Aedes é grande vilão do surto de zika, diz estudo | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 23.05.2016
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Brasil

Aedes é grande vilão do surto de zika, diz estudo

Disseminação rápida no Brasil fez pesquisadores levantarem hipótese de que vírus poderia ser transmitido por outros vetores, como o pernilongo comum. Novo estudo, porém, aponta inseto como único disseminador da doença.

O grande e aparentemente único vilão do surto de zika é mesmo o mosquito Aedes aegypti, conforme um estudo divulgado nesta segunda-feira (23/05) pela Fiocruz. A disseminação rápida da doença no Brasil fez com que alguns pesquisadores levantassem a hipótese de que o vírus poderia estar sendo transmitido também por outros vetores, como o pernilongo comum. Até onde se conseguiu comprovar, no entanto, o Aedes – responsável também pela transmissão da febre amarela, da dengue e da chicungunya – é o único inseto disseminador da doença.

Cientistas do Instituto Oswaldo Cruz encontraram, pela primeira vez, mosquitos Aedes naturalmente infectados pelo vírus zika. Esta é a primeira vez, desde que a doença começou a se espalhar pelo mundo, há cerca de dez anos, que o vírus é detectado em um inseto. Embora cientistas brasileiros já tivessem comprovado em laboratório que o Aedes era capaz de transmitir o vírus e a coincidência epidemiológica também apontasse o Aedes como o vilão do novo surto, a detecção do vírus no mosquito era o dado que faltava para fechar a equação.

"Nosso resultado traz segurança ao trabalho de controle e combate do Aedes", explica o líder do estudo, Ricardo Lourenço, chefe do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do IOC.

Ao longo de dez meses, os cientistas capturaram cerca de 1.500 mosquitos adultos de diversas espécies – entre machos e fêmeas – em áreas do estado do Rio de Janeiro onde havia relatos de pacientes com sintomas de zika. O diagnóstico da presença do vírus no mosquito foi feito por meio de dois métodos diferentes: a análise molecular, que identifica a presença de material genético do vírus; e o isolamento viral, que detecta partículas infectantes nas glândulas salivares do mosquito.

Inseto "doméstico"

Os resultados mostraram a presença do vírus em três conjuntos de Aedes, coletados nos bairros de Coelho da Rocha e São João de Meriti, na Baixada Fluminense, e Realengo, na Zona Oeste do Rio. O vírus não foi detectado em nenhuma outra espécie de mosquito, embora o pernilongo comum e o Aedes albopictus também tenham sido estudados.

"Excluir uma hipótese, do ponto de vista científico, é algo muito forte. Mas posso dizer que não temos nenhum resultado mostrando que o pernilongo transmita o vírus e tampouco achamos algum deles infectado. Achei três grupos de Aedes e nenhum pernilongo, e metade dos mosquitos que estudei era pernilongo", explicou Lourenço.

Distribuição, densidade e comportamento do Aedes em várias regiões brasileiras podem ter contribuído para propagação do zika

Distribuição, densidade e comportamento do Aedes em regiões brasileiras podem ter contribuído para propagação do zika

O grupo tampouco achou qualquer exemplar de Aedes albopictus infectado, mas é sabido que ele também pode ser um vetor porque indivíduos infectados foram encontrados no México. Além disso, estudos feitos em laboratório mostram que, embora seja capaz de transmitir o vírus, ele é menos eficiente do que o outro Aedes.

"De qualquer forma é um inseto extradomiciliar, que vive mais na floresta e tem bem menos contato com seres humanos", afirmou Lourenço.

Por outro lado, segundo Lourenço, a distribuição, a densidade e o comportamento do Aedes aegypti em várias regiões brasileiras podem ter contribuído para a rápida propagação do zika.

"Na prática, o percentual desses mosquitos infectados com o vírus é pequeno. Por outro lado, o Aedes é um mosquito doméstico, que vive próximo do homem, e se beneficia pela oferta de potenciais criadouros dentro das casas, onde podem colocar seus ovos", explica Lourenço. "A grande população de mosquitos e a proximidade com humanos, somadas à grande oferta de criadouros, fazem com que o mosquito viva mais tempo, favorecendo a infecção e a disseminação de doenças como zika, dengue e chikungunya."

Um mosquito infecta cinco pessoas

O Aedes aegypti é facilmente identificável pelas marcas brancas nas pernas. Ele é o principal vetor na transmissão de febre amarela, dengue, chicungunya e zika. As doenças são passadas para os seres humanos por meio da picada de uma fêmea infectada. Somente as fêmeas se alimentam do sangue humano. Elas precisam fazer isso para conseguirem nutrientes para a produção de ovos.

Os ovos são colocados em água limpa e parada, daí a insistência das autoridades de saúde para que as pessoas se certifiquem de não ter nenhum potencial criadouro em casa, como em vasos de planta e caixas d'água. Um único mosquito infectado é capaz de contaminar até cinco pessoas.

O Aedes aegypti, como o nome sugere, é originário do Egito. Mas sua dispersão para o restante do mundo ocorreu a partir da África. Primeiro da costa leste do continente para a América, depois da costa oeste para a Ásia. Acredita-se que o Aedes tenha chegado ao Brasil junto com as embarcações provenientes da África que traziam escravos para o país.

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