Águas revoltas entre Malawi e Tanzânia vão correr na cimeira de Maputo | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 15.08.2012
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Internacional

Águas revoltas entre Malawi e Tanzânia vão correr na cimeira de Maputo

A intensa vasculha de hidrocarbonetos está a agudizar tensões entre o Malawi e a Tanzânia. A sede de recursos naturais pode desencadear situações graves, mas não a guerra, considera o analista político Patrício José.

Lago Niassa

Lago Niassa

Palavras duras, ameaças e tensões caraterizam, atualmente, as relações entre os vizinhos Malawi e Tanzânia, por causa do gás e petróleo. O Malawi, que partilha o Lago Niassa com a Tanzânia e Moçambique, decidiu fazer aí a prospeção de hidrocarbonetos sem o consentimento dos seus vizinhos. As autoridades de Dar-es-Salam, cidade onde está sedeado o governo tanzaniano, já exigiram a Blantyre, o principal centro financeiro do Malawi, a interrupção do processo, mas o vizinho faz ouvidos de mercador.

Apesar da crispação, Patrício José, reitor do Instituto de Relações Internacionais em Moçambique, é brando na sua análise: “ pessoalmente não quero acreditar numa guerra, mas que vai criar instabilidade nas relações entre os dois países, isso é verdade. Ou então pode vir a reativar problemas latentes, que as diferentes conjunturas pelas quais passamos ainda não os tinham colocado na mesa".

Com certeza este é um dos temas quentes que dominará a cimeira da SADC, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, a ter lugar em Maputo, a capital moçambicana, de 17 a 18 deste mês. Como tem sido habitual, o ponto de vista da organização só será comunicado depois de um encontro concertado entre os membros.

Presidente da Tanzânia, Jakaya Kikwete

Presidente da Tanzânia, Jakaya Kikwete

Face à sede e à necessidade do dinheiro proveniente dos recursos energéticos, o analista Patrício José acredita numa solução, “aliás estamos a investir muita energia nisso. E acredito que a cimeira de Maputo vai ter momentos de debate bastante aberto e de muita honestidade no diálogo, de forma a ultrapassar isso”, refere.

Entretanto, esta quarta-feira(14.08), o secretário-executivo da SADC, Tomaz Salomão, apelou ao Malawi e à Tanzânia para terem bom senso na disputa sobre o Lago Niassa, defendendo que "em circunstância nenhuma deve ser opção o recurso à guerra".  

De referir que, este apelo vem na sequência do facto de, nos últimos dias, autoridades do Malawi e da Tanzânia terem afirmado que estão prontas para a guerra por causa do Lago Niassa, palco de pesquisas de recursos naturais por parte do governo malawiano. Estima-se que haja grandes reservas de petróleo e de gás.

Recorde-se que o Malaui reivindica como seu todo o Lago Niassa, o terceiro maior do continente africano, exceto o que está delimitado por Moçambique, enquanto a Tanzânia defende uma fronteira a meio das águas que separam os dois países.  
 
Boas vizinhanças geram estabilidade  

De lembrar que a questão energética é o motor de muitas discórdias e guerras no mundo, que são de difícil solução. O exemplo do Sudão que disputa com o Sudão do Sul uma área petrolífera não está muito longe do que se passa na SADC.

Presidente do Malaui, Joyce Banda

Presidente do Malaui, Joyce Banda

Na opinião do reitor do Instituto de Relações Internacionais em Moçambique, “a descoberta dos recursos energéticos constitui um desafio enorme para a governação de cada país e para a condução de uma política externa regional para todos os países”, tanto da região da África Austral como de todo o continente.

Nesse sentido, prossegue Patrício José, a riqueza energética deve ser vista como “um potencial para o desenvolvimento de cada um dos países e de todos os Estados da região. Não interessa a nenhum Estado da região ver o outro [Estado] pobre, porque isso acabará por criar instabilidade social nos vizinhos”.

A atuação do Malawi tem merecido algumas críticas na região. O seu relacionamento com os vizinhos nunca foi bom, já desde o tempo colonial. Com Moçambique, por exemplo, mantém uma tensão porque quer a todo custo navegar no rio Chire, que passa pelos dois países, sem antes fazer um estudo de viabilidade e sem a autorização de Maputo.

Agora toca a vez a Tanzânia que descartou os discursos diplomáticos. O analista Patrício José considera que “a classe política malauiana tem de amadurecer muito a sua política regional para que possa conviver com os seus vizinhos, porque isso também é do seu interesse".

O Malawi e a Tanzânia acordaram reunir-se a 20 de agosto, em Mzuzu, no norte do Malawi, mas, ainda antes disso, terão oportunidade para se encontrarem durante a cimeira da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, a 17 e 18 de agosto em Maputo.  

Ouvir o áudio 03:25

Crescente crispação entre Malaui e Tanzânia será tema quente na cimeira de Maputo

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