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"É meu acordo ou acordo nenhum", diz May sobre o Brexit

17 de setembro de 2018

Premiê diz que não haverá alternativa caso parlamentares britânicos não aprovem seus planos para o pacto com a UE sobre a saída do bloco. FMI alerta que tal cenário traria altos custos para o país.

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Primeira- ministra britânica, Theresa May
"Este debate não é sobre o meu futuro, este debate é sobre o futuro do Reino Unido", diz MayFoto: picture-alliance/AP Photo/M. Dunham

A primeira-ministra britânica, Theresa May, lançou um alerta nesta segunda-feira (17/09) aos rebeldes de sua legenda, o Partido Conservador. Ela afirmou que se não apoiarem o acordo que seu governo negocia com a União Europeia (UE) sobre o Brexit – o chamado plano Chequers – terão de enfrentar um cenário potencialmente caótico, sem um pacto que estabeleça as condições para a saída do Reino Unido do bloco europeu e as futuras relações entre as duas partes.

"Acho que a alternativa a isso seria não termos um acordo", disse May em entrevista à emissora britânica BBC. 

A saída oficial do Reino Unido da União Europeia está marcada para 29 de março de 2019, mas as duas partes ainda estão longe de um acordo total, enquanto alguns membros do partido governista britânico ameaçam votar contra um possível pacto.

A proposta de May para o Brexit precisará ser aprovada pela câmara baixa do Parlamento, mas ainda é incerto se ela conseguirá os 320 votos necessários. Ela diz acreditar que, caso consiga um acordo com os europeus, os parlamentares acabarão aprovando o acordo.

Britânicos e europeus esperam finalizar as negociações sobre o acordo do Brexit em outubro de modo a garantir o tempo necessário para que o texto seja ratificado pelos parlamentos britânico e europeu. Restam, porém, algumas questões em aberto, como a definição do status da fronteira entre a Irlanda do Norte, que integra o Reino Unido, e a República da Irlanda, país-membro da UE.

May defendeu que deve haver "movimentação de bens sem atritos" entre o Reino Unido e a UE na Irlanda, ou seja, sem alfândegas e verificações regulatórias, para evitar que seja instaurada uma fronteira rígida no país.

Uma reportagem do jornal britânico The Times afirma que a UE se prepara em sigilo para aceitar uma fronteira livre na Irlanda. A movimentação de bens entre o território britânico, Irlanda do Norte e Irlanda "poderia ser controlada com a utilização de códigos de barras nos contêineres sob esquemas de 'trusted-traders' ('operadores confiáveis') administrados por empresas registradas", removendo a necessidade de uma fronteira rígida, afirma o diário, citando fontes diplomáticas confidenciais. A medida seria semelhante ao que já ocorre entre a Espanha e as Ilhas Canárias.

May propõe um chamado Brexit suave, que manteria o Reino Unido alinhado com as regulamentações da UE após o Brexit em troca do livre comércio entre as duas partes e da abertura da fronteira com a Irlanda, o que não agrada muitos dos membros da base conservadora.

O ex-secretário britânico para o Brexit David Davis e o ex-ministro do Exterior Boris Johnson estão entre os que defendem um rompimento total com a UE ao invés do acordo que está sendo negociado pelo governo.

May criticou Johnson por se opor a seu plano para o Brexit. Durante a entrevista à BBC, ela insistiu que está concentrada em trabalhar pelo futuro do país depois da saída britânica da UE.

"Sinto-me um pouco irritada, mas este debate não é sobre o meu futuro, este debate é sobre o futuro do povo do Reino Unido e o futuro do Reino Unido", afirmou a premiê. "É nisso que estou concentrada, e é nisso que todos nós deveríamos estar concentrados", acrescentou May.

A líder conservadora ressaltou que o mais importante é fechar um "bom acordo" com a UE, que seja vantajoso para os britânicos de todas as regiões do país.

May também criticou o linguajar utilizado por Johnson para rejeitar o plano Chequers, ao compará-lo com um imaginário colete suicida, que explodiria o Reino Unido, mas cujo detonador é entregue à UE.

"Devo dizer que a escolha do linguajar é totalmente inadequada. Eu fui ministra do Interior durante seis anos e primeira-ministra por dois anos e acredito que utilizar um linguajar como esse não é correto", afirmou.

A primeira-ministra insistiu que Chequers é o único plano que fará a vontade dos britânicos e, ao mesmo tempo, evitará uma fronteira rígida na Irlanda.

FMI alerta contra falta de acordo

Líderes do setor empresarial e investidores temem que aspectos políticos possam minar o futuro acordo, jogando a quinta maior economia do mundo em um cenário caótico que poderia enfraquecer o Ocidente, abalar o mercado financeiro e bloquear as artérias do comércio internacional.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que a falta de um acordo para o Brexit poderá gerar uma forte retração econômica. "Espero muito e rezo para que haja um acordo entre a UE e o Reino Unido", disse Christina Lagarde, diretora-gerente da instituição.

Ela rebateu as afirmações de alguns opositores de May, de que a falta de um acordo seria algo preferível, uma vez que o país se veria livre para negociar novos acordos comerciais em todo o mundo.

"Todos os prováveis cenários do Brexit trarão custos para a economia britânica", afirmou, acrescentando que, no entanto, uma saída desordenada traria efeitos "significativamente piores". Segundo o FMI, até mesmo um acordo satisfatório resultaria em novas barreiras comerciais.

Lagarde diz que qualquer que seja o acordo, não poderá ser tão bom quanto os benefícios dos quais o Reino Unido goza atualmente, como parte integrante da zona de livre comércio com outros 27 países da UE. A falta de um pacto "iria impor custos muito altos para a economia britânica", disse.

O ministro britânico das Finanças, Philip Hammond, sugeriu que o governo preste atenção aos alertas do FMI. O fundo prevê crescimento de 1,5% da economia britânica tanto em 2018 e em 2019, uma queda em relação ao 1,75% dos anos 2016 e 2017.

Segundo o FMI, o Reino Unido se retraiu em relação com os demais países do G7 desde o referendo de 2016 que resultou na decisão de deixar a UE. As incertezas no futuro do ambiente de negócios levaram a uma retenção dos investimentos no país. Além disso, a queda da libra esterlina desacelera o crescimento em termos de renda e consumo.

Caso britânicos e europeus não cheguem a um acordo até março de 2019, a questão estará sujeita às regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), que especifica as regulamentações alfandegárias e de fronteira para quaisquer negócios com a UE.

RC/rtr/efe/lusa/ap

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