Cabo Delgado: Mau tempo destrói e obriga centenas de pessoas a deixarem as suas casas | Moçambique | DW | 27.12.2019
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Moçambique

Cabo Delgado: Mau tempo destrói e obriga centenas de pessoas a deixarem as suas casas

Em Pemba, pelo menos 450 casas foram parcialmente destruídas e outras 60 foram totalmente devastadas pelas chuvas e ventos fortes. Infraestruturas públicas e privadas também ficaram danificadas.

Mosambik Überschwemmung in Pemba (DW/D. Aacleto)

Queda da árvore destruiu esta moradia

A cidade de Pemba, capital provincial de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, esteve desde a noite desta quinta-feira (26.12) até a madrugada desta sexta-feira (27.12) debaixo de chuvas e ventos fortes. O mau tempo, que atingiu a sua intensidade ao longo da madrugada desta sexta-feira, resultou na destruição de diversas habitações deixando várias famílias sem abrigo.

Um total de 510 casas foram afetadas em Pemba, disse à agência Lusa fonte do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC).

"Deste número, 450 casas foram parcialmente destruídas e outras 60 foram totalmente devastadas. Mas este são dados preliminares", disse a delegada do INGC em Cabo Delgado, Elisete da Silva. 

As autoridades continuam a contabilizar os estragos.

Mosambik Überschwemmung in Pemba | Ana Bilal (DW/D. Aacleto)

Ana Bilal

Desespero dos afectados

As chuvas inundaram os bairros de Natite, Cariacó, Josina Machel, Eduardo Mondlane e Paquitequete.

Surpreendidas com enchentes, algumas famílias viram-se obrigadas a procurar refúgio em zonas mais seguras, deixando todos os seus pertences submersos.

"Estava dentro de casa quando, de repente, comecei a sentir muita ventania. Levantei-me e saí para fora, estou a ver a água a encher," recorda Belito Alfredo, do bairro de Natite.

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Cabo Delgado: Mau tempo destrói e obriga centenas de pessoas a deixarem as suas casas

"Algumas coisas consegui pôr em cima, outras deixei aí mesmo em baixo [d'água]. O que consegui levantar era televisor e cama, outras coisas molharam-se," lamenta.

A família de Belito Alfredo, composta por sete membros, antevê uma vida difícil pela frente e o único recurso que lhe resta é a solidariedade da vizinhança.

"Não tenho como [fazer]. Vou pedir às vizinhas para poder dormir aí porque ali pode passar uma semana sem que aquela água acabe," considera.

Ana Bilal, viúva e responsável por uma família de cinco pessoas, teve a sua casa destruída como consequência da queda de uma árvore. Perante os microfones da DW África, não conseguiu conter as lágrimas, já antevendo um futuro incerto que lhe espera.

"Eram por volta das quatro horas e estávamos a dormir, quando a árvore caiu sobre o telhado. Retirei as crianças com muita pressa, mas acabei ficando ferida. Não consegui tirar mais nada," descreve.

Mosambik Überschwemmung in Pemba (DW/D. Aacleto)

Muitas pessoas deixaram as suas casas em busca de segurança

Situação sob controlo

O mau tempo assolou também os distritos de Mocímboa da Praia, Macomia, Quissanga, Metuge, Mecúfi, Ancuabe, Chiúre, Meluco, Muidumbe, Mueda, Balama e Montepuez, tendo provocado a interrupção do fornecimento da energia eléctrica por algumas horas.

As autoridades locais referem que não houve registo de vítimas mortais. Citado pela Rádio Moçambique, o edil de Pemba, Florete Simba Motarua, garante que está tudo controlado.

"As pessoas não precisaram de ser reassentadas. Foram às casas das famílias. Não havia necessidade de nós reabrirmos um centro transitório para pôr esses munícipes e a situação está controlada," afirma.

"Não temos perda de vidas humanas, infraestruturas públicas: temos a nossa escola com cinco salas destruídas, que o teto voou. Em termos de vias de acesso, não temos grandes problemas. Tivemos restrições em algumas zonas, porque alguns paus [troncos e galhos de árvores] e postes de energia tinham sido derrubados pelo vento," relata.

Em Nampula, de acordo com o delegado do INGC naquela província, Alberto Armando, não houve registo de danos, na medida em que o regime da chuva que caiu foi fraco e moderado.

"Vamos continuar a acompanhar a situação porque a previsão indica para mais chuva nas próximas horas", disse à Lusa Alberto Armando.

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