África do Sul: Ramaphosa afasta aliados de Zuma na formação do seu Governo | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 27.02.2018

Conheça a nova DW

Dê uma vista de olhos exclusiva à versão beta da nova página da DW. Com a sua opinião pode ajudar-nos a melhorar ainda mais a oferta da DW.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Internacional

África do Sul: Ramaphosa afasta aliados de Zuma na formação do seu Governo

Numa tentativa de apaziguar as várias facções do Congresso Nacional Africano, o Presidente da África do Sul demitiu vários aliados de Zuma. No entanto, manteve outros nomes ligados à corrupção, acusa a oposição.

Onze dias após ter assumido o poder na África do Sul, o novo Presidente do país, Cyril Ramaphosa, deu a conhecer o seu novo Governo. Na lista das escolhas do novo Presidente da África do Sul há algumas novidades. Nomes que foram riscados por se considerarem muito próximos a Jacob Zuma, ministros que voltam a assumir pastas depois de terem sido afastados do Governo antecessor e novas caras. Ao todo, são cerca de 30 as alterações levadas a cabo. Mas, conseguirá Cyril Ramaphosa agradar a gregos e troianos?

Duas das nomeações mais comentadas são as de dois ex-ministros das Finanças: Nhlanhla Nene e Pravin Gordhan. Os dois foram, no passado, demitidos do Governo de Zuma. O regresso de ambos é, no geral, visto com satisfação.

Nhlanhla Nene Afrika Finanzminister Südafrika

Nhlanhla Nene tinha sido afastado do Governo de Zuma em 2015

Nhlanhla Nene volta para re-assumir a pasta das Finanças, uma notícia que criou uma enorme confiança no mercado financeiro. Já Pravin Gordhan será ministro das Empresas Públicas - algumas das quais estão à beira do colapso devido à corrupção grave que assolou o país durante anos.

Analistas afirmam que, depois da nomeação destes dois novos membros, o Rand se manteve estável em relação ao dólar dos Estados Unidos da América.

Depois do novo gabinete ter sido tornado público, esta segunda-feira (26.02), o Presidente Ramaphosa pediu à nação uma oportunidade. "Ao fazer estas mudanças, tenho sido muito cauteloso quanto à necessidade de equilibrar a estabilidade do país com a necessidade de renovação, recuperação económica e transformação acelerada", afirmou.

Oposição critica escolhas

Numa tentativa de apaziguar as várias facções do Congresso Nacional Africano (ANC) - o partido no poder - Ramaphosa anunciou o afastamento de vários aliados do seu antecessor Jacob Zuma. O que por si só não bastou para agradar a todos. 

O Presidente Ramaphosa escolheu o atual presidente da província de Mpumalanga, David Mabuza, para seu vice-presidente.

Malusi Gigaba neuer Finanzminister Südafrika

Malusi Gigaba, até aqui ministro das Finanças, foi transferido para o ministério dos Assuntos Internos

Malusi Gigaba, até aqui ministro das Finanças e fortemente criticado pelas suas ligações à família Gupta, foi transferido para o ministério dos Assuntos Internos. E o ex-ministro do Desenvolvimento Social, Bathabile Dlamini, dirige agora o ministério das Mulheres. Também a ex-mulher do ex-Presidente, Nkosazana Dlamini-Zuma, foi nomeada ministra da Presidência, responsável pelo planeamento.

O ministério dos Negócios Estrangeiros ficará nas mãos de Lindiwe Sisulu, que se retirou da corrida à liderança do ANC no ano passado.

Mbuyiseni Ndlozi, porta-voz do partido Freedom Freedom Fighters, critica as alterações. A oposição "rejeita categoricamente uma remodelação de pessoas que presidiram a captura do Estado”- termo usado no país para se referir às relações entre o ex-presidente Zuma e a família Gupta. Para o porta-voz do partido Freedom Freedom Fighters, estas alterações provam que "Cyril Ramaphosa é um Presidente fraco” e que se "deixou levar pela pressão das facções” do ANC.

Já o analista político Livhuwani Ndou entende que, da mesma forma que Ramaphosa afastou alguns ministros - como David van Rooyen e Mosebenzi Zwane, alegadamente ligados a casos de corrupção -, também teve que agradar outra facção do seu partido que não o apoiava.

Ouvir o áudio 03:29

África do Sul: Ramaphosa afasta aliados de Zuma na formação do seu Governo

"Acho que há certas pessoas que Ramaphosa não gosta mas que incluiu no gabinete. Talvez pela manutenção da unidade no ANC”, começa por afirmar o analista, acrescentando que o novo Presidente "tem que tentar fazer o melhor para acomodar aqueles que dentro do partido não o apoiaram. Há áreas nas quais o Presidente se comprometeu e tem estado muito bem”.

Esta terça-feira (27.02), Cyril Ramaphosa garantiu aos líderes tradicionais que quer ver resolvido, de imediato, o problema da reforma agrária. No entanto, a forma como o vai fazer continua a ser um desafio, agora da responsabilidade dos ministros recém-nomeados.Os analistas já avisaram que tomar posse das terras sem compensação, como exigido por alguns, prejudicará a economia.

A par com a reforma agrária, o novo Governo de Ramaphosa terá como desafios a estabilização do mercado financeiro, o combate à corrupção, a criação de emprego e o aumento da confiança dos investidores.

Assistir ao vídeo 03:20

Quem é o novo Presidente da África do Sul?

Leia mais