Vale do Ruhr abriga único museu do mundo dedicado à arte da luz | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 31.10.2009
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Cultura

Vale do Ruhr abriga único museu do mundo dedicado à arte da luz

Antiga cervejaria da cidade alemã de Unna abriga o Centro Internacional da Arte da Luz, único museu do mundo especializado nessa arte perceptiva. Doze renomados artistas internacionais expõem lá seus trabalhos.

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'Floater 99', instalação de James Turrell em Unna

Situado no prédio da Lindenbrauerei, antiga cervejaria da cidade alemã de Unna, o Centro Internacional de Arte da Luz é o primeiro e único museu do mundo a se dedicar exclusivamente a essa corrente da arte contemporânea, que surgiu nos anos 60 e se baseia na percepção da luz e do espaço.

O espaço em Unna possui 2,4 mil metros quadrados de área de exposição subterrânea. Artisticamente encenados, os corredores labirínticos, câmaras frias e caldeiras abrem novos horizontes,ao observador, segundo os organizadores do museu.

Mistério e glamour

Zentrum für internationale Lichtkunst Unna

'Space Speach Speed' de Mischa Kuball

A mostra permanente reúne instalações de doze artistas de renome internacional, entre eles, Christan Boltanski, Rebecca Horn e James Turrell, feitas exclusivamente para o museu. Na instalação do artista Mischa Kuball, de Düsseldorf, pontos de luz giratórios espalhados por todos os lados fazem a dimensão do espaço desaparecer.

Kuball denominou seu trabalho de Space Speech Speed (Espaço Discurso Velocidade). Projetadas em globos espelhados, as palavras se despedaçam em incontáveis fragmentos, jogadas contra as paredes.

"Com esse trabalho, Kuball faz referência aos novos meios de comunicação que mudaram completamente o mundo nos últimos tempos", disse Imke Tietje, que guia grupos de visitantes pelo museu. "O mundo se movimenta através de celulares e internet. Todos estão disponíveis, a qualquer hora e em qualquer lugar. Fronteiras são superadas e tudo isso se reflete nesse espaço", acresceu.

Assim como os visitantes, Imke Tietje também se torna parte da instalação, já que tanto ela quanto os demais servem de superfície de projeção para os pequenos pontos de luz. Caso a luz fosse desligada, restariam apenas as paredes não restauradas – a luz é a única responsável pela magia do espaço, seu mistério e glamour.

Zentrum für internationale Lichtkunst Unna

Instalação 'Schlohweiss und Rabendschwarz' de Christina Kubisch

Condições ideais

O passeio continua através de corredores de pé-direito alto, que se ramificam em outros corredores, passando por escadas e pequenas pontes. A luz é escassa nas entranhas da antiga cervejaria, que foi fundada no século 19 mas fechou as portas há 30 anos, quando o último carregamento de cerveja deixou a empresa.

A princípio, não se sabia que uso dar aos prédios vazios. "A ideia de trazer a arte da luz para cá foi por ela ser umas das formas mais inovadoras de arte", explicou a curadora do centro, Ursula Sinnreich.

No vasto labirinto de porões, os objetos artísticos puderam receber a dimensão que merecem. Cada instalação pôde reivindicar para si um espaço próprio de exposição no museu, inaugurado em maio de 2001.

As condições ideais sob as abóbadas subterrâneas da antiga cervejaria atraíram artistas de renome internacional, como James Turrell e Joseph Kosuth. E, de repente, a pequena cidade de Unna, na região do Vale do Ruhr, passou a sediar o primeiro museu dedicado exclusivamente à arte da luz.

Cortina de água

Em um dos espaços do museu, o artista dinamarquês Olafur Eliasson utilizou forte luz estroboscópica para produzir uma profusão de flashes, como em uma discoteca.

Os visitantes atravessam uma ponte ladeada por duas cortinas de água que parecem imóveis. O ritmo da luz estroboscópica está sintonizado com as gotas cadentes, dando a impressão de que pairam no ar.

Zentrum für internationale Lichtkunst Unna

Instalação 'Tunnel of Tears for Unna' de Keith Sonnier

Dica especial

Cada espaço oferece novas impressões sensoriais, seja através de tubos de neon coloridos ou do jogo de sombras na parede. A visita dura uma hora e meia e atrai principalmente pessoas da região.

Segundo a curadora da mostra, a presença de visitantes internacionais é menor, tratando-se, em sua maioria, de amantes da arte. "O que queremos alcançar, naturalmente, é que um espectro maior de pessoas venha nos visitar. Como na documenta de Kassel, onde muitos visitantes não são necessariamente especialistas em arte."

Os organizadores querem que o Centro Internacional da Arte da Luz não seja um segredo de entendidos do assunto. Para tanto, apostam especialmente no ano de 2010, quando a vizinha Essen e o Vale do Ruhr serão capital cultural da Europa.

Autor: Sola Hülsewig/Carlos Albuquerque

Revisão: Rodrigo Rimon

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