terrorista, instigação pública ao crime, introdução ilícita de moeda estrangeira e corrupção ativa de funcionário.
De acordo com a acusação, os suspeitos mantinham ligações a uma estrutura clandestina dedicada a campanhas de desinformação e ações de guerra cibernética. O Ministério Público sustenta que o grupo pretendia promover atos de desestabilização política, podendo conduzir à alternância de poder emAngola.
Entre os cenários apontados pelo Ministério Público estão o alegado favorecimento da UNITA , principal partido da oposição, ou a promoção de mudanças internas no MPLA, partido no poder, com vista à ascensão de uma liderança alinhada com interesses russos.
Envolvimento de angolanos
Além dos dois cidadãos russos, o processo inclui dois angolanos: Um jornalista da Televisão Pública de Angola (TPA) e um dirigente da JURA, braço juvenil da UNITA.
Carlos Tomé Kiala, pai do jornalista acusado, rejeita as alegações. Em declarações à DW, afirma que o filho limitou-se a exercer funções profissionais.
"Ele dizia-me que trabalhou simplesmente como jornalista", diz.
Ainda segundo o relato de Carlos Tomé Kiala, o jornalista terá explicado que o seu trabalho consistia em realizar entrevistas e produzir conteúdos informativos, sendo remunerado pelos cidadãos russos envolvidos no caso.
Sindicato pede justiça
O Sindicato dos Jornalistas Angolanos garante acompanhar o caso com atenção. O secretário-geral do SJA, Pedro Miguel, defende que o processo deve ser tratado com rigor e imparcialidade.
"Esperamos que as acusações não sejam verdadeiras, porque o nosso entendimento é que esse é um problema de fórum político e não muito de fórum profissional", acrescentou.
Arguidos detidos
Os quatro suspeitos ficaram em prisão preventiva desde a detenção, em agosto de 2025.
O processo, que envolve acusações sensíveis de segurança nacional e interferência política, deverá marcar a agenda judicial e política angolana nas próximas semanas.