Cabo Delgado: ″Todos os que cruzam fronteiras devem ter oportunidade de pedir asilo″ | Moçambique | DW | 05.07.2021

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Moçambique

Cabo Delgado: "Todos os que cruzam fronteiras devem ter oportunidade de pedir asilo"

Há refugiados moçambicanos repatriados compulsivamente da Tanzânia que chegam em situação débil, revela o ACNUR. A agência reporta, por exemplo, casos de separações de famílias que fogem do terrorismo em Cabo Delgado.

Ntele Montepuez Neuansiedlung

População de Cabo Delgado foge do terrorismo (foto ilustrativa)

Mas o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) garante que protege os refugiados, atribuindo bens essenciais como kits de cozinha, colchões e cobertores. Para além disso, forma ativistas refugiados e a comunidade moçambicana que os acolhe em solo pátrio. Conversámos com a diretora do ACNUR em Cabo Delgado, Margarida Loureiro:

DW África: A Tanzânia tem a obrigação de apoiar emergencialmente os refugiados durante o proceso de repatriamento?

Margarida Loureiro (ML): Da nossa parte, protegemos quem está dentro das fronteiras de Moçambique. Mas todos aqueles que cruzam a fronteira e que querem aceder ao sistema de asilo de outro país, devem ter essa oportunidade, de serem protegidos pelo país a quem pedem asilo.

DW África: Sim, mas essas pessoas são deportadas compulsivamente, já ouviu, por exemplo, o relato de algum moçambicano que diga “neste processo de viagem, a Tanzânia apoiou-nos, deu-nos transporte ou um kit de alimentação até ao destino de viagem”?

ML: Não tenho esse tipo de relato. Os relatos que temos das pessoas que cruzam as fronteiras, é que são transportadas em viaturas, camiões, autocarros, novamente para Moçambique.

Mosambik | Margarida Loureiro und Kindern aus Cabo Delgado

Margarida Loureiro, diretora do ACNUR em Cabo Delgado, num diálogo com deslocados internos

DW África: O que é que o Governo moçambicano está a fazer para ajudar estas pessoas deslocadas?

ML: Estão a trabalhar connosco nessa zona, estão a dar-nos apoio de várias formas. Como se trata de uma zona de difícil acesso, são 14 horas de viagem, com vários “checkpoints”, uma zona de risco, só com as autoridades é que conseguimos levar os nossos camiões com ajuda e com outros parceiros humanitários é que conseguimos estar lá e dar a formação. Temos trabalhado muito de perto com a ação social, guardas de fronteira, polícia local. Todos têm apoiado, porque para eles também lhes causa impacto aquela situação e querem proteger as pessoas. Temos tido a melhor das receções nas fronteiras, a nível humano, por parte das autoridades moçambicanas. Não só das autoridades de fronteira, mas também da ação social para os mais diversos serviços, e também de saúde, que la escasseia. Temos pessoas que chegam num estado de saúde muito frágil, pela fuga e por tudo o que lhes aconteceu em Moçambique.

DW África: Negomane é considerada uma zona de risco de ataques terroristas?

ML: Toda a região de Cabo Delgado está numa situação complicada. O conflito dentro da província está mais a norte. Toda aquela zona desde Palma, Mueda – ainda não temos acesso lá, são zonas de risco, de conflito armado. Qualquer zona onde damos assistência, temos de calcular o risco.

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