Sindicato dos jornalistas lamenta ″recuo″ na liberdade de imprensa em Angola | Angola | DW | 23.09.2020

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Angola

Sindicato dos jornalistas lamenta "recuo" na liberdade de imprensa em Angola

O Sindicato dos Jornalistas Angolanos manifesta-se preocupado com o "afrouxar da abertura" nos média públicos e lamenta a "suspensão" do canal SIC Notícias no país.

"Não há dúvidas de que a sociedade, do modo geral, e a própria classe jornalística vai sentindo já um recolhimento, ou se quisermos um afrouxar da abertura que os media públicos vinham tendo desde o início do consulado do novo Governo", afirmou esta quarta-feira (23.09) o secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), Teixeira Cândido, em entrevista à agência noticiosa Lusa.

Para o dirigente sindical, os sinais de recuos da liberdade de imprensa "são evidentes", referindo que a "ausência de órgãos públicos na cobertura das últimas manifestações explicou exatamente as suspeitas que vamos tendo em relação a um sistemático recuo que vamos assistindo".

Manifestações sobre a morte do médico angolano Sílvio Dala, alegadamente em esquadra policial após detenção por não usar máscara facial, aconteceram praticamente em todo o país, sem que os órgãos de comunicação social públicos tivessem noticiado estes eventos.

"Porque não se explica que não tenham feito a cobertura das manifestações que foi um facto de interesse público, não só pela morte do médico, mas também de outras pessoas em que envolveu a polícia nacional", observou Teixeira Cândido.

Vários órgãos estatizados

Vários órgãos privados de comunicação, nomeadamente a TVZimbo, Palanca TV, jornal O País, Rádio Mais, Rádio Global, uma produtora de conteúdos audiovisuais e uma gráfica passaram para a esfera do Estado angolano por "serem constituídas com fundos públicos".

O processo enquadra-se no processo de recuperação de ativos do Estado angolano no âmbito do programa de combate à corrupção, um dos eixos de governação do Presidente João Lourenço.

Alguns órgãos recuperados estavam ligados aos generais Leopoldino do Nascimento "Dino" e "Kopelipa", ao ex-vice-Presidente da República, Manuel Vicente, e ao ex-ministro da Comunicação Social, Manuel Rabelais.

Assistir ao vídeo 08:07

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A Palanca TV foi recentemente oficializada como novo canal desportivo da Televisão Pública de Angola (TPA) com as autoridades a garantirem, para os próximos tempos, novos canais temáticos.

Nos últimos dias foi anunciada uma nova suspensão do canal SIC Notícias da plataforma do canal de distribuição de televisão por satélite DSTV, que opera em Angola.

Em relação à DSTV, o secretário-geral do SJA referiu: "Continuamos na realidade sem nenhuma justificação que nos permita afirmar, com certeza, se de facto estará por detrás desta medida uma pressão política como aconteceu na última vez".

"Ou estará na presença de uma situação económica… De todo o modo, nós, enquanto profissionais da classe, temos muitas dúvidas que se trate apenas de uma situação comercial, não conseguimos afirmar com certeza mas temos muitas dúvidas que tenha sido fundamentalmente um aspeto comercial", sublinhou. 

Liberdade "movediça e vulnerável"

Teixeira Cândido prossegue: "É uma pena que a liberdade de imprensa esteja a recuar, é uma pena que a liberdade continue a depender da vontade de quem governa, da vontade das pessoas e quem governa entender que deve haver liberdade de imprensa ou deve haver mais abertura". 

"Portanto é de facto uma pena que a nossa liberdade de imprensa ainda não seja estruturante, porque continua a ser movediça e vulnerável com várias inclinações e essa abertura que dizem existir depende um pouco da vontade de quem tutela os órgãos de comunicação social públicos", apontou.

Teixeira Cândido descarta, nesta fase, uma possível pré-campanha política visando as eleições de 2022, admitindo, no entanto, "talvez uma precipitação dos partidos com vontade expressa de se tornarem factos noticiosos". 

"Estamos há dois anos e a vontade do eleitor pode mudar há seis ou dois meses, não sei ao certo se estamos em presença de uma campanha eleitoral ou pré-campanha, mas se há de facto já este ambiente eleitoral não consigo olhar nisso", rematou.

Assistir ao vídeo 03:38

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