Em escândalo de espionagem, EUA silenciam, Alemanha exige respeito | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 11.07.2014
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Alemanha

Em escândalo de espionagem, EUA silenciam, Alemanha exige respeito

Agente americano expulso deve deixar a Alemanha em breve. Ministro alemão do Exterior Steinmeier reafirma que expulsão foi passo certo e exige confiança e respeito dos EUA. Washington não comenta o assunto.

A expulsão do chefe do serviço de inteligência dos Estados Unidos em Berlim causou mal-estar na relação teuto-americana. Enquanto Washington ignora o fato e permanece em silêncio, ministros alemães exigem esclarecimento sobre casos de espionagem contra o país, pedindo confiança e respeito.

O ministro alemão do Exterior, Frank Walter Steinmeier, avaliou nesta sexta-feira (11/07) a decisão de ordenar a saída da Alemanha do chefe da espionagem americana como um "passo necessário" e uma "reação apropriada", diante a quebra de confiança. A decisão se seguiu à revelação que dois funcionários do governo alemão possivelmente estavam realizando atividades de espionagem para os serviços de inteligência dos EUA.

"Nós precisamos e esperamos uma parceria baseada na confiança", comentou Steinemeier. A Alemanha deseja nutrir com os EUA um "intercâmbio de opiniões aberto", que não hesite diante questões difíceis, como tem sido até agora. Perante às muitas crises no mundo – no Irã, Ucrânia, Oriente Médio, Afeganistão – a "ligação transatlântica" é mais do que necessária, disse.

Reforço da parceria

Segundo o ministro social-democrata, é ilusão acreditar que a mitigação dos conflitos e a busca de soluções diplomáticas possam ser bem sucedidas sem uma estreita cooperação com os Estados Unidos. Ele alerta, porém, que essa cooperação precisa ser conduzida com confiança e respeito mútuo.

Treffen der Nato-Außenminister 01.04.2014

Steinmeier (esq.) vai conversar com Kerry sobre os eventos de espionagem, em encontro em Viena

"Nós queremos revitalizar nossa parceria e amizade sobre uma base sincera", anunciou Steinmeier, acrescentando ser essa a mensagem que ele vai levar a seu homólogo americano, John Kerry, em Viena. No fim de semana, ministros do Exterior de vários países se encontram na capital austríaca para discutir o programa nuclear iraniano.

Enquanto isso, o governo alemão confirma que o agente americano deve deixar o país em breve. "Foi uma clara ordem de retirada", comentou o porta-voz do ministério do Exterior. Apesar do agravamento do escândalo de espionagem, a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente dos EUA, Barack Obama, continuam tento um "bom contato", afirmou, por sua vez, o porta-voz da Chancelaria Federal, Steffen Seibert.

Silêncio americano

Entretanto, Merkel e Obama não conversaram na quinta-feira e no momento nenhum telefonema entre os dois está programado, prossegue Seibert, que, mesmo com os últimos acontecimentos, diz não temer efeitos negativos sobre a amizade teuto-americana.

Esta estaria "profundamente ancorada" em ambos os lados do Oceano Atlântico e viva através de milhões de pessoas. O porta-voz também negou que o escândalo de espionagem possa abalar a cooperação entre os serviços secretos da Alemanha e dos Estados Unidos, como divulgado pelo jornal alemão Bild.

No entanto, o ministro alemão da Justiça, Heiko Maas, espera que os EUA revelem todas as atividades de espionagem contra a Alemanha e as encerrem imediatamente. Os americanos precisam contribuir ativamente para os esclarecimentos das acusações, exigiu Maas ao jornal Passauer Neue Presse.

Até o momento, Washington permanece em silêncio perante o novo escândalo, sem se posicionar oficialmente sobre as acusações ou a expulsão do agente. "Qualquer tipo de comentário sobre alegadas ações do serviço secreto colocaria em risco o patrimônio, os funcionários e a segurança nacional dos EUA", declarou o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest. Ele salientou que a relação entre os dois países permanece muito importante para os Estados Unidos.

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