Reino Unido detalha planos para Brexit suave | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 12.07.2018
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Europa

Reino Unido detalha planos para Brexit suave

Documento prevê relações econômicas estreitas com a UE e livre circulação de profissionais qualificados e estudantes. "Soft Brexit" desagrada Trump e eurocéticos, enquanto May espera avançar nas negociações com Bruxelas.

Theresa May

May argumenta que seu plano é única maneira de evitar fechamento da fronteira entre as Irlandas

O governo da primeira-ministra britânica, Theresa May, divulgou nesta quinta-feira (12/07) seu tão aguardado projeto para as futuras relações do Reino Unido com a União Europeia (UE) – que provocou divisões em Londres e pode enfrentar resistência também no bloco europeu.

O documento de 98 páginas prevê manter o Reino Unido no mercado de bens de consumo e produtos agrícolas após o Brexit, mas sem relações estreitas no setor de serviços, que inclui os bancos e o setor financeiro e responde por 80% da economia britânica.

O texto fala num "esquema facilitado de alfândegas", que faria com que o país e os 27 Estados-membros da UE funcionassem como um "único território alfandegário".

Segundo o novo negociador-chefe britânico do Brexit, Dominic Raab, isso permitirá a continuidade de um "comércio sem atritos", evitando ao mesmo tempo a imposição de controles na fronteira, incluindo entre a Irlanda e a Irlanda do Norte, já que a primeira é membro da UE.

Anteriormente May já havia argumentado que seu plano é a única maneira de evitar o fechamento da fronteira entre as Irlandas, atendendo assim a uma exigência central dos negociadores da Comissão Europeia.

Em questões de segurança, Londres ressaltou seu "compromisso incondicional" com a defesa do continente e propôs uma nova associação na qual poderiam ser compartilhados soldados e seriam criados mecanismos para a coordenação de ministros do Exterior e da Defesa.

O projeto ainda traz detalhes sobre a movimentação de pessoas entre os países, deixando claro que a livre circulação será abolida ao fim do processo de transição do Brexit, em dezembro de 2020, mas sugerindo um novo sistema de controle migratório.

Segundo a proposta, o Reino Unido está disposto a permitir que cidadãos da UE viajem livremente ao país sem a necessidade de visto para fins de turismo e trabalho temporário, além de prever a livre circulação no caso de trabalhadores altamente qualificados e estudantes.

É necessário reconhecer "a profundidade das relações e os laços estreitos entre os povos do Reino Unido e da União Europeia", afirma o documento.

"A nossa proposta é abrangente. É ambiciosa. E garante o equilíbrio de que precisamos – entre direitos e obrigações. Com ela, deixaríamos a UE sem sair da Europa", escreveu May no prefácio, admitindo ainda que a questão "requer pragmatismo e compromisso de ambos os lados".

O documento foi apresentado a Bruxelas, com quem May pretende destravar as negociações sobre as relações entre a UE e o Reino Unido após este deixar o bloco, daqui a menos de nove meses. O plano, no entanto, pode enfrentar resistência entre os europeus, que anteriormente já sinalizaram não concordar com esse tipo de proposta, visto como "ficar só com o melhor".

Críticas ao plano

O plano de um Brexit mais suave, defendido pela líder britânica, foi definido pelos ministros do governo na sexta-feira passada, em Chequers, após os esforços da chefe de governo por um consenso dentro de um gabinete altamente dividido sobre a questão.

O projeto, no entanto, foi muito criticado por eurocéticos e levou à renúncia nesta semana de dois importantes membros do gabinete de May: o então negociador-chefe do Brexit, David Davis, e o ministro do Exterior, Boris Johnson – um dos rostos da campanha pela saída da UE.

O chamado soft Brexit desagrada a muitos conservadores, que veem as propostas apresentadas por ela como concessões demasiadas. Para Johnson, o plano da premiê britânica vai transformar o Reino Unido numa colônia da União Europeia.

Logo após a divulgação do documento nesta quinta-feira, parlamentares que defendem um divórcio mais duro, os chamados hard Brexiters, foram rápidos em condenar os planos de Londres de um Brexit suave.

Trump não está satisfeito

O presidente americano, Donald Trump, também deu sua opinião. Em coletiva de imprensa em Bruxelas antes de partir para sua primeira viagem oficial ao Reino Unido, o líder questionou se a proposta de May está em linha "com o que foi votado" pela população britânica em referendo sobre a saída ou permanência na UE em junho de 2016.

"Brexit é Brexit", frisou Trump, acrescentando, porém, que os planos estariam saindo "um tanto diferentes" se o Reino Unido permanecer "parcialmente envolvido" com a União Europeia. "Talvez eles estejam tomando um caminho diferente", afirmou.

Questionada sobre os comentários do presidente dos Estados Unidos, a premiê britânica defendeu que seu projeto "entrega absolutamente o Brexit pelo qual as pessoas votaram".

Mais tarde, quando Trump já estava em Londres para um jantar com May nesta quinta-feira, uma entrevista do líder ao jornal The Sun revelou comentários ainda mais duros sobre a questão.

Segundo o americano, a primeira-ministra está destruindo o processo de saída do Reino Unido da União Europeia e, com seu soft Brexit, provavelmente "matou" as chances de um acordo de livre-comércio com os Estados Unidos após o divórcio.

Ao jornal britânico, Trump disse ainda que deu conselhos a May sobre como conduzir as negociações do Brexit, mas "ela não o ouviu". "Ela deve negociar da melhor maneira que souber. Mas é muito ruim o que está acontecendo", afirmou o presidente. Segundo o The Sun, a entrevista foi conduzida nesta quinta-feira em Bruxelas, antes de o líder partir para Londres.

EK/afp/ap/efe/lusa/rtr

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