Angola: Sedrick de Carvalho reacende debate sobre Cabinda | Angola | DW | 09.04.2018

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Angola

Angola: Sedrick de Carvalho reacende debate sobre Cabinda

O jornalista angolano Sedrick de Carvalho quer estimular um debate na sociedade sobre o estatuto administrativo do território de Cabinda, rico em petróleo. Por isso apresenta o livro "Cabinda - Um território em disputa".

O jornalista angolano Sedrick de Carvalho defende que é necessário aprofundar o debate sobre o futuro político de Cabinda. Autonomia ou independência são modelos reivindicados por várias figuras angolanas, mas nunca se chegou a consensos.

"O modelo de autonomia tem sido reivindicado por várias personalidades, com destaque para o padre Raúl Tati, e não tem sido adotado pelo regime angolano", lembra o jornalista em entrevista à DW África.

Assistir ao vídeo 03:40

A luta diária do jornalismo independente em Angola

Para o autor, "há um horizonte favorável para a questão da autonomia, mas, entretanto, a geração mais jovem começa a perceber que esse também não é o caminho". 

Sedrick de Carvalho considera que não há avanços porque se "saiu de um extremo, que é a manutenção do território, para outro, que é a independência, pois o meio-termo, a autonomia, não foi implementado."

Contra "pressões externas"

Recentemente, os independentistas da Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC) pediram a Portugal para assumir responsabilidades naquele enclave. No entanto, mais de 40 anos depois da independência de Angola, o Sedrick de Carvalho entende que, após o Tratado de Simulambuco assinado a 1 de fevereiro de 1885, já não faz sentido pedir responsabilidades a Portugal como antigo país colonizador: "Atribuir esta responsabilidade à antiga colónia dá a Portugal um certo poder, [...] que, de facto, já não tem".

Ouvir o áudio 03:30

Sedrick de Carvalho reacende debate sobre Cabinda

O autor considera que "as questões nacionais de qualquer país não devem ser resolvidas à base de pressões externas".

Disputa de Cabinda ofuscada

Sedrick de Carvalho apresenta esta segunda-feira (09.04.), em Lisboa, o livro "Cabinda - Um território em disputa" - uma "disputa militar" que "as autoridades angolanas têm conseguido ofuscar", segundo o jornalista.

O livro, editado pela Guerra e Paz, já está disponível nas livrarias portuguesas e conta com contribuições de várias figuras angolanas, incluindo o historiador Alberto Oliveira Pinto, o jurista Francisco Luemba e o ex-primeiro-ministro Marcolino Moco. E para o autor do livro, "é necessário trazer esta visão sobre o que acham de Cabinda e do porquê desta postura sobre Cabinda", diz.

Karte Angola mit den 18 Provinzen Portugiesisch

Diálogo pacífico

Segundo Sedrick de Carvalho, o contributo destas figuras para o avanço do processo de independência ou autonomia do enclave parte do pressuposto de que "é preciso dialogar de forma pacífica" sobre a questão pendente relativamente ao futuro político de Cabinda" porque, explica o autor, "os limites geo-políticos dos territórios africanos foram ditados na conferência de Berlim de 1885".

"E era necessário a visão que o doutor Marcolino Moco traz para rever, afinal de contas, o que é um território angolano, o que um território Cabinda", sublinha.

A motivação para escrever o livro surgiu quando estava na cadeia em Luanda, depois do processo judicial que condenou o grupo dos 15+2 ativistas por alegado atentado contra a segurança do Estado. Decidiu publicar porque "o seu debate é um debate isolado e era necessário quebrar este vazio. Daí que, enquanto jovem, achei que era necessário motivar a juventude a entrar neste debate."

Depois deste livro, Sedrick de Carvalho espera publicar as memórias do tempo em que passou nas cadeias de Luanda juntamente com os seus companheiros ativistas, presos e condenados sob a acusação de terem planeado um golpe de Estado. Foram detidos quando liam o livro "Da Ditadura à Democracia", da autoria do norte-americano Gene Sharp, inspirador das revoluções da chamada "Primavera Árabe".

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