Obama evoca nazismo para alertar sobre fragilidade da democracia | Notícias internacionais e análises | DW | 09.12.2017
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Mundo

Obama evoca nazismo para alertar sobre fragilidade da democracia

Ex-presidente dos EUA diz que complacência dos eleitores pode levar a eventos como a Segunda Guerra Mundial. "É preciso estar atento e ir às urnas", afirma. Conservadores acusam democrata de comparar Trump a Hitler.

O ex-presidente Barack Obama

O ex-presidente Barack Obama durante uma conferência em Chicago na terça-feira passada

O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama recordou a ascensão do nazismo na Alemanha no século passado para fazer um alerta à sociedade americana sobre a fragilidade da democracia.

"Ficamos complacentes e achamos que as coisas continuam sendo como sempre foram, de maneira simplesmente automática, mas elas não continuam", afirmou Obama durante uma conferência em Chicago no início da semana, que veio à tona na imprensa somente neste sábado (09/12).

O ex-líder democrata ainda falou sobre a necessidade de se cultivar o "jardim da democracia" – caso contrário, "as coisas podem desmoronar muito rapidamente", alertou ele, afirmando que o mundo viu "sociedades onde isso aconteceu", em referência ao "final dos anos 1920 e os anos 1930".

Obama lembrou a ascensão do ex-líder nazista Adolf Hitler num momento em que, segundo ele, tudo "parecia muito sofisticado e, embalado com a música, a arte, a literatura e a ciência que emergiam, acreditava-se que [essa fase próspera] ia durar para sempre".

"E então 60 milhões de pessoas morreram. O mundo inteiro foi mergulhado no caos", continuou o ex-presidente, possivelmente se referindo à Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1945, quando morreu aproximadamente esse mesmo número de pessoas.

Ele concluiu o pensamento oferecendo um simples conselho aos cerca de 1.800 participantes da conferência – em sua maioria líderes empresariais na área de Chicago –, que se estendeu à sociedade americana: "Vocês precisam prestar atenção. E ir às urnas".

Obama, que acumula uma série de divergências com o atual presidente americano, o republicano Donald Trump, não mencionou diretamente seu sucessor durante a fala na conferência, ou mesmo a situação política de nenhum país.

As declarações, no entanto, foram suficientes para arrancar críticas de personalidades conservadoras dos EUA, que chegaram a acusar o ex-líder de ter feito uma comparação entre Trump e Hitler. 

"Achei que Obama fosse melhor do que isso. Comparar seu sucessor a Adolf Hitler é horrível. Simplesmente degradante", opinou Jesse Watters, comentarista da emissora Fox News.

"Quando um ex-presidente faz uma comparação entre Hitler e Trump, a mídia convencional não diz nada. Comportamento desprezível", afirmou, por sua vez, o apresentador Chuck Woolery, que já chegou a ser acusado de ter opiniões antissemitas.

Apesar das críticas dirigidas a Obama, agências de notícias afirmam que o ex-presidente não mencionou o nome do ex-líder nazista durante o discurso em Chicago.

Desde que deixou a Casa Branca, em janeiro, Obama tem seguido a tradição de reserva de seus antecessores e mantido a discrição sobre decisões políticas da nova administração, exceto para frisar seu desacordo em relação a temas como imigração e meio ambiente.

EK/afp/ap/lusa/dw/ots

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