Yaa Nana Asantewaa: a rainha guerreira da nação Ashanti do Gana | História de África - Raízes Africanas | DW | 12.01.2018
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História de África

Yaa Nana Asantewaa: a rainha guerreira da nação Ashanti do Gana

Ficou conhecida pelo seu papel heróico na guerra do “Trono de Ouro”, no Gana. Conhecida por ser uma mulher forte, Asantewaa defendeu sempre o que acreditava ser a santidade da sua terra e cultura.

Nasceu: em 1840 em Besease, no atual Gana, e morreu a 17 de outubro de 1921, nas Seychelles.

Reconhecida:

- por ter inspirado e apoiado o que é hoje conhecido como guerra do "Trono de Ouro". O "Trono de Ouro” era a propriedade mais sagrada da nação Ashanti - atual Gana -, tendo o representante britânico na época na Costa do Ouro, Frederick Mitchell Hodgson, exigido que lho dessem.

- por se ter pronunciado sem hesitar e em frente aos homens Ashanti, quando confrontada pela exigência do representante britânico. Afirmou: "É verdade que a bravura dos Ashanti acabou? Não posso acreditar. Não pode ser! Devo dizer: Se vocês, homens de Asante, não vão em frente, então nós vamos. Apelo às minhas companheiras mulheres. Vamos lutar contra os homens brancos. Vamos lutar até que a última de nós caia no campo de batalha”.

- por ter sido nomeada por uma série de reis regionais Ashanti a líder da força de guerra de combate. Foi a primeira e única mulher na história de Asante com estas funções.

- por ter estado, em momentos diferentes, na frente de guerra para dar conselhos e cuidar do abastecimento dos combatentes Asante - aos 60 anos!

Legado:  Yaa Asantewa é um importante modelo e inspiração não só para as raparigas e mulheres do Gana, mas também para todo o continente africano, pela bravura que demonstrou ter. Hoje, muitas mulheres que ingressam em profissões que, anteriormente, eram dominadas por homens, são muitas vezes apelidadas de Yaa Asantewaa como forma de incentivo e apoio.

Em 2000, um museu foi criado em memória à grande rainha guerreira na localidade de Ejisu no Gana. A sua família contribuiu com heranças e artigos que Yaa Asantewaa usava, incluindo peças de roupa, e também uma carapaça de tartaruga, na qual se diz que a rainha tenha comido as suas refeições. Infelizmente, um incêndio destruiu o museu em julho de 2004. A maioria das coisas foram perdidas, estando o museu ainda em ruínas.

 

Rainha guerreira proveniente de famílias humildes

A primeira Escola Secundária do Governo em Kumasie recebeu o seu nome: Escola Secundária Yaa Asantewaa.

Asantewaa nasceu em 1840, em Ejisu, atual Gana, que fazia parte do império Ashanti naquela época. Casou cedo e teve uma filha.

Em entrevista à DW África, Wilhemina Donkor, historiadora e presidente da Universidade Garden City, no Gana, lembra que Yaa Asantewaa era proveniente de famílias humildes, tendo começado a sua vida como uma "mulher comum”. Yaa Asantewaa era agricultora e "cultivava amendoim, cebolas e outros produtos alimentares”.

No entanto, a sua vida mudou decisivamente quando os seus pais morreram. O seu irmão Kwasi Afrane tornou-se líder de Ejisu e nomeou a sua mãe Rainha. No entanto, Kwasi Afrane morreu pouco tempo depois, em 1894. Seguiu-se um novo líder, um dos dez netos de Yaa Asantewaa, mas que acabou por ser exilado pelos britânicos dois anos depois. É aqui que Yaa Asantewa se torna regente de Ejisu.

De agricultora a líder de Guerra

Representar o líder do seu país deu a Yaa Asantewaa a oportunidade de estar entre os chefes que foram convidados a conhecer o representante britânico em 1900.

Na reunião, Frederick Mitchell Hodgson, representante da coroa britânica, solicitou que o "Trono de Ouro” lhe fosse concedido, no entanto este não era um trono comum. Era o "Trono de Ouro", o objeto mais sagrado da cultura Ashanti e por isso Asantewaa entendeu que não poderia deixar que os britânicos o levassem.

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Yaa Nana Asantewaa: a rainha guerreira

No entanto, foi a única a lutar contra isso. Pelos chefes de Ashanti, a solução desistir e sacrificar o "Trono de Ouro”. Mas, para Yaa Asantewaa esta solução não estava em cima da mesa. Asantewaa insurgiu-se e proferiu as tão famosas palavras: "Se vocês, homens de Asante, não vão em frente, então nós vamos. Desafio as minhas companheiras mulheres. Vamos lutar contra os homens brancos. Vamos lutar até que a última de nós caia no campo de batalha. Se vocês, os chefes, não lutarem, então deverão trocar a vossa tanga pela minha roupa interior”.

Guerra do Trono de Ouro

A guerra que se seguiu ficou conhecida como a "Guerra do Trono de Ouro” e também como a "Guerra de Yaa Asantewaa”. 

De acordo com Wilhemina Donkor, Yaa Asantewaa deixou algumas lições, nomeadamente, "ensinou-nos a defender aquilo em que acreditamos”. "Sendo a dignidade de Ashanti que estava em jogo, ela ergueu-se", explica.

Yaa Asantewaa não só iniciou a guerra, como também desempenhou um papel ativo. Tinha 60 anos na época e há provas de que esteve na frente da batalha, não só para motivar os soldados mas também para lhes fornecer armas.

A guerra apenas atenuou depois da sua filha ter sido capturada, o que forçou Yaa Asantewaa a render-se. Os britânicos levaram-na para as Seychelles, no Oceano Índico, onde acabou por morrer, em outubro de 1921.

Um ícone

Ainda assim, os britânicos nunca encontraram o "Trono de Ouro”. Yaa Asantewaa tornou-se um ícone, respeitado no Gana e mais além.

Para Daniel Baker Glover, cineasta e comentador político, Asantewaa inspirou a luta da independência no seu país. No seu entender, "o que ela estava a querer dizer ao povo Asante e, indiretamente, aos ganianos e africanos, é que esta é a nossa terra, e ninguém vindo do exterior pode chegar e dizer como é que devemos viver. (...) Ao vestir "a capa” de líder de guerra, ela estava a querer mostrar às mulheres que elas são iguais aos homens, e que não são cidadãos de segunda classe”.

Quase um século após a sua morte, Yaa Nana Asantewaa continua a ser lembrada um pouco por todo continente africano por ter sido uma mulher excecionalmente corajosa e forte. Para preservar a herança de Yaa Asantewaa, uma das melhores escolas secundárias do sexo feminino no Gana tem o seu nome.

A sua memória está também preservada através de livros, filmes, peças de rádio e canções – ou seja, na memória de uma nação .

O projeto "Raízes Africanas" é financiado pela Fundação Gerda Henkel.

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