Sofala: Ataques de crocodilos preocupam população | NOTÍCIAS | DW | 15.07.2019
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Sofala: Ataques de crocodilos preocupam população

As populações aproveitam a água do rio Zambeze para as suas tarefas domésticas porque a água da torneira é cara, contudo isso faz com que muitas delas se exponham ao perigo dos crocodilos.

Ataques por crocodilos preocupam a população de três distritos banhados pelo rio Zambeze no norte da província central de Sofala. Estima-se que pelo menos 70 pessoas morrem por ano nos distritos de Marromeu, Chemba e Caia vítimas de ataques de crocodilos.

A população é frequentemente atacada por aqueles répteis nas margens daquele grande rio onde buscam água para o consumo, lavagem de roupa ou banho. Os hipopótamos e elefantes também têm ameaçado as populações.

Victor Nito habitante da vila de Chemba no norte da província de Sofala lembra-se de algumas pessoas atacadas por aqueles répteis na sua comunidade só nos últimos meses. "No total foram nove, umas ficaram feridas e outras chegaram mesmo a morrer", recorda Nito.

Ouvir o áudio 03:04

Sofala: Ataques de crocodilos preocupam população

Água é um bem caro

Várias pessoas entrevistadas pela DW África dizem estar cientes dos perigos de se fazer ao rio, mas recorrem a esta fonte para a busca de água porque nas torneiras e fontenários, do precioso líquido, não sai ou se sai os custos mensais de fornecimento são elevados.

Messe Djó, que também reside perto do rio, esclarece o seguinte. "Podemos ter medo dos crocodilos mas pensamos que o fornecimento da água está muito caro, todos dias nós precisamos de dinheiro para pagar a água da torneira! Por isso vamos apanhar a água do rio única forma de conter os custos".

Outra moradora, Lúcia Moisés, diz que apesar de estar a correr riscos prefere lavar a roupa no rio. "Sabemos que é perigoso, as pessoas são mordidas pelos crocodilos mas nós não temos outra alternativa. A água não sai nas torneiras nem de manhã, e nem ao meio dia só vem à tarde e à noite. Mas queremos fazer as nossas tarefas, como lavar a roupa na parte da manhã".

A DW África entrevistou também Veloso Dias que foi vítima de um ataque por crocodilo que lhe deixou sem um pé. Ele contou à nossa reportagem que permaneceu mais de meia hora na água batalhando pela vida e no fim conseguiu escapar dos dentes do crocodilo quando perdeu o pé. Veloso Dias de quarenta e seis anos de idade locomove-se atualmente com a ajuda de muletas e tem uma opinião sobre como acabar com os frequentes ataques dos crocodilos.

Mosambik Sofala | Veloso Dias im Gespräch mit DW (DW/A. Sebastião)

Veloso Dias

"Devíamos chamar os líderes comunitários e os régulos para se sentarem e discutirem como fazer para diminuir os ataques dos crocodilos, mas se me perguntarem eu gostaria que pelo menos alguns deles fossem abatidos".

Ação do Estado

No entanto o líder comunitário Dias Chave disse a DW África que anualmente as lideranças comunitárias têm reunido e orientadas cerimónias tradicionais para reverter este cenário mas ao que tudo indica falta ainda fazer muito mais. Chave acrescentou que deveria ser dado continuidade à campanha de recolha de ovos dos répteis nas margens dos rios.

"Desde há muito tempo pelo menos uma ou duas vezes por ano fazíamos cerimónias tradicionais mas isto não basta porque a população continua a ser atacada e a morrer. Sugerimos que aquelas que vinham para aqui regressassem à região para de novo e começar a recolher os ovos de crocodilos e assim reduzirmos a população desses répteis. Isso já seria uma grande ajuda”.

Por seu turno, o governo diz estar a envidar esforços de modo a ultrapassar esta situação que coloca em perigo centenas de pessoas.

Mosambik Sofala | 10/07/2019Mosambik Sofala
Paz Martinho im Gespräch mit DW (DW/A. Sebastião)

Paz Martinho

O chefe de serviços provinciais de florestas e fauna brava, Paz Martinho, disse em entrevista à DW África que o trabalho já realizado foram colhidos alguns resultados positivos. "Alocámos nesses distritos mais problemáticos algumas armas numa perspectiva da população afugentar das margens dos rios os crocodilos e se possível até o abate do animais mais recalcitrantes e problemáticos. Associados a isto também tivemos que identificar alguns caçadores comunitários com experiência que foram em seguida formados e estão lá para qualquer situação que envolva mais perigos”.

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