Angola: Queda na produção de petróleo e falhanço do PIIM prolongam recessão | Angola | DW | 01.09.2021

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Angola

Angola: Queda na produção de petróleo e falhanço do PIIM prolongam recessão

CEIC indica recessão de 2% na economia angolana, que continua estagnada há 12 anos. Relatório aponta que queda na produção diária de petróleo e falhanço do PIIM estariam a contribuir para o desempenho negativo.

A população do segundo maior produtor de petróleo de África está cada vez mais pobre e caminha para o sexto ano consecutivo de recessão economia. Esta é a conclusão do Relatório Económico 2019-2020 do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola, apresentado nesta terça-feira (31.08) em Luanda. 

O CEIC previa que, contrapondo-se à redução da produção do petróleo, o Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) pudesse contribuir para o crescimento da economia. Entretanto, dois anos após o lançamento do PIIM, pelo Presidente da República João Lourenço, os indicadores atuais demonstram claramente que a economia angolana continua em "queda livre".

Os dados do modelo macroeconómico do CEIC preveem recessão na ordem dos 2%. A queda na produção diária de petróleo e o falhanço do PIIM estariam a contribuir para este desempenho negativo.

"O PIIM poderia dar uma nova dinâmica especialmente nos setores das obras públicas e na indústria transformadora no que diz respeito a produção de cimento, mas não estamos a ver sinais claros de que o PIIM vai contribuir para o setor económico - apesar dos montantes que o Governo disponibilizou do Fundo Soberano de Angola para investir no PIIM", avalia Francisco Paulo, investigador sénior do CEIC.  

Alves da Rocha in Luanda

Alves da Rocha: "Desde 2009, estamos a assistir a uma desaceleração estrutural"

Estagnação de 12 anos

O coordenador da equipa do CEIC, o economista Manuel Alves da Rocha, sublinha que os ciclos económicos revelam que a economia angolana encontra-se estagnada há 12 anos.    

"Esta crise económica é desde 2009, não é de agora. Não é de 2014, com a queda [do preço do petróleo]. Nós não fomos capazes de conciliar políticas e colocar-se num país de uma trajetória dinâmica. Nós, desde 2009, estamos a assistir a uma desaceleração estrutural das dinâmicas de investimentos em Angola", diz Alves da Rocha.  

Wilson Chimoco, economista e investigador do CEIC, diz que pouco ou nada tem sido feito em nível de crescimento económico "muito mais robusto e fora do setor petrolífero, que crie mais riqueza, crie mais emprego e reduza os níveis de desigualdades que pais vem assistindo”.  

Em entrevista ao semanário Novo Jornal, a ministra das Finanças, Vera Daves, disse: "Se o setor petrolífero se movimentar contra nós, toda a economia entra em stress.  O tema da diversificação económica é fundamental para nos ajudar na sustentabilidade da dívida". 

Angola Platz Largo da Mutamba in Luanda

Ministério das Finanças quer diversificação económica

Pouca ampliação industrial 

Francisco Paulo lembra que "o setor não petrolífero está numa situação critica" e que poucas indústrias foram construídas tendo como atenção a matéria-prima local. "Para produzir refrigerante toda polpa é importada. Isso é mau, isso aumenta o nível da pobreza porque, se as nossas previsões se concretizarem, 2021 será o sexto ano de recessão económica. É muito tempo de não crescimento económico", alerta.   

Segundo maior produtor de petróleo na África subsaariana, Angola enfrenta as consequências da redução na produção e descida dos preços do petróleo e o impacto das medidas de combate à pandemia da covid-19. A sustentabilidade da dívida externa é outra dor de cabeça.

O economista Wilson Chimoco sugere uma renegociação da dívida pública externa, fundamentalmente com a China, o principal credor. "Além de ver-se a possibilidade do alongamento dos prazos, ver-se também a negociação das taxas de juros aplicados a essas dividas de modo que - num espaço fiscal mais considerável, nos orçamentos Geral do Estado dos próximos anos –o Estado possa realizar despesas consistentes", diz 

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