Um virar de página nas relações EUA - África? | Moçambique | DW | 21.06.2019
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Moçambique

Um virar de página nas relações EUA - África?

Cimeira EUA-África terminou esta sexta-feira (21.06.) em Maputo com promessas de abertura do mercado norte-americano aos países africanos. Na cimeira também foram anunciadas iniciativas de desenvolvimento do continente.

Cimeira de Negócios EUA - África decorreu de 19 a 21 de junho em Maputo, Moçambique

Cimeira de Negócios EUA - África decorreu de 19 a 21 de junho em Maputo, Moçambique

Um dos pontos mais focados na cimeira EUA-África foi a necessidade de aumentar os investimentos norte-americanos em África.

Através da iniciativa "Prosper Africa", ou "Prosperar África", os Estados Unidos da América (EUA) querem revitalizar a parceria com vários países do continente e passar a fazer negócios de outra forma.

Segundo o administrador da USAID, Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, Mark Green, a ideia é diminuir as barreiras alfandegárias, abrir mais o mercado norte-americano aos produtos africanos, além de ajudar as empresas dos Estados Unidos, reduzindo os seus riscos de investimento.

"O 'Prosper Africa' não é um novo programa, mas sim um novo caminho para se fazer negócio, capitalizar o uso de toda a cadeia de finanças, bem como o acesso a todos os recursos dos EUA para os empresários africanos", esclarece Green.

Gipfeltreffen USA-Afrika, Maputo, Mosambik

Presidente de Moçambique (dir.), Filipe Nyusi, e a secretária adjunta norte-americana do Comércio, Karen Dun Kelly

Virar a página

O secretário de Estado Adjunto dos EUA para os Assuntos Africanos, Tibor Nagy, salientou que é preciso virar a página: "Nós queremos mudar a mentalidade nas relações EUA-África com base nas novas parcerias. Estamos comprometidos em participar ativamente para alavancar as parcerias com os empresários africanos."

Na cimeira EUA-África foram ainda dados exemplos de experiências bem-sucedidas de apoio a mulheres empresárias, através de linhas de crédito.

Worku Gachou, diretor-geral para África da agência de desenvolvimento do Governo norte-americano OPIC conta que os EUA fizeram "um acordo com o Banco Nacional da Nigéria para abrir uma linha de crédito avaliada em 200 milhões de dólares para apoiar várias iniciativas empresariais de mulheres."

"Foi uma medida audaciosa, pois sabíamos que, com boa gestão, vamos sair das intervenções programáticas isoladas", afirmou.

As promessas

Esta semana, empresas norte-americanas também fizeram promessas de investimento ao país anfitrião da cimeira, Moçambique. O consórcio liderado pela gigante norte-americana Anadarko anunciou um investimento record de 25 mil milhões de dólares para o projeto de desenvolvimento de gás na província nortenha de Cabo Delgado.

Ouvir o áudio 02:50

Um virar de página nas relações EUA - África?

Farid Fezoua, presidente da empresa GE Healthcare Africa também prometeu investir: "Vamos investir na saúde. É uma das nossas áreas-chave. Temos conhecimentos de que o Presidente da República [Filipe Nyusi] lançou o projeto 'um distrito, um hospital' e gostaríamos de partilhar esta nova experiência em África para fortalecer o sistema de saúde em Moçambique, sobretudo nos cuidados primários."

O empresariado moçambicano aproveitou a cimeira para apresentar algumas das áreas em que é preciso investir. O empresário Kekobad Patel disse que um delas é o setor dos transportes.

"Onde se evidencia a necessidade de se incrementar o número de turistas transportados pelas companhias aéreas, através do aumento de frequências e a redução das tarifas dos voos domésticos", afirmou Patel.

Cimeira limpa má imagem de Moçambique? 

Para o diretor da AIPEX, Agência para a Promoção de Investimentos e Exportações, Lourenço Sambo, esta cimeira veio lavar a má imagem de Moçambique, uma vez que "acontece depois dos ciclones Idai e Kenneth, que trouxeram mais um elemento negativo para a imagem de Moçambique: 'Moçambique das dívidas', de 'doenças'… E esta conferência muda um pouco o cenário."

Na Cimeira EUA-África participaram mais de mil representantes dos setores económicos africanos e norte-americano e vários chefes de Estado.

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